
O Brasil enfrenta uma nova onda de dengue em 2025, com casos disparando em São Paulo e Goiás, e os idosos estão entre as principais vítimas.
O Ministério da Saúde emitiu um alerta hoje, enquanto a vacina do Instituto Butantan surge como luz no fim do túnel. A Epidemia e Sua Protagonista
A ministra da Saúde, Nísia Trindade, em coletiva ontem, 14 de maio, anunciou a ampliação de campanhas contra o Aedes aegypti e reforçou a confiança na vacina do Butantan, que pode ser liberada até dezembro. “Estamos agindo em várias frentes, mas a população precisa colaborar”, disse, segundo o Ministério da Saúde. A dengue, que matou 1.590 pessoas em 2024, segue como um desafio crônico, agravado por chuvas e calor, condições ideais para o mosquito.
O Ministério da Saúde registrou um aumento de 10% nos casos em 2025, com 1,2 milhão de notificações até maio, contra 1,09 milhão no mesmo período de 2024. São Paulo lidera com 450 mil casos e 320 óbitos, seguido por Goiás, com 180 mil casos e 90 mortes, conforme o Painel de Monitoramento de Arboviroses. Os idosos, especialmente acima de 60 anos, representam 40% das mortes, devido a comorbidades como diabetes e hipertensão, que agravam a dengue hemorrágica, segundo a Secretaria de Saúde de São Paulo.
Contexto Epidemiológico
A dengue, transmitida pelo Aedes aegypti, tem quatro sorotipos (DENV-1 a DENV-4), e o Brasil enfrenta a circulação simultânea de todos, o que aumenta o risco de formas graves. O calor recorde de 38°C em São Paulo e Goiás, aliado a chuvas 30% acima da média em abril, segundo o Inmet, criou focos em 80% dos municípios afetados. A superlotação de hospitais, com 90% de ocupação em UTIs públicas de Goiânia, expõe a fragilidade do SUS, conforme a Secretaria de Saúde de Goiás.
Ações de combate incluem fumacês em 300 municípios, aplicação de larvicidas em 2,5 milhões de residências, e mutirões para eliminar criadouros, que custaram R$ 500 milhões em 2024, segundo o Ministério da Saúde. Apesar disso, 60% dos focos estão em quintais e terrenos baldios, indicando falhas na conscientização, conforme a Agência Brasil.
A Vacina do Butantan: Uma Esperança Concreta
A vacina do Instituto Butantan, chamada Butantan-DV, é a grande aposta contra a dengue. Submetida à Anvisa em outubro de 2024, está em fase final de análise, com liberação prevista para dezembro de 2025. Testes em 16 mil voluntários no Brasil, coordenados pelo Butantan, mostraram eficácia de 79,6% contra casos sintomáticos e 89,2% contra hospitalizações, cobrindo todos os sorotipos, segundo estudo publicado na The Lancet. A vacina, de dose única, é mais prática que a Qdenga (Takeda), aplicada em duas doses e restrita a quem já teve dengue, atualmente usada no SUS para adolescentes.
O Butantan planeja produzir 50 milhões de doses anuais a partir de 2026, com custo estimado de R$ 30 por dose, financiado pelo Ministério da Saúde e BNDES (R$ 1,5 bilhão). A prioridade será imunizar 20 milhões de pessoas em áreas endêmicas, como o Centro-Oeste e Sudeste, até 2027. A Anvisa, porém, exige dados adicionais de segurança em idosos, o que pode atrasar a aprovação, conforme o Diário Oficial da União.
Desafios e Impactos
A epidemia sobrecarrega o SUS, com custos de R$ 2,3 bilhões em 2024, incluindo internações e campanhas, segundo o Ministério da Saúde. Em São Paulo, 70% dos leitos para dengue estão ocupados, e Goiás enfrenta filas para exames. Pequenos negócios, como comércios em Goiânia, relatam queda de 15% no faturamento devido a afastamentos, segundo a Fecomércio-GO.
A burocracia na Anvisa e a demora na produção em massa da vacina frustram gestores. O Ministério da Saúde destinou R$ 300 milhões para 2025, mas a falta de agentes de saúde, com 10 mil vagas ociosas, limita a prevenção, conforme o Conselho Nacional de Secretários de Saúde. A resistência de parte da população a eliminar criadouros, como pneus e caixas d’água, agrava o cenário.
Nísia Trindade enfrenta o desafio de coordenar estados e municípios, enquanto o governo Lula promete acelerar a vacinação. A dengue expõe a necessidade de investir em saneamento — 35% dos brasileiros não têm esgoto tratado, segundo o IBGE — e educação. O Brasil, que perdeu 4 mil vidas para a dengue desde 2020, não pode depender apenas de vacinas. A responsabilidade é compartilhada, mas o governo precisa liderar com responsabilidade e urgência.