Quinta, 20 de Agosto de 2026
17°C 32°C
São Paulo, SP

CRISE SILENCIOSA NO DARIÉN

A TRAVESSIA ESQUECIDA QUE LIGA COLÔMBIA, PANAMÁ E ALÉM

Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
27/03/2025 às 13h11
CRISE SILENCIOSA NO DARIÉN

Entre a Colômbia e o Panamá, a selva de Darién é um corredor perigoso que milhares de migrantes cruzam todos os anos. Apesar dos números impressionantes, a crise humanitária na região não ganha os holofotes que merece. Relatórios da Human Rights Watch (HRW) mostram que, em 2023, mais de 520 mil pessoas enfrentaram o terreno hostil de 575 mil hectares, o dobro do registrado em 2022. Até outubro de 2024, o Serviço Nacional de Migração do Panamá contou 400 mil travessias, e a Organização Internacional para as Migrações (OIM) prevê que 2025 pode bater novos recordes.

A travessia é marcada por riscos reais: rios traiçoeiros, animais selvagens e grupos criminosos como o Clã do Golfo, que exploram os migrantes, segundo a HRW. A Médicos Sem Fronteiras (MSF) alerta para a falta de ajuda suficiente, com casos de violência sexual — 16 por dia em média em fevereiro de 2024 — e mortes que muitas vezes não entram nas estatísticas. Mesmo assim, a cobertura global fica aquém, ofuscada por crises como a do Mediterrâneo, conforme apontou a BBC em agosto de 2023.

Quem atravessa e por quê?

O perfil dos migrantes é variado. Venezuelanos lideram, com 60% do total em 2023, de acordo com a OIM, seguidos por haitianos, equatorianos e até pessoas da China e do Afeganistão. Crianças são 20% do grupo, muitas sozinhas, enfrentando doenças e abusos, conforme dados da UNICEF. Em 2024, até meados do ano, 80 mil menores cruzaram a selva, 33% a mais que no mesmo período de 2023. Entre os haitianos, destaca-se um grupo que viveu no Brasil e no Chile após o terremoto de 2010 no Haiti. A crise econômica os empurrou rumo aos Estados Unidos, levando-os ao Darién.

Impactos locais e o caso dos filhos brasileiros

Nas aldeias do Darién, como as dos indígenas Emberá-Wounaan, a chegada constante de migrantes pressiona recursos e traz tensões com grupos armados, relata a HRW. O Panamá adota uma política de "fluxo controlado", enviando os migrantes à Costa Rica rapidamente, mas a Colômbia pouco atua na origem do problema. Enquanto isso, haitianos com filhos nascidos no Brasil — mais de 15,7 mil menores desde 2020, segundo a Folha de S.Paulo — seguem em busca de asilo nos EUA. Muitos ficam presos no México, em cidades como Tapachula, onde o ACNUR registra dezenas de milhares em condições difíceis. Em 2025, deportações mais rápidas nos EUA, noticiadas recentemente, complicam ainda mais a situação.

Por que o silêncio?

Três fatores explicam a pouca visibilidade, segundo especialistas. Primeiro, a selva é isolada, dificultando o trabalho de jornalistas e ONGs — a MSF, por exemplo, teve operações suspensas no Panamá em 2024. Segundo, a atenção mundial se volta a conflitos mais midiáticos, como na Ucrânia, diz a BBC. Terceiro, falta coordenação entre países, apesar de apelos como o do Papa Francisco, que chamou o Darién de "tragédia humanitária" em 2023, registrados pela OIM e pelo ACNUR.

A selva de Darién segue como um grito abafado. Sem rotas seguras ou mais ajuda, o problema cresce, conectando Colômbia, Panamá, México e além. Os números estão aí, mas as manchetes ainda não.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
São Paulo, SP
23°
Tempo nublado
Mín. 17° Máx. 32°
22° Sensação
2.57 km/h Vento
43% Umidade
0% (0mm) Chance chuva
06h28 Nascer do sol
17h51 Pôr do sol
Sexta
25° 15°
Sábado
19° 14°
Domingo
20° 14°
Segunda
14° 13°
Terça
18° 13°
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Economia
Dólar
R$ 5,19 +0,00%
Euro
R$ 6,07 +0,04%
Peso Argentino
R$ 0,00 +0,00%
Bitcoin
R$ 411,469,83 +2,80%
Ibovespa
167,927,16 pts 0.06%
Publicidade
Publicidade
Publicidade