
As ruas da Colômbia estão em ebulição. Protestos, greves e confrontos com a polícia expõem um país à beira do colapso institucional. No centro desse turbilhão, a gestão de Gustavo Petro, marcada por crises econômicas, radicalização ideológica e um estilo de governar que mistura autoritarismo velado com populismo.
O episódio que cristalizou a gravidade do momento foi a tentativa de assassinato de Miguel Uribe Turbay, senador e pré-candidato presidencial conservador. Durante um ato de campanha em Bogotá, um menor armado com uma pistola Glock abriu fogo contra ele, deixando-o em estado crítico. O atentado gerou repercussão internacional e duras críticas ao clima de hostilidade criado pelo governo, com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, classificando o episódio como “uma ameaça direta à democracia”.
Para muitos, o ataque se soma à perseguição jurídica contra o ex-presidente Álvaro Uribe — mentor político de Miguel — alvo de processos incessantes e de uma campanha de desmoralização que, segundo analistas conservadores, segue um manual bem conhecido na América Latina: usar o aparato judicial e a máquina de comunicação para aniquilar adversários. No centro dessa engrenagem está o Foro de São Paulo, a mais sofisticada rede de coordenação política da esquerda no continente. Longe de ser apenas um fórum de debates, o Foro atua como um cartel ideológico: protege seus aliados e destrói quem ousa se opor.
Gustavo Petro, além de enfrentar o descontentamento popular, alimenta polêmicas pessoais. Em fevereiro de 2025, durante uma reunião ministerial transmitida ao vivo, declarou que “a cocaína não é pior do que uísque”, sugerindo que só é ilegal por ser produzida na América Latina e chegando a afirmar que, legalizada, “seria vendida como vinho”. Poucos meses depois, o ex-ministro Álvaro Leyva acusou-o de dependência química, relatando desaparecimentos suspeitos em viagem oficial à França. Petro respondeu ironizando, sem negar diretamente as acusações.
As manifestações que se espalham pelas cidades não são apenas contra medidas econômicas desastrosas. Elas representam um grito contra um projeto de poder que avança sobre as instituições, normaliza o uso de drogas no discurso oficial e importa para a Colômbia a cartilha autoritária do Foro de São Paulo.
O tiro contra Miguel Uribe Turbay não foi apenas contra um homem — foi um ataque frontal à liberdade política. A Colômbia enfrenta um momento decisivo: resistir à corrosão democrática promovida por uma rede ideológica transnacional ou tornar-se mais uma peça capturada no tabuleiro do autoritarismo continental.