
A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil) intensificou a pressão pela aprovação urgente do Projeto de Lei da Securitização (PL 2.088/2023), que promete alívio financeiro aos produtores rurais do Rio Grande do Sul, duramente atingidos por enchentes e adversidades climáticas em 2024. A proposta, que tramita na Câmara dos Deputados após ser aprovada no Senado em abril de 2025, permite a renegociação de dívidas agrícolas por meio da securitização, convertendo débitos em títulos financeiros negociáveis no mercado. A Aprosoja Brasil alerta que a demora na votação ameaça a sobrevivência de milhares de sojicultores gaúchos, enquanto o governo Lula enfrenta críticas por priorizar agendas internacionais, como os fóruns do Brics, em detrimento de soluções para o agro.
As enchentes no Rio Grande do Sul, que devastaram mais de 400 mil hectares de lavouras de soja em 2024, segundo a Emater-RS, deixaram um rastro de prejuízos estimados em R$ 3,5 bilhões. A quebra de safra, combinada com dívidas acumuladas por insumos caros e juros altos, colocou muitos produtores à beira da falência. O PL da Securitização, defendido pela Aprosoja, propõe que bancos e cooperativas transformem dívidas agrícolas em títulos, permitindo que os produtores paguem seus débitos em prazos mais longos e com condições mais favoráveis. “É uma questão de sobrevivência. Sem a securitização, muitos vão perder suas terras”, afirmou o presidente da Aprosoja Brasil, Maurício Buffon, em entrevista à Globo Rural.
A proposta ganhou apoio de entidades como a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que destacam seu potencial para injetar liquidez no setor. Segundo a Revista Oeste, o projeto pode beneficiar até 50 mil produtores no Sul, preservando empregos e a produção de soja, que representa 27% das exportações agrícolas brasileiras. A China, principal comprador, absorveu 40 cargas adicionais em 2025 devido à guerra comercial com os EUA, mas os gaúchos enfrentam dificuldades para cumprir contratos por falta de capital. “O agro gaúcho está de joelhos, e o governo parece mais preocupado com palanques do Brics”, criticou o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS) no X.
A demora na aprovação do PL, que aguarda votação na Câmara, é atribuída a resistências de setores do governo, que temem impactos fiscais. O Ministério da Fazenda argumenta que a securitização pode aumentar o endividamento público, enquanto a Aprosoja rebate que o custo de não agir será maior, com risco de colapso no setor. “O governo fala em sustentabilidade, mas deixa o produtor na mão. Isso é incoerência”, disse Buffon à Gazeta do Povo. A entidade também questiona medidas como a Contribuição Especial de Grãos (CEG) no Maranhão, que onera o setor, e defende que a securitização é uma solução de mercado, sem depender de subsídios estatais.
O contexto é agravado por desafios estruturais. O Rio Grande do Sul, que responde por 20% da soja brasileira, enfrenta custos de produção 15% mais altos que em 2023, segundo a Conab, devido a insumos importados e à desvalorização do real. A certificação do Brasil como livre de aftosa sem vacinação, obtida em 2024 pela OMSA, abriu mercados, mas os produtores gaúchos precisam de capital para investir em recuperação. Posts no X mostram o desespero de agricultores, que cobram agilidade do Congresso e criticam a “lentidão burocrática” do governo Lula.
A Aprosoja Brasil reforça que a securitização não é apenas uma medida emergencial, mas uma ferramenta para modernizar o crédito rural. “Queremos menos estado e mais mercado. O produtor precisa de liberdade para trabalhar”, declarou Buffon. A expectativa é que a Câmara vote o PL nas próximas semanas, mas a pressão política e a polarização podem atrasar o processo. Enquanto isso, o agro gaúcho clama por socorro, e a sociedade brasileira acompanha, ciente de que o setor é a espinha dorsal da economia. A demora pode custar caro, não só para os produtores, mas para o país que depende do sucesso do campo.