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ACORDO EUA-UE AMEAÇA AGRONEGÓCIO BRASILEIRO: INCOMPETÊNCIA DIPLOMÁTICA CUSTA BILHÕES AO SETOR

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
28/07/2025 às 13h30
ACORDO EUA-UE AMEAÇA AGRONEGÓCIO BRASILEIRO: INCOMPETÊNCIA DIPLOMÁTICA CUSTA BILHÕES AO SETOR
Acordo comercial entre Estados Unidos e União Europeia reduz espaço para produtos brasileiros no mercado europeu
O acordo comercial selado entre Estados Unidos e União Europeia representa mais um golpe devastador para o agronegócio brasileiro, já duramente atingido pelas tarifas de 50% impostas pelo governo Trump. A preferência comercial concedida aos produtos norte-americanos no mercado europeu ameaça bilhões em exportações brasileiras de soja, carne e milho, expondo mais uma vez o fracasso da diplomacia petista.
Segundo especialistas, a União Europeia se comprometeu a ampliar importações de energia, bens industriais e produtos agrícolas dos Estados Unidos em troca de redução tarifária de 30% para 15%. Essa preferência comercial redireciona demanda que hoje é parcialmente atendida por exportações brasileiras, colocando o agronegócio nacional em desvantagem competitiva fatal.
O professor João Alfredo Nyegray, especialista em Negócios Internacionais da PUC-PR, alerta que o Brasil perde espaço no mercado europeu enquanto produtos americanos se tornam mais competitivos. "Se a UE aumentar sua compra de produtos agropecuários dos EUA, por pressão política ou incentivos tarifários, o agro brasileiro perde espaço", confirma o especialista.

Agronegócio Brasileiro Perde Competitividade

O acordo EUA-UE estabelece tarifa única de 15% para a maioria das exportações europeias, incluindo produtos estratégicos com tarifa zero para aeronaves, chips, químicos e alguns produtos agrícolas. Enquanto isso, exportações brasileiras continuam enfrentando tarifas elevadas, cotas restritivas e barreiras fitossanitárias impostas pela burocracia europeia.
A consequência é devastadora para o agronegócio nacional: produtos americanos ganham vantagem competitiva decisiva no mercado europeu, enquanto produtores brasileiros enfrentam custos adicionais que tornam seus produtos menos atrativos. Essa desvantagem comparativa pode resultar em perdas bilionárias para o setor.
Produtores de soja, principal commodity brasileira, já relatam preocupação com a perda de mercado europeu para competidores americanos. O Brasil, que domina mais de 70% da produção global de alguns produtos, vê sua liderança ameaçada por acordos comerciais que excluem o país.

Acordo Mercosul-UE Cada Vez Mais Distante

O entendimento entre EUA e UE também compromete gravemente as negociações do acordo Mercosul-União Europeia, travadas há décadas. O bloco europeu demonstra estar disposto a fechar rapidamente acordos com países alinhados aos seus interesses, especialmente nas áreas de energia e defesa.
Segundo Nyegray, o Mercosul - especialmente o Brasil - oferece poucas contrapartidas de peso e frequentemente adota discursos críticos considerados hostis por líderes europeus. As acusações de eurocentrismo feitas pelo governo Lula deterioraram ainda mais as relações comerciais.
"Ao conceder reduções tarifárias aos EUA, a UE reduz sua margem de manobra para fazer concessões adicionais ao Mercosul. Parte do 'espaço de barganha' já foi consumido nas tratativas com os norte-americanos", explica o especialista. Isso pode tornar o acordo Mercosul-UE menos vantajoso ou até travar sua conclusão.

Setores Protecionistas Europeus Ganham Força

O acordo com os Estados Unidos fortalece argumentos de grupos europeus protecionistas que já se opõem ao pacto com o Mercosul, especialmente no setor agrícola e ambiental. Agricultores franceses e austríacos, tradicionalmente contrários à concorrência sul-americana, ganham mais força para barrar negociações.
Com novos compromissos comerciais assumidos com os EUA, setores protecionistas europeus argumentam que não há necessidade de fazer concessões adicionais ao Mercosul. Essa posição compromete décadas de negociações e bilhões em investimentos diplomáticos brasileiros.
A estratégia confrontativa do governo Lula, que incluiu críticas públicas à Europa e ameaças de retaliação, facilitou a argumentação protecionista. Países sérios negociam com diplomacia, não com ameaças e confrontos ideológicos.

Principais Pontos do Acordo EUA-UE

O acordo estabelece condições extremamente favoráveis aos americanos: tarifa única de 15% para a maioria das exportações europeias (redução de 30%), tarifa zero para produtos estratégicos como aeronaves, chips e alguns agrícolas, e redução de tarifas para aço e alumínio.
Além disso, a UE se compromete com compras massivas de energia americana (GNL, petróleo e combustíveis nucleares) para substituir fontes russas, e estabelece parceria tecnológica em inteligência artificial com uso de chips americanos nas fábricas europeias.
Esses termos demonstram que Trump está disposto a negociar quando encontra interlocutores sérios e pragmáticos. O contraste com o tratamento dado ao Brasil - tarifas punitivas de 50% - evidencia o fracasso completo da diplomacia petista.

Tarifaço Coloca R$ 1,5 Bilhão em Risco no Paraná

Dados da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (FAEP) revelam que as tarifas americanas colocam em risco R1,5bilha~oemexportac\co~esagrıˊcolasapenasdoestado.Em2024,osEstadosUnidosforamdestinode89 1,5 bilhão em exportações agrícolas apenas do estado. Em 2024, os Estados Unidos foram destino de 89% das exportações brasileiras de piscicultura, totalizando US 52,3 milhões.
No Paraná, entre 2023 e 2024, as exportações de produtos da piscicultura para os EUA cresceram significativamente, demonstrando a importância desse mercado para produtores locais. Agora, tarifas de 50% tornam esses produtos inviáveis no mercado americano.
O impacto se estende por toda a cadeia produtiva paranaense, afetando desde pequenos produtores até grandes cooperativas. Milhares de empregos estão ameaçados pela incompetência diplomática do governo federal.

Brasil Mantém Liderança Ameaçada

Apesar das dificuldades, o Brasil ainda mantém liderança em diversos produtos agrícolas. O país domina mais de 70% da produção e exportação global de laranja, enquanto a Flórida, que já foi polo forte, perdeu relevância por conta de doenças cítricas e furacões.
A soja continua sendo o produto que o Brasil mais exporta, seguido por óleos brutos de petróleo e minério de ferro. No primeiro semestre de 2025, esses produtos lideraram as exportações nacionais, demonstrando a força do agronegócio brasileiro.
No entanto, essa liderança está ameaçada pela guerra comercial e pelos acordos que excluem o Brasil. Sem acesso privilegiado aos principais mercados mundiais, produtores brasileiros enfrentam desvantagem competitiva crescente.

Cotações Agrícolas Refletem Incerteza

As cotações do milho abriram a segunda-feira com recuos em Chicago e na B3, refletindo a incerteza causada pela guerra comercial. Analistas esperam mercado de lado ou pressionado diante das dificuldades climáticas e comerciais.
A volatilidade nos mercados agrícolas demonstra que investidores estão nervosos com os rumos do comércio internacional. A falta de previsibilidade prejudica planejamento de safras e investimentos no setor.
Produtores relatam dificuldades crescentes para fechar contratos de longo prazo, essenciais para o financiamento da produção. A incerteza comercial paralisa decisões de investimento em toda a cadeia produtiva.

Governo de MT Revoga Taxa sobre Irrigação

Em movimento positivo para o setor, o governo de Mato Grosso revogou taxa sobre irrigação após demanda de produtores rurais liderada pela Famato. Essa decisão demonstra que governos estaduais estão mais atentos às necessidades do agronegócio do que o governo federal.
A revogação da taxa representa economia significativa para produtores que dependem de irrigação, especialmente em regiões de cerrado. Essa medida contrasta com a postura do governo federal, que multiplica custos e dificuldades para o setor.
Estados produtores demonstram maior sensibilidade às demandas do agronegócio, reconhecendo sua importância para a economia local. Essa postura pragmática deveria ser exemplo para o governo federal.

Análise da Revista No Ponto Do Fato

O acordo EUA-UE representa mais um capítulo do desastre diplomático promovido pelo governo Lula, que está sistematicamente destruindo a competitividade do agronegócio brasileiro. Para a Revista No Ponto Do Fato, essa situação era completamente previsível e resulta diretamente da estratégia confrontativa e ideológica adotada pelo governo petista.
Nossa revista sempre alertou que a postura anti-americana de Lula traria consequências devastadoras para o agronegócio, setor que mais contribui para a balança comercial brasileira. O acordo EUA-UE confirma nossa previsão de que o Brasil seria sistematicamente excluído dos principais acordos comerciais mundiais.
É revoltante que o governo Lula tenha preferido o confronto ideológico à negociação pragmática, condenando milhões de produtores rurais a perdas bilionárias. Para a No Ponto Do Fato, essa escolha demonstra que o governo petista coloca interesses partidários acima dos interesses nacionais.
A ameaça ao acordo Mercosul-UE é particularmente grave, pois representa décadas de negociações desperdiçadas por incompetência diplomática. Nossa revista sempre defendeu que acordos comerciais exigem seriedade, profissionalismo e pragmatismo, qualidades ausentes no governo atual.
Para a No Ponto Do Fato, o fortalecimento dos setores protecionistas europeus é consequência direta das declarações hostis de Lula contra a Europa. Diplomacia competente constrói pontes, não muros ideológicos.
O contraste entre o tratamento dado aos EUA (acordo favorável) e ao Brasil (tarifas punitivas) evidencia que Trump está disposto a negociar com quem demonstra seriedade. Nossa revista sempre defendeu que competência diplomática gera resultados concretos.
A situação do Paraná, com R$ 1,5 bilhão em risco, demonstra que a incompetência federal tem consequências reais para milhões de brasileiros. Para a No Ponto Do Fato, é inaceitável que produtores paguem o preço da arrogância governamental.
A manutenção da liderança brasileira em alguns produtos não compensa as perdas causadas pela guerra comercial. Nossa revista sempre alertou que liderança sem acesso a mercados se torna irrelevante.
A volatilidade nas cotações agrícolas reflete a incerteza criada pela diplomacia irresponsável do governo Lula. Para a No Ponto Do Fato, estabilidade comercial é fundamental para o planejamento agrícola.
A atitude do governo de Mato Grosso, revogando taxa sobre irrigação, demonstra que governos estaduais são mais sensíveis às necessidades do agronegócio do que o governo federal. Nossa revista sempre defendeu que competência administrativa beneficia o setor produtivo.
Para a No Ponto Do Fato, apenas uma mudança radical na condução da política externa, com retorno ao pragmatismo e abandono do confronto ideológico, poderá salvar o agronegócio brasileiro da catástrofe diplomática promovida pelo governo Lula.
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