
O Brasil amanhece nesta terça-feira, 11 de agosto de 2026, com o frio teimoso no Sul, a política esquentando em todos os estados e a economia andando no fio da navalha. Vamos ao resumo do dia, região por região, de forma direta e com o olhar crítico que a situação pede.
Norte
No Acre, as buscas continuam por uma criança desaparecida no Rio Juruá. Em Manaus e outras cidades, o terremoto da Colômbia foi sentido. Tempo com pancadas de chuva em áreas do Amazonas e Pará, enquanto o interior seca. A logística precária segue sendo um dos grandes obstáculos da região, especialmente para o escoamento da produção.
Nordeste
Chuva fraca no litoral e interior seco, com umidade baixa. Em vários estados a disputa para governador está acirrada. Na Bahia, ACM Neto e o atual governador Jerônimo Rodrigues estão praticamente empatados. No Ceará, Ciro Gomes lidera com folga. A região segue seu ritmo, enquanto o resto do país discute se o dinheiro público vai parar em obra ou em mais uma rodada de bondades eleitorais.
Sul
O frio não quer ir embora. Possibilidade de geada no Rio Grande do Sul, temperaturas baixas em Porto Alegre e Curitiba, e chuva voltando com força em Santa Catarina e no RS. Nas pesquisas para governador, a direita aparece bem posicionada em Santa Catarina e no Paraná, enquanto no Rio Grande do Sul a disputa segue aberta.
Sudeste
São Paulo com máxima de apenas 15 graus e garoa. No estado mais importante do país, Tarcísio de Freitas lidera com folga a disputa pelo governo: mais de 50% das intenções de voto contra pouco mais de 33% de Fernando Haddad. No Rio de Janeiro, Eduardo Paes aparece na frente. Em Minas Gerais a briga está mais fragmentada. O debate entre Tarcísio e Haddad ainda ecoa, com farpas sobre privatizações, segurança e o peso do governo federal nas contas dos estados.
Centro-Oeste
Baixa umidade, alerta de perigo em Goiás, Mato Grosso e Tocantins, com o ar seco batendo recordes e risco de incêndios. Em Goiás, alerta de vendaval em várias cidades. O agro da região, que costuma ser o motor do país, começou o ano com retração no PIB do setor. O Centro-Oeste segue quente e seco, refletindo a falta de folga que também marca a situação fiscal do país.
Internacionais
A Colômbia enfrenta as consequências de um terremoto de magnitude 7,4 que deixou mais de 130 mortos, centenas de feridos e prédios destruídos em Cali, Pereira e Manizales. O novo presidente decretou estado de emergência. Na Síria, Bashar al-Assad foi condenado à morte à revelia por crimes contra a humanidade. Nos Estados Unidos, Trump continua na disputa com o Irã pelo Estreito de Ormuz e deixou a Turquia em um voo secreto após ameaça. O petróleo sobe e o dólar oscila.
Destaques do dia – economia, eleições e o restante
A corrida presidencial permanece apertada. Lula e Flávio Bolsonaro seguem próximos nas pesquisas, com o petista ainda na frente, mas a distância encolhendo. Michelle e Flávio gravam propaganda juntos hoje, primeiro encontro depois da crise familiar. Lula eleva o tom contra as emendas e Flávio volta a criticar o STF.
O que realmente pesa, no entanto, é a economia. O Boletim Focus mostrou que o mercado reduziu novamente as projeções: inflação de 2026 em torno de 5,02% e PIB crescendo magros 1,98%. A Selic está em 14% e a expectativa é de mais um corte pequeno até o fim do ano. O Banco Central voltou a alertar, na ata do Copom, que a falta de disciplina fiscal do governo eleva o risco da dívida e torna o juro mais caro. A dívida pública já caminha para patamares preocupantes, acima de 80% do PIB. O agro, que sempre puxou o carro, começou o ano com retração de 2% no seu PIB. Exportações de commodities ainda seguram a balança, mas o setor sente o peso dos custos e da incerteza.
Na infraestrutura e educação, o governo anuncia obras e conectividade em escolas, mas os números mostram que ainda faltam bilhões para universalizar internet de qualidade e escolas em tempo integral. Cultura segue no ritmo de sempre: mais projetos autorizados a captar via Lei Rouanet, enquanto a população discute se o dinheiro público está indo para o lugar certo.
Em resumo: o país gasta mais do que arrecada, a dívida sobe, o agro desacelera, as famílias continuam endividadas e as eleições estaduais já desenham um mapa bem diferente do que o Planalto gostaria. O desgoverno entrega números e o eleitor, aos poucos, começa a fazer as contas.