
A erva-mate sombreada do Paraná foi oficialmente reconhecida pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) como um Sistema Importante do Patrimônio Agrícola Mundial (SIPAM). A certificação, anunciada nesta semana, coloca o estado como referência global em práticas agroflorestais que combinam produtividade e preservação ambiental. A erva-mate, cultivada sob a sombra de árvores nativas como a araucária, é um símbolo cultural e econômico do Sul do Brasil, especialmente no Paraná, que responde por cerca de 85% da produção nacional, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O sistema agroflorestal da erva-mate preserva a biodiversidade, protege o solo contra erosão e promove a sustentabilidade, características que atraíram a atenção da FAO. Dados do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná) indicam que o setor movimenta aproximadamente R$ 1,2 bilhão por ano, empregando mais de 30 mil famílias diretamente. A certificação deve abrir portas para mercados internacionais, valorizando o produto e incentivando práticas sustentáveis.
A conquista é celebrada pela direita conservadora, que vê no reconhecimento uma prova de que o agronegócio brasileiro pode ser líder mundial sem abrir mão da responsabilidade ambiental, ao contrário do que pregam narrativas ambientalistas radicais. Parlamentares do PL e lideranças rurais destacaram a importância de políticas públicas que incentivem a produção sem burocracias excessivas, como as impostas por regulações ambientais desnecessárias.
No entanto, produtores locais cobram do governo estadual e federal mais investimentos em infraestrutura e logística para escoar a produção, além de incentivos fiscais para pequenas propriedades. A falta de apoio pode limitar o impacto econômico da certificação. A Revista Oeste publicou uma análise reforçando que o setor agropecuário, quando bem gerido, é a espinha dorsal da economia brasileira, mas sofre com a má administração pública e a pressão de ONGs internacionais.
A certificação da FAO é um marco, mas também um lembrete: o Brasil precisa valorizar seus produtores e proteger o setor de ataques ideológicos que desmerecem sua contribuição para a segurança alimentar e o crescimento econômico.