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GIORGIA MELONI - UMA DONNA COMO CAPO

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16/12/2024 às 22h12 Atualizada em 16/07/2025 às 18h02
GIORGIA MELONI - UMA DONNA COMO CAPO

O INICIO - A PREVISĀO 

Eram dias da primavera de 2018 quando eu fazia entrevistas pelas ruas da charmosa Lucca, na Toscana, terra natal do famoso compositor de Ópera Giacomo Puccini,do pintor ítalo-brasileiro Alfredo Volpi e também de Elisa Bonaparte, irmā de Napoleāo Bonaparte. Me recordo ter escolhido a histórica mura, uma das poucas ainda intactas na Italia, onde cidadãos locais e turistas do mundo inteiro passeiam de bicicleta, pedalinhos ou à pé com seus animais de estimaçāo, para abordar meus entrevistados e fazer perguntas a cerca de uma donna italiana que me chamava atenção pelo discurso contundente em defesa de valores conservadores e tradicionais.

Essa donna (senhora em Italiano) chamava-se Giorgia Meloni e o seu partido, Fratelli d’Italia, na época possuía não mais do que 5% das intençōes de voto. A Italia era governada por uma coalizāo que qualquer analista politico de trattoria poderia constatar que não iria muito longe, já que era formada por Matteo Salvini da Lega e o recém criado Movimento Cinque Stelle, liderado por Peppe Grillo e representado por Luigi Di Maio, ou seja, um partido de centro direita governando com um partido de extrema esquerda. Era obvio que isso nao duraria muito, e não durou.

Salvini era amigo pessoal de Eduardo Bolsonaro e responsável por receber no aeroporto o comunista radical assassino Cesare Batisti que esteve foragido no Brasil durante o primeiro regime Lula e que teve como advogado, em sua defesa, o hoje Ministro da Suprema Corte, Luis Roberto Barroso. O partido  LEGA, portanto, contava com a simpatia da comunidade italo-brasileira e com o voto da ampla maioria dos eleitores de direita italianos deixando de ser um partido regional do Norte da Italia e passando a se extender para todo o resto da península.  

A análise que eu fazia naquele momento era de que a ânsia de chegar ao poder na primeira oportunidade, levou Mateo Salvini a aceitar formar uma coalizão com os radicais socialistas do Movimento Cinque Stelle, fazendo com que as intençōes de votos no partido LEGA simplesmente desmoronassem logo que aquele frágil governo acabasse. A seguinte pergunta era , para onde esses votos irāo migrar? A resposta para mim era clara, Giorgia Meloni.

Após entrevistar aproximadamente 20 pessoas em quase 3 horas de trabalho, não encontrei nenhum cidadão que concordasse com minha afirmaçāo de que a Giorgia Meloni seria a Presidente do conselho de ministros do país. Alguns não sabiam de quem se tratava, outros diziam que ela estava fadada a ser para a vida toda uma figura inexpressiva na politica italiana, e teve quem desse risada de minhas perguntas e também duas senhoras, que afirmaram que não estariam vivas para ver uma mulher como capo (chefe) de estado.

Pouco mais de quatro anos, no outono de 2022, precisamente no dia 22 de outubro, Giorgia Meloni assumiria como a primeira mulher eleita ao cargo de Presidente do Conselho de Ministros, a República Italiana. Havia agora uma donna como capo de estado.

 

A DIREITA DESCOBRE QUE MELONI NAO É UMA DAMA DE FERRO

Costumo repetir que grandes expectativas, que não correspondem a realidade dos fatos, invariavelmente nos levam à grandes desapontamentos.

Completados 2 anos de governo, Meloni e seu partido ainda contam com alto índice de aprovação e tudo indica que ela ainda deve se manter no cargo por um bom tempo, no entanto,  muitos eleitores de direita estāo descontentes ou até mesmo desiludidos com a gestāo da Primeira Ministra. Embora seja importante salientar que na Italia até mesmo aqueles que se classificam como 'direita', possuem altos indices de pensamentos de esquerda, defendendo um estado grande, intervencionista na economia e no modo de vida do cidadāo ou apoiam o desarmamento, à final de contas, estamos na terra do filósofo comunista sardo, Antonio Gramsci, considerado por muitos o pai do marxismo cultural. As escolas controladas pelo estado e aparelhada por discípulos de Gramsci são responsáveis pela formaçāo acadêmica e porque não dizer, também, politica de 95% dos Italianos.

Algumas promessas feitas durante a campanha não foram cumpridas e alguns analistas politicos, e me incluo entre eles, alertaram que não seriam, mas a grande massa de eleitores e a maioria de 'jovens cientistas politicos' alinhados com a direita, seja conservadora, libertária ou soberanista, por empolgaçāo ou inexperiência, não levaram esses alertas em conta. O fato de terem ignorado esses avisos os deixaram decepcionados e, repito, grandes expectativas que não correspondem à realidade, levam invariavelmente à grandes decepçōes.

Entre as promessas não cumpridas que mais deixam insatisfeitos os eleitores de direita estāo o fato da Meloni não combater o continentalismo do governo de Bruxellas liderado por Ursula Von Der Leyen, e lutar com mais afinco pela soberania Italiana e não articular para que sejam realizados dois plebiscitos considerados fundamentais, o que ela própria sempre defendeu durante sua carreira de deputada no parlamento Romano. São os plebiscitos que permitem que o povo Italiano escolha entre o atual modelo de governo ou o Presidencialismo direto, como ocorre nos USA e no Brasil, por exemplo, e também o referendum sobre a permanência ou não da Itália na União Europeia. Vale lembrar que ao contrário de cidadãos de diversos países da Europa, o cidadão italiano não teve o direito de decidir sobre a entrada na União Europeia. Muitos entendem que isso feriu a constituição e reivindicam, até hoje, que o povo aprove a permanência ou decida pela saída, como fizeram os Britânicos em 2016. 

O apoio da Giorgia Meloni à diversas pautas da agenda 2030, principalmente seu alinhamento com o radicalismo ambiental globalista e seu apoio incondicional à Zelensky, enviando recursos financeiros e militares para a Ucrânia, bem como o fato de receber com pompas de chefe de estado a autoridade palestina em solo Italiano, sāo também motivos de criticas e insatisfações.

Em relaçāo a enorme comunidade Italo-Brasileira, a Primeira Ministra sofre criticas devido a escolha de seu vice primeiro ministro, Antonio Tajani, que propõe uma alteração na lei atual constitucional sobre cidadania que passaria a dificultar a obtenção dessa para filhos de italianos nascidos no exterior e a facilitar a obtençāo da cidadania para filhos de casais imigrantes nascidos em território italiano. Essas alteraçōes, embora criticadas publicamente por Giorgia Meloni e Matteo Salvini, por causa do eminente efeito de islamizaçāo que essa mudança acarretaria, irão a votação e conta com o apoio explicito do ministro do governo Meloni.

Em seu favor, a Presidente do Conselho de Ministros tem os indicativos econômicos, crescimento do PIB,  diminuiçāo do desemprego, reduções de impostos, politica de combate à imigraçāo descontrolada e ao tráfico humano, que é eficaz, embora algumas dessas medidas tenham sofrido revés devido à um sistema jurídico aparelhado pela esquerda marxista. Outros fatos positivos que merecem destaques são as medidas para incentivo ao aumento da natalidade por parte de casais italianos, combate às mafias e sua proximidade com Elon Musk e Donald Trump.

                                                                     

 

Oscar Berbert direto do Veneto na Italia
Jornalista Independente Especialista em Politica Internacional , Geopolitica e um dos fundadores do canal Guerra da Informaçāo

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