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QUEM SUSTENTA A DITADURA?

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Por: Luiz Philippe de Orleans e Bragança
13/11/2024 às 16h20 Atualizada em 13/11/2024 às 22h09
QUEM SUSTENTA A DITADURA?

Enquanto o cenário de caos institucional brasileiro se consagra internacionalmente, seja pela imprensa, pelas redes sociais mundiais ou pelas autoridades estrangeiras, uma parcela do Congresso, que é maioria, o chamado “centrão”, continua totalmente alheia aos abusos do Judiciário e às consequências mundiais das posturas diplomáticas do Brasil. Adeptos do “toma-la-dá-cá”, tudo está bom quando há quem os compre.

No entanto, a situação está prestes a mudar. Quando a opinião pública chega quase à unanimidade, a crise bate à porta dos parlamentares. Ativistas internacionais já apontaram o culpado pela omissão e a cumplicidade com os planos ditatoriais do Governo e do Poder Judiciário: o Centrão.

Sabemos que é difícil para um cidadão estrangeiro entender a nossa expressão “tudo acaba em pizza”, porque diferentemente de muitos países, aqui não há interesse de mudança nenhuma. O sistema vai trabalhar para se proteger até o último momento, porque como ele não lidera nada, apenas reage, rejeita quaisquer reformas estruturantes.

E não adianta pedir impeachment, fazer pequenos ajustes na constituição ou garantir mais privilégios para o legislativo para se defender das interferências do Poder Judiciário. Isoladamente, essas medidas são inócuas porque os demais juízes podem agir no mesmo grau e com a mesma autoridade. O ideal para esse sistema, portanto, é protelar qualquer mudança e que toda a movimentação “termine em pizza”, sem nenhuma reforma.

Este cenário se resolveria com uma ampla Reforma do Judiciário, que está compilada e fundamentada em uma Proposta de Emenda Constitucional de minha autoria, e conta atualmente com cerca de 80 assinaturas de deputados federais. Dentre os itens estão: Transformar o STF em corte constitucional, instituir mandatos de 10 anos para ministros do STF e outros tribunais especiais, bem como como idade mínima de 50 anos para o STF, e 45 para o STJ. Todos os indicados devem, necessariamente, ser magistrados.

A proposta também visa criar a Autoridade Nacional Eleitoral, órgão auxiliar do Congresso Nacional, para organizar e administrar o processo eleitoral. Essas e outras medidas para garantir o processo democrático e afastar o fantasma da ditadura estarão acessíveis para conhecimento geral assim que tivermos as assinaturas necessárias dos parlamentares, que são 171.

Por muito tempo o Centrão passou despercebido do eleitor, em uma posição muito confortável,  mas a opinião internacional de que os deputados desse segmento estão defendendo a ditadura fez muitos parlamentares sentirem a pressão das cobranças e se moverem para mudar sua imagem. Mais que pressão, eles precisam sentir o calor da opinião pública. É o incentivo necessário para implantarmos reformas profundas no sistema.

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Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Luiz Philippe de Orleans e Bragança
Luiz Philippe de Orleans e Bragança está em seu segundo mandato como deputado federal (PL/SP), com mais de 500 propostas apresentadas com foco em reformas no sistema político, tributário e judiciário, defesa nacional, patrimônio histórico e relações exteriores. É presidente da Frente Parlamentar pelo Livre Mercado.
Graduado em Administração de Empresas pela FAAP/SP e mestre em Ciências Políticas pela Stanford University. Trabalhou no banco JP Morgan, em Londres; e depois no Lázard Freres, em Nova Iorque. Retornou ao Brasil como diretor de desenvolvimento de negócios da America Online (AOL) na América Latina.
Fundou em 2014 o movimento Acorda Brasil e é autor de livros sobre política, constituição e História do Brasil.
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