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PRISÃO DE BOLSONARO É PAGAMENTO DE DÍVIDA?

Somente algo muito forte explicaria tamanha perseguição a tudo e todos

Walter Biancardine
Por: Walter Biancardine
02/09/2025 às 16h24
PRISÃO DE BOLSONARO É PAGAMENTO DE DÍVIDA?

O julgamento de Jair Bolsonaro, iniciado hoje, é um jogo de cartas marcadas: todos já sabemos o resultado e até a extensão da sentença, que certamente será maior que 35 anos de prisão. O que nem tantas pessoas acompanharam – ofuscado pela agonia pública do maior líder de massas do Brasil – foi a sessão da CPMI – Comissão Parlamentar Mista de Inquérito – que se desenrolava no mesmo instante e que deu voz ao depoimento de Eduardo Tagliaferro, assessor direto do Ministro Alexandre de Moraes e cujas palavras, acompanhadas de provas materiais, não deixaram pedra sobre pedra.

Tal foi a gravidade dos fatos que a sessão foi interrompida para que, munidos das provas fornecidas por Tagliaferro, a Relatoria da Comissão pudesse consultar seu corpo jurídico para apresentar um imediato pedido de cancelamento do julgamento de Jair Bolsonaro e, eventualmente, um pedido de prisão contra Alexandre de Moraes – sem prejuízo dos inúmeros pedidos de impeachment já protocolados contra ele.

Em um rápido resumo Moraes não seguiu, em tempo algum e desde antes das eleições de 2022, nenhum rito processual; os alvos de investigação eram escolhidos por ele, as provas eram exigidas de seus auxiliares (vide o famoso “use sua criatividade”) e nunca recebidas do Ministério Público, compondo assim um quadro onde um Ministro do STF abria processos – que não é função deste órgão – investigava, “arranjava” provas e condenava segundo vontades e caprichos de Alexandre de Moraes. E detalhe: sempre contra órgãos ou pessoas situadas no espectro político de oposição ao Governo Federal ou aos processos eleitorais brasileiros. Verdadeiro absolutismo, em suma.

Sim, tudo isso é verdadeiro e até o momento este autor se resumiu aos fatos. Cabe perguntar, entretanto, uma das questões mais óbvias – porém jamais apresentada – que é: por quê Moraes agiu assim? Qual sua motivação? O que o impeliu? Agiu por si ou obedecendo – e eventualmente sendo ameaçado – a alguma pessoa ou grupo?

O fato é que não existem pistas que nos apresentem provas concretas de nada e tudo o que podemos fazer se resume ao campo das hipóteses, as quais – que eu saiba – não são crimes. Pois então imaginemos o seguinte quadro: é sabido que Moraes advogou para uma empresa de vans, em São Paulo, que depois veio a se saber que era ligada ao PCC. Após isso, tornou-se Secretário de Segurança deste mesmo Estado, enquanto aconteciam terríveis descobertas no Porto de Santos indicando a contaminação da fauna marinha por cocaína – tamanha era a quantidade derrubada nas águas do local. Ora, é sabida – embora pouco comentada – a força e influência que o sr. Michel Temer dispunha neste local e que, uma vez empossado Presidente da República por ocasião do impeachment de Dilma Roussef, nomeou Alexandre de Moraes para o STF.

Neste meio tempo, entretanto, houve um contratempo inesperado e até subestimado: a eleição de Jair Bolsonaro para a Presidência da República e a verdadeira devastação causada pelas ações da Polícia Federal contra o tráfico de drogas no país.

Creio não ser preciso me estender demasiado em meus devaneios, cabendo apenas acrescentar uma fala, captada de assessores de Moraes, os quais afirmaram ter escutado “Bolsonaro destruiu minha vida, e eu vou destruir a dele”, atribuída ao sr. Ministro.

Estaria sendo, o senhor Ministro, acossado pela cobrança de uma dívida por parte de chefes de alguma facção criminosa? Seria sua carreira política um “presente” destas facções, intermediada por circunspecto e influente político?

Ainda segundo minha imaginação: sendo tudo isso um fato, a verdade é que a prisão de Jair Bolsonaro nada mais seria que o pagamento de uma dívida pendente com o narcotráfico – e quem já comprou marofa fiado sabe o peso que tem.

Mas deve ser somente um delírio, já que até Donald Trump resolveu partir para cima do Cartel de Los Soles, também conhecido pelos nomes de PT, PDT, PC do B, FARC e Foro de São Paulo. A Magnitski em cima de Moraes foi por pura implicância, coisa de Eduardo Bolsonaro chorando em seus ouvidos o dia todo.

Quando eu acordar, direi a vocês a verdade.



Walter Biancardine



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Walter Biancardine é jornalista, ex-aluno de Olavo de Carvalho, autor de seis livros e já trabalhou em jornais, revistas, rádio e TV.
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