
O governo federal alcançou em 2025 a maior arrecadação da história recente: R$ 2,4 trilhões até outubro, com projeção de R$ 2,7 trilhões até dezembro, alta real de 3,2% em relação a 2024. Outubro sozinho registrou R$ 261,9 bilhões – recorde para o mês desde o início da série em 1995. Os principais responsáveis foram a tributação de offshores, o imposto sobre apostas online (crescimento de 10.000% em um ano) e o aumento da receita com IR sobre aplicações financeiras.
Apesar do volume histórico, as contas públicas seguem no vermelho. O déficit primário estimado para 2025 é de R$ 34,3 bilhões (0,25% do PIB), dentro da banda de tolerância do arcabouço fiscal, mas a dívida bruta subiu para 79,6% do PIB e a Selic permanece em 12,25% para conter a inflação que ainda ronda 4,5% no acumulado de 12 meses.
As despesas primárias cresceram 4,5% acima da inflação, atingindo 18,9% do PIB. Emendas parlamentares, pagamento de precatórios e manutenção de estatais deficitárias (Correios lideram o ranking de prejuízo) explicam boa parte da expansão. O Ministério da Fazenda contingenciou R$ 3,3 bilhões para 2025, mas analistas do mercado projetam déficit primário entre R$ 70 e R$ 96 bilhões em 2026 caso não haja cortes estruturais.
Para 2025, o PIB deve crescer apenas 2%, segundo o Boletim Focus, contra 3% em 2024. A carga tributária alcançou 32,32% do PIB – maior nível em 15 anos. Economistas apontam que, sem revisão do gasto obrigatório (salário mínimo, benefícios previdenciários e vinculações constitucionais), o espaço fiscal continuará encolhendo, mesmo com receita em alta.
O governo defende que o arcabouço fiscal está sendo cumprido e que o aumento de arrecadação reflete recuperação econômica. Críticos, porém, lembram que o mesmo modelo já permitiu furos de R$ 300 bilhões em dois anos e mantém a trajetória de endividamento ascendente.