
A paixão pelo futebol, que une milhões, virou palco de tragédia na Europa. No sábado, 31 de maio de 2025, a vitória do Paris Saint-Germain (PSG) na final da Champions League contra a Inter de Milão desencadeou um caos em Paris. O que deveria ser celebração transformou-se em guerra urbana: dois mortos, 559 presos, 192 feridos, incluindo 21 policiais, e carros incendiados nas ruas. Um jovem de 17 anos foi esfaqueado em Dax durante uma festa de torcedores, e outro morreu em Paris, atropelado por um carro em meio ao tumulto. Um policial ficou em coma após ser atingido por fogos de artifício, segundo o Ministério do Interior francês. O presidente Emmanuel Macron condenou a violência, mas a pergunta ecoa: quem falhou?
A Europa, berço do futebol moderno, não é estranha a essas tragédias. Em 1985, 39 torcedores morreram no Estádio Heysel, em Bruxelas, após um pisoteamento na final entre Juventus e Liverpool. Em 1989, a tragédia de Hillsborough, na Inglaterra, matou 96 fãs do Liverpool por falhas policiais. Mais recentemente, em 2022, a final da Champions em Paris já havia registrado tumultos, com torcedores presos em grades e gás lacrimogêneo. A repetição desses horrores aponta para um problema crônico: a incapacidade de governos e organizadores de garantirem segurança. Estádios lotados, com até 100 mil pessoas, e torcidas inflamadas criam um barril de pólvora que explode com má gestão. Por que as autoridades francesas não previram o caos? Cadê os planos de contenção? O futebol, que deveria unir, não pode ser sinônimo de morte.
No Brasil, onde a violência entre torcidas matou 30 pessoas em 2013, a lição é clara: paixão não justifica barbárie. A bola rola, mas a vida não pode parar.