
A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Porto Alegre anunciou que o pico de casos de dengue e influenza, que pressionou o sistema de saúde no início de 2025, foi superado. O secretário municipal, Fernando Ritter, afirmou que a curva de infecções, que atingiu seu auge em abril, mostra sinais de declínio, com redução de cerca de 30% nas notificações de dengue na última semana epidemiológica, segundo o Boletim das Arboviroses da SMS, mas também alertou que as emergências de hospitais como o Hospital de Clínicas (466,67% de ocupação) e a UPA Moacyr Scliar (411%) estão em colapso, com filas de espera que comprometem a qualidade do atendimento. A SMS recomenda que casos leves sejam tratados em unidades de saúde para preservar os hospitais para emergências graves.
Até 28 de abril, a capital registrou 6.380 casos confirmados de dengue e três óbitos, enquanto a influenza causou 526 hospitalizações no estado em 2024, com 43 mortes, conforme dados do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (Cevs).
Apesar da boa notícia, a SMS alerta que o risco de novos surtos permanece, especialmente com a proximidade do inverno, que favorece doenças respiratórias. A vacinação contra a dengue foi suspensa por falta de doses, e apenas 27,5% do público-alvo (crianças de 10 a 14 anos) recebeu a primeira dose, segundo a prefeitura. A campanha de imunização contra a influenza, que segue até 31 de maio, imunizou apenas 40% da população acima de seis meses, conforme a SES.
O sistema de saúde de Porto Alegre opera no limite, com hospitais e unidades de pronto-atendimento (UPAs) enfrentando superlotação devido à epidemia de dengue e ao aumento de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), como influenza e Covid-19. Dados da SMS mostram que Porto Alegre mantém 18 hospitais contratualizados pelo SUS, com 500 internações diárias, sendo 52% de pacientes de outros municípios, o que sobrecarrega o sistema local. Em 2024, a capital investiu R$ 439 milhões em ações emergenciais, fechando o ano com um déficit de R$ 430 milhões, e projeta gastar mais R$ 150 milhões em 2025. A situação levou a prefeitura a solicitar apoio imediato do governo estadual, mas a resposta tem sido lenta, segundo Fernando Ritter. Um sindicato local realizou vistorias em unidades de saúde e prepara um relatório para cobrar melhorias estruturais, apontando falhas como falta de leitos e equipamentos obsoletos.
O colapso é atribuído à má gestão de recursos públicos e ao subfinanciamento crônico do SUS. A dependência de medidas emergenciais, como a Operação Inverno 2025, que contratou 136 profissionais temporários, não resolve problemas estruturais. É necessária a descentralização da saúde, com mais autonomia para municípios, e a redução da burocracia para atrair investimentos privados. A população enfrenta filas e teme pela desassistência, e o poder público falha em não dar uma resposta à altura da gravidade da crise.