
Jair Bolsonaro ou seu indicado poderão representar os conservadores no próximo pleito? Hoje se apresentam candidatos que têm amplo apoio de partidos do Centrão, do Judiciário, da mídia e até da esquerda.
E por que esse apoio todo, mesmo indesejado? A resposta é que esses candidatos vêm para dar continuidade ao Sistema. Isso quer dizer certamente que nenhum deles vai promover e implantar reformas profundas no Brasil. Talvez seja esse o acordo tácito, ou até negociado, que está implícito nesses apoios.
Na verdade, o Sistema precisa sempre se renovar para sobreviver. Os candidatos trazem uma roupagem diferente e podem até fazer mudanças visíveis, como tirar a esquerda do governo, melhorar a segurança pública e a economia, mas tudo não passa de mero verniz.
Para acomodar a situação, o pessoal do Centro já tem um “acordão” com as instituições: não fazer grandes reformas para não mudar os sistemas. O Centrão é o grupo que detém mais recursos de fundo eleitoral e tempo de televisão, mesmo assim, é importante ter um candidato legítimo da direita, pois ele teria a função de representar a agenda antissistema.
Na Europa, os sistemas políticos são abertos e uma direita de fato brota do seio da opinião pública como a única opção contra o Sistema, apesar de seus membros sofrerem perseguições. No Brasil, a cultura do “deixa disso” para evitar ruptura ainda existe e está no eleitor confuso do Centrão, que aponta erradamente a direita como a responsável por conflitos, quando na verdade a culpa é do Sistema.
Em uma corrida eleitoral o pleito é sempre binário: um candidato do sistema, outro contra o sistema. De 1988 até 2014 havia a dinâmica do teatro das tesouras, que criou uma falsa oposição entre PT e PSDB Até aquele momento, todos os partidos eram de esquerda e PT e PSDB, mas os dois eram partidos socialistas e são responsáveis pelo estado totalitário de hoje.
Por isso, precisamos de um candidato antissistema, mesmo que este perca as eleições, sob pena de o contraponto ao candidato da esquerda ser um burocrata do Centrão, em um novo teatro das tesouras 2.0.