
A agroindústria brasileira registrou crescimento de 1,6% no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, segundo estudo do FGVAgro divulgado em 26 de maio de 2025. O desempenho foi ainda mais expressivo em março, com alta de 3,6% frente ao mesmo mês do ano anterior, conforme reportado pelo Notícias Agrícolas. O resultado reforça a resiliência do setor, mas esconde fragilidades que podem comprometer sua trajetória, especialmente diante da desaceleração econômica e de incertezas no mercado global.
O avanço trimestral foi impulsionado pelo segmento de Produtos Não Alimentícios, que cresceu 4,1%, com destaque para insumos agropecuários, como defensivos, tratores, máquinas e fertilizantes. Em março, esse setor disparou 39,6%, marcando a nona expansão consecutiva e o melhor resultado para o mês desde o início da série histórica, em 2003. Segundo o FGVAgro, a queda nos preços de fertilizantes nitrogenados e uma relação de troca favorável para culturas como soja e milho aqueceram a demanda. “O agricultor está investindo em tecnologia para garantir produtividade, mesmo com margens apertadas”, afirmou um analista da Portal do Agronegócio. No entanto, o segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas teve leve retração de 0,1%, enquanto Bebidas Alcoólicas (-1,7%), Biocombustíveis (-18,6%) e Fumo (-10,9%) registraram quedas significativas em março.
Apesar do crescimento, o setor enfrenta desafios. A Revista Oeste alerta que a desaceleração da economia brasileira, com inflação persistente e aumento de impostos, como o IOF, pressiona os custos de produção. “O governo Lula parece mais focado em arrecadar do que em apoiar o agro, que carrega o PIB nas costas”, criticou um colunista. A dependência de fertilizantes importados, que representam 80% do consumo nacional, é outro gargalo, especialmente com turbulências no mercado internacional, como conflitos na Ucrânia e sanções à Rússia, que fornece 20% dos insumos, segundo a AgriBusiness Global. O FGVAgro destaca que a capacidade da agroindústria de manter esse ritmo dependerá de políticas públicas que reduzam burocracia e incentivem o investimento.
Conservadores, como a Brasil Paralelo, defendem que o agro precisa de liberdade econômica para prosperar. “O Brasil é o celeiro do mundo, mas impostos altos e insegurança jurídica travam nosso potencial”, afirmou um líder ruralista à Gazeta do Povo. A alta na produção de insumos é um alento, mas a queda em biocombustíveis, como o etanol, reflete a falta de incentivos à energia renovável. O setor exige do governo ações concretas para garantir competitividade e sustentabilidade.