
Nesta quinta-feira, 15 de maio de 2025, a Favela do Moinho, no centro de São Paulo, virou palco de tensão. Uma operação da prefeitura demoliu 50 casas, desencadeando protestos de moradores e reacendendo o debate sobre a crise habitacional. Na No Ponto Do Fato, trazemos os fatos com números oficiais, defendendo ordem e soluções práticas, sem romantizar o caos urbano.
O prefeito Ricardo Nunes (MDB) é o protagonista da ação. Em nota, a Secretaria Municipal de Habitação afirmou que a operação, iniciada às 6h, visava desocupar áreas de risco e combater construções irregulares, que cresceram 30% na favela desde 2020. O Corpo de Bombeiros, que apoiou a ação, relatou que as casas demolidas, localizadas sob um viaduto na região da Barra Funda, apresentavam risco de desabamento, com 80% sem estrutura adequada, conforme laudo técnico de 2024. A Polícia Militar, com 200 agentes, acompanhou a retirada de 120 famílias, mas enfrentou resistência, com pneus queimados e barricadas, segundo boletim da PM.
A prefeitura notificou os moradores em 10 de abril, oferecendo transferência para abrigos temporários, mas apenas 20% aceitaram, conforme a Secretaria de Assistência Social. Moradores denunciaram falta de diálogo, alegando remoções forçadas e perda de pertences. A operação, que usou 10 retroescavadeiras, custou R$ 500 mil, segundo a Secretaria Municipal de Habitação, e é parte do programa “São Paulo Mais Segura”, lançado por Nunes em 2023.
A Favela do Moinho, com cerca de 2 mil moradores, ocupa uma área de 10 mil m² próxima à Estação Júlio Prestes, segundo a Secretaria Municipal de Planejamento Urbano. Historicamente marcada por conflitos fundiários, a comunidade sofreu incêndios em 2011 e 2019, que destruíram 300 casas, e enfrenta ocupações irregulares em terrenos privados e públicos. A prefeitura estima que 60% das construções são ilegais, muitas ligadas a facções criminosas, conforme a Secretaria de Segurança Pública. A proximidade com o centro e a valorização imobiliária, com terrenos na região custando R$ 15 mil/m², intensificam a pressão por urbanização.
O programa de Nunes prevê realocar 500 famílias até 2026, com R$ 200 milhões do Minha Casa, Minha Vida, mas apenas 100 unidades foram entregues desde 2023, segundo a Secretaria de Habitação. A oferta de bolsa-aluguel de R$ 400 mensais foi rejeitada por 70% dos moradores, que exigem moradia definitiva.
As demolições afetaram 300 pessoas, incluindo 80 crianças, que perderam acesso a escolas próximas, segundo a Secretaria Municipal de Educação. A operação gerou 10 feridos leves, entre moradores e policiais, e 5 prisões por resistência, conforme a PM. ONGs criticaram a ação, mas a prefeitura argumenta que áreas de risco, com 90% de chance de colapso em chuvas, justificam a intervenção, segundo laudo da Defesa Civil.
Nas redes sociais, há apoio à ordem urbana, mas críticas à falta de alternativas habitacionais. A oposição, liderada por vereadores do PT, acusa Nunes de priorizar interesses imobiliários, enquanto aliados, como o PSD, defendem a segurança pública. O custo social é alto: sem moradia, famílias enfrentam abrigos lotados, com 85% de ocupação, segundo a Agência Brasil.
São Paulo, com 1,2 milhão de pessoas em favelas (IBGE, 2024), precisa de soluções. A crise habitacional, que consome R$ 1 bilhão anuais do orçamento municipal, exige parcerias público-privadas e agilidade. Nunes tem a chance de liderar, mas precisa entregar mais que promessas.