
Sem formação em economia e oriundo do aparelhamento jurídico-estatal e do lobby corporativo, o sucessor de Haddad entrega piora contundente nos indicadores e conduz o Brasil ao maior nível de dívida líquida da história.
A ascensão de Dario Carnevalli Durigan ao comando do Ministério da Fazenda representa a consolidação da lógica burocrática em detrimento da técnica econômica. Graduado em Direito pela USP e mestre em Direito Constitucional pela UnB, Durigan construiu sua carreira como advogado público e operador institucional. Atuou como procurador da AGU, assessor na Subchefia para Assuntos Jurídicos da Casa Civil no governo Dilma Rousseff e assessor especial de Fernando Haddad na Prefeitura de São Paulo. Antes de assumir a secretaria-executiva da Fazenda em 2023, e posteriormente o cargo de ministro com a saída de Haddad em março de 2026, atuava como diretor de políticas públicas do WhatsApp no Brasil.
O currículo de Durigan revela a figura clássica do articulador político-jurídico, treinado na engenharia normativa do Estado e na gestão de relações governamentais, mas desprovido de formação em ciência econômica, experiência em gestão de risco macroeconômico ou vivência na iniciativa privada produtiva. Colocar um operador de bastidores jurídicos à frente da política fiscal do país resultou na substituição da disciplina orçamentária por remendos tributários e retórica intervencionista.
Os dados oficiais do primeiro semestre da gestão de Dario Durigan na cabeça do Ministério da Fazenda confirmam o colapso do equilíbrio fiscal. A premissa de que a arrecadação cobriria a expansão descontrolada dos gastos públicos fracassou, e o resultado foi o rápido endividamento do Estado brasileiro:
Dívida Bruta em Escalada: A Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu a marca de R$ 10,9 trilhões em julho de 2026, alcançando 82,5% do PIB. O indicador subiu 0,6 ponto percentual em apenas seis meses de gestão Durigan, registrando o maior patamar de todo o terceiro mandato do governo federal.
Recorde Histórico da Dívida Líquida: A Dívida Líquida do Setor Público (DLSP) escalou para 69,1% do PIB, o maior valor registrado em toda a série histórica do Banco Central, iniciada em dezembro de 2001. Uma alta drástica de 2,4 pontos percentuais sob o comando do atual ministro.
Déficit Estrutural Contínuo: Sob as regras permissivas do Arcabouço Fiscal — que garantem o crescimento real das despesas acima da inflação —, o saldo estrutural das contas públicas manteve-se no vermelho, anulando os superávits registrados nos anos anteriores e acelerando a trajetória de insolvência fiscal.
Em vez de propor um plano de contenção real de despesas e enxugamento da máquina pública, a gestão de Durigan tem se notabilizado pela transferência de responsabilidade. Em declarações públicas, o ministro passou a sustentar que o endividamento do país não é causado pelo excesso de gastos governamentais, apontando a taxa básica de juros (Selic) e a política monetária do Banco Central como os verdadeiros "culpados" pela pressão nas contas públicas.
Trata-se de uma inversão elementar da lógica econômica. Os juros permanecem elevados justamente porque o mercado financeiro e os investidores internacionais exigem um prêmio de risco exorbitante diante da gastança desmedida, da falta de metas críveis de superávit e da fragilidade da regra fiscal. O juro alto não é a causa do endividamento; é a consequência direta do risco de calote e da inflação contratada pelo próprio governo.
O balanço de seis meses de Dario Durigan demonstra a inviabilidade de gerir a macroeconomia brasileira como uma extensão de consultoria jurídica ou balcão de negociação política. Ao focar em aumentar a arrecadação sobre o setor produtivo, conceder subsídios de crédito pontuais e empurrar passivos com a barriga, o Ministério da Fazenda sufoca o investimento privado e condena o país à estagnação econômica.
Sem a coragem de implementar cortes estruturais na despesa obrigatória e reconhecer os limites do Estado, a gestão atual transforma o Tesouro Nacional em um gerador contínuo de passivos. O resultado de seis meses de "operacionalismo jurídico" na Fazenda está estampado nos números: endividamento recorde, perda de credibilidade internacional e um custo social imenso cobrado diariamente do pagador de impostos.