
A guerra na Ucrânia atingiu um novo patamar de tensão com um ataque ousado do país contra bases aéreas russas, em 1º de junho de 2025, que destruiu ou danificou bombardeiros estratégicos com capacidade nuclear, como os Tu-95 e Tu-22M. A operação, chamada “Teia de Aranha” pelo Serviço de Segurança da Ucrânia (SBU), envolveu 117 drones lançados de caminhões dentro da Rússia, atingindo alvos em regiões como Sibéria e o Extremo Norte, conforme reportado pela Reuters e The New York Times. Dois dias depois, em 3 de junho, a Ucrânia atacou a Ponte de Kerch, que liga a Crimeia ocupada à Rússia, com uma bomba subaquática. Esses ataques ofuscaram negociações de paz em Istambul, Turquia, iniciadas em 2 de junho, aumentando o risco de escalada global.
Os alvos principais foram quatro bases aéreas russas, incluindo Belaya, em Irkutsk, e Olenya, no norte do país. Imagens de satélite divulgadas pela Reuters mostram danos a até 20 bombardeiros, enquanto a Ucrânia reivindica 41 aeronaves atingidas, incluindo aviões de alerta A-50. O ataque à Ponte de Kerch, detonado às 4h44 de 3 de junho, visou interromper a logística russa na Crimeia, sem vítimas civis, segundo Kiev. A Rússia minimizou os danos, mas blogueiros militares russos, citados pela Reuters, criticaram a negligência das defesas aéreas, expondo vulnerabilidades do Kremlin.
O ataque ucraniano, planejado por um ano e meio, segundo o SBU, foi uma resposta aos bombardeios russos contra cidades da Ucrânia, que usam os Tu-95 e Tu-22M para lançar mísseis de cruzeiro. O presidente Volodymyr Zelensky, que supervisionou a operação, afirmou que o objetivo era enfraquecer a máquina de guerra russa e pressionar por negociações. A Rússia, porém, viu a ofensiva como provocação, com Dmitry Medvedev, do Conselho de Segurança, prometendo retaliação, possivelmente com mísseis balísticos Oreshnik. As negociações em Istambul, mediadas pelo presidente turco Recep Tayyip Erdogan, duraram menos de uma hora, com a Rússia exigindo a anexação de quatro regiões ucranianas e a Ucrânia pedindo uma trégua de 30 dias, segundo a Al Jazeera. A troca de 6.000 corpos de soldados e promessas de libertar prisioneiros foram os únicos avanços.
As implicações são graves para ambos os lados. Na Ucrânia, o ataque fortaleceu a imagem de Zelensky, mas arriscou escalar o conflito, com a Rússia retaliando com 480 drones em uma noite, segundo o presidente ucraniano. Para a Rússia, a perda de bombardeiros, parte de sua “tríade nuclear”, abalou sua reputação de potência militar, já que os aviões não podem ser substituídos facilmente. A ausência de uma resposta pública de Vladimir Putin sugere uma tentativa de minimizar o impacto, mas a pressão interna por retaliação pode endurecer a postura russa.
A esquerda global defende mais apoio militar à Ucrânia, enquanto a direita clama por negociações de paz, alertando que o conflito beneficia a indústria armamentista e eleva preços de energia e alimentos globalmente. Sem uma imprensa que esclareça os fatos e com negociações travadas, a guerra ameaça consequências ainda mais devastadoras.