- Em pleno ano eleitoral, a revisão metodológica para computar o mercado ilícito vira um conveniente atalho estatístico para inflar a riqueza nacional enquanto a indústria, o agronegócio e o comércio enfrentam dificuldades reais.
A Mágica dos Números em Ano Eleitoral
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) prepara a inclusão do mercado de drogas ilícitas no cálculo do Produto Interno Bruto (PIB) do país. A justificativa oficial para a mudança apoia-se em diretrizes internacionais do Sistema de Contas Nacionais da Organização das Nações Unidas (ONU) e em práticas já adotadas por países europeus. No entanto, a aplicação dessa alteração metodológica justamente em um período eleitoral levanta sérios questionamentos sobre a real intenção por trás do anúncio.
Se a recomendação das Nações Unidas existe há anos, por que a urgência em implementá-la exatamente agora? A resposta reside na necessidade política de criar um "milagre econômico" artificial no papel, mascarando a desaceleração da economia real com a contabilidade do crime organizado.
A Farsa do "Crescimento": O Narco-PIB vs. a Economia Real
A inclusão de atividades criminosas no cálculo da riqueza nacional produz uma distorção perversa. O PIB, que deveria mensurar o valor adicionado por bens e serviços legítimos decorrentes da produção industrial, da produtividade do agronegócio, do comércio e dos serviços, passa a ser inflado por transações ilícitas que destroem a sociedade:
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Desconexão com o Setor Produtivo: Enquanto a indústria nacional registra o pior desempenho para o mês de agosto dos últimos 11 anos e o agronegócio enfrenta um calote histórico de R$ 48 bilhões, o indicador oficial ganhará um "impulso" vindo diretamente do narcotráfico.
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Sustentabilidade Zero: O dinheiro do crime não gera empregos formais, não recolhe impostos para investimento público real, não atrai capital produtivo estrangeiro e não promove ganho de produtividade. Pelo contrário, encarece os custos com segurança pública e privada para todas as empresas do país.
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Aparência de Saúde Financeira: Ao inflar o valor nominal do PIB, o governo consegue diluir artificialmente a relação Dívida/PIB, fazendo parecer que a trajetória do endividamento público está menos grave do que realmente é.
O "Disfarce" Institucional e a Perda de Credibilidade
A constante manipulação ou "maquiagem" de narrativas econômicas enfraquece a credibilidade dos indicadores nacionais perante investidores internacionais e agências de risco. Países desenvolvidos podem até computar mercados informais ou ilícitos em suas estatísticas por terem economias altamente diversificadas e instituições sólidas, mas usar essa manobra no Brasil — no momento em que os motores legítimos da economia patinam sob o peso de juros altos, inflação de insumos e insegurança jurídica — soa como mero artifício de contabilidade criativa.
Trocar a régua não faz o prédio crescer. Tentar disfarçar o fraco desempenho da produção, do comércio e do agro somando os bilhões do tráfico de drogas ao PIB não trará prosperidade ao cidadão e nem investimentos ao setor produtivo; apenas escancara a disposição da burocracia estatal em usar a "perfumaria" estatística para esconder a ruína da gestão econômica.