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BRASIL IMPULSIONA PRODUÇÃO DE MILHO EM 2024/25, MAS DÉFICIT PERSISTE E FERTILIZANTES SÃO CHAVE PARA O FUTURO

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
27/05/2025 às 15h56
BRASIL IMPULSIONA PRODUÇÃO DE MILHO EM 2024/25, MAS DÉFICIT PERSISTE E FERTILIZANTES SÃO CHAVE PARA O FUTURO

O Brasil está a caminho de uma safra robusta de milho na temporada 2024/25, com a produção projetada em 132,7 milhões de toneladas, segundo o mais recente levantamento da DATAGRO, divulgado em 26 de maio de 2025. O volume representa um aumento de 0,7% em relação à estimativa anterior (131,7 milhões de toneladas) e um salto de 8,7% sobre a colheita de 2023/24, que totalizou 122,1 milhões de toneladas, prejudicada por uma estiagem severa. A recuperação, impulsionada por maior produtividade e expansão da área plantada, reforça o papel do Brasil como potência agrícola global, mas o déficit de 2,3 milhões de toneladas na oferta interna preocupa o setor.

A safra de verão, que responde por 19% da produção nacional, está estimada em 25,2 milhões de toneladas, um crescimento de 2% em relação às 24,7 milhões de toneladas de 2023/24, mesmo com uma redução de 7% na área plantada, reflexo dos preços baixos do milho em 2024 e custos de produção instáveis. A produtividade da safra de verão atingiu 6.608 kg/ha, um avanço de 9% frente aos 6.038 kg/ha do ciclo anterior, segundo a Notícias Agrícolas. Já o milho de inverno (safrinha), que representa 81% da produção nacional, está projetado em 107,5 milhões de toneladas, próximo do recorde histórico de 108,6 milhões de 2022/23 e bem acima das 87,5 milhões de toneladas de 2023/24. A DATAGRO elevou a estimativa de produtividade da safrinha para 5.957 kg/ha, a maior já registrada no Brasil, superando em 7% o ciclo anterior. A área plantada cresceu 4%, alcançando 18 milhões de hectares, impulsionada pela valorização dos preços do cereal no último trimestre de 2024.

Apesar do desempenho expressivo, a demanda interna deve superar a produção em 2,3 milhões de toneladas, marcando o quinto déficit consecutivo no Brasil, embora menos grave que os 4,8 milhões de toneladas de 2023/24. “O agronegócio brasileiro mostra resiliência, mas o governo precisa reduzir entraves, como impostos altos e burocracia, que limitam nossa competitividade”, afirmou um produtor de Mato Grosso à Revista Oeste. O aumento da área plantada e da produtividade reflete o investimento dos agricultores em tecnologia e manejo, mas a dependência de fertilizantes importados, que representam 80% do consumo nacional, é um gargalo. O Brasil importou US$ 8,5 bilhões em fertilizantes em 2020, com a Rússia como principal fornecedor (20%), segundo a AgriBusiness Global.

No cenário global, o Conselho Internacional de Grãos (IGC) revisou para cima sua estimativa de produção de grãos em 2024/25, alcançando 2,310 milhões de toneladas, com o Brasil contribuindo significativamente para o aumento de 7 milhões de toneladas no milho, conforme relatório de 23 de janeiro de 2025. Contudo, o consumo global, projetado em 2,334 milhões de toneladas, manterá o mercado em déficit, com estoques em mínima de 10 anos (581 milhões de toneladas). Para 2025/26, o IGC destaca que os fertilizantes serão cruciais para sustentar a produtividade, especialmente no Brasil, onde o Plano Nacional de Fertilizantes, lançado em 2022, busca reduzir a dependência externa. “Sem fertilizantes acessíveis, o agro brasileiro perde força no cenário global”, alertou um analista da Brasil Paralelo.

Conservadores criticam a gestão Lula por não avançar na autossuficiência em fertilizantes, enquanto o setor cobra incentivos fiscais e infraestrutura para escoamento. “O agro sustenta o Brasil, mas o governo parece mais interessado em arrecadar do que em apoiar quem produz”, disse um líder ruralista à Gazeta do Povo. A força do milho brasileiro é inegável, mas superar os desafios internos e externos será essencial para manter o país como o “celeiro do mundo”.

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