
Nesta quarta-feira, o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna mobilizam o Brasil em prol da saúde feminina, com destaque para a prevenção do câncer de mama e de colo do útero, principais causas de mortalidade entre mulheres. Criada em 1984, no IV Encontro Internacional Mulher e Saúde, na Holanda, a data reforça a necessidade no acesso à saúde, políticas públicas e conscientização sobre doenças preveníveis. No Brasil, onde a mortalidade materna atingiu 117,4 óbitos por 100 mil nascidos vivos em 2021, agravada pela pandemia, a data ganha ainda mais relevância.
Prevenção do Câncer: Uma Prioridade Nacional
O câncer de mama, o mais comum entre mulheres brasileiras (exceto tumores de pele não melanoma), registra cerca de 73,6 mil novos casos anuais, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), com uma incidência de 66,54 casos por 100 mil mulheres. Já o câncer de colo do útero, ligado ao vírus HPV, tem aproximadamente 17 mil novos casos por ano (2023-2025). A detecção precoce é a chave para reduzir a mortalidade e garantir tratamentos menos invasivos.
Câncer de Mama: A mamografia bienal, recomendada pelo Ministério da Saúde para mulheres de 50 a 69 anos, é essencial. Sinais como nódulos fixos, alterações na pele da mama (textura de “casca de laranja” ou vermelhidão), secreção anormal no mamilo ou nódulos nas axilas devem motivar consultas imediatas. O autoexame, feito em momentos do cotidiano, como no banho, ajuda na identificação precoce. Hábitos saudáveis – prática de exercícios, alimentação equilibrada, controle de peso e redução de álcool e tabaco – podem prevenir até 17% dos casos. Contudo, apenas 49% das brasileiras realizam mamografias regularmente, com taxas ainda menores (37%) nas classes D/E, segundo pesquisas.
Câncer de Colo do Útero: Altamente evitável, é combatido com o exame Papanicolau, que detecta lesões pré-cancerosas, e a vacinação contra o HPV, oferecida pelo SUS para jovens de 9 a 14 anos. A Estratégia Nacional de Controle e Eliminação do Câncer de Colo de Útero, lançada com R$ 18 milhões iniciais em Pernambuco, amplia o uso de testes PCR para rastreio. Apesar disso, o diagnóstico tardio e a desigualdade de acesso persistem como desafios.
Mobilização Nacional e Local
A data ressoa nas redes sociais e em ações locais. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Cardiovascular (@SBCCV) destacou a importância de abordar condições negligenciadas na saúde feminina. A Prefeitura de São Paulo (@saudeprefsp) enfatizou o autocuidado, promovendo a prevenção de cânceres. Em Dourados (MS), um brechó solidário no CRAS de Vila Vargas, organizado pela prefeitura, marcou a manhã com assistência social.
A mensagem é clara: a prevenção salva vidas. Juntas, podemos mudar as estatísticas e construir um futuro com mais saúde.