
O Brasil ultrapassou a trágica marca de 1.003 mortes por dengue em 2025, com 70% dos óbitos concentrados em São Paulo, segundo o Painel de Monitoramento de Arboviroses do Ministério da Saúde, atualizado até 20 de maio. O estado registrou 2,5 milhões de casos confirmados, um aumento de 30% em relação aos 2,119 milhões de casos de 2024, conforme a Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP). A capital paulista responde por 20% das mortes nacionais, com 201 óbitos, destacando-se como epicentro da crise. A epidemia, impulsionada pela reintrodução do sorotipo 3 (DENV-3), mais agressivo, expõe a falência das políticas públicas de combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) alerta que 80% dos criadouros do Aedes aegypti estão em residências, em objetos como vasos, pneus e caixas d’água destampadas. Apesar disso, ações de eliminação de focos são insuficientes. O governo federal, sob Lula, anunciou R$ 1,5 bilhão para o combate à dengue, incluindo a compra de 9,5 milhões de doses da vacina Qdenga, da Takeda, e a expansão do método Wolbachia para 40 cidades até o final de 2025, segundo a Agência Brasil. No entanto, apenas 20% do orçamento foi executado até abril, conforme o Portal da Transparência, e a distribuição da vacina, restrita a crianças de 10 a 14 anos, atinge apenas 10,65% do público-alvo em São Paulo. O método Wolbachia, que reduz a transmissão do vírus ao infectar mosquitos com uma bactéria, ainda é limitado a 3% dos municípios brasileiros, de acordo com o Ministério da Saúde.
O fenômeno El Niño, que elevou temperaturas e chuvas, criou condições ideais para a proliferação do mosquito, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS). O Brasil responde por 87% dos 477.599 casos suspeitos nas Américas em 2025, consolidando-se como epicentro global da dengue. O sorotipo 3, que não circulava amplamente desde 2007, é responsável por 84% dos casos em São Paulo, aumentando a gravidade, especialmente entre idosos e pessoas com comorbidades, conforme o Centro de Controle de Doenças (CDC). A falta de saneamento básico, que atinge apenas 55% dos domicílios brasileiros, segundo o IBGE, agrava o cenário, permitindo a formação de criadouros em áreas urbanas.
Críticos apontam que o governo federal desvia recursos para programas eleitoreiros, como o Bolsa Família, enquanto o SUS enfrenta cortes de R$ 18,6 bilhões no orçamento de 2025. Em São Paulo, a campanha de vacinação, iniciada em 2023, patina: apenas 391 dos 645 municípios paulistas receberam a Qdenga, devido à limitação de faixa etária imposta pelo Ministério da Saúde. O Instituto Butantan começou a produzir sua própria vacina, com 1 milhão de doses previstas para 2025, mas a aprovação pela Anvisa ainda não ocorreu, atrasando a imunização em massa.
A epidemia, que poderia ser controlada com saneamento, fiscalização e campanhas eficazes, reflete a inépcia de um governo federal mais preocupado com narrativas climáticas do que com ações práticas. A sociedade rejeita a propaganda oficial que culpa o El Niño, exigindo responsabilidade e um plano robusto para salvar vidas, em vez de promessas vazias que deixam o Brasil refém do Aedes aegypti.