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PIB BRASILEIRO CRESCE 2,9% EM 2025, MAS DEPENDÊNCIA DO AGRO ACENDE ALERTA

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
31/05/2025 às 20h06
PIB BRASILEIRO CRESCE 2,9% EM 2025, MAS DEPENDÊNCIA DO AGRO ACENDE ALERTA

 

O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil registrou um crescimento de 2,9% no primeiro trimestre de 2025 em comparação com o mesmo período de 2024, totalizando cerca de R$ 12 trilhões em valores correntes, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, impulsionado principalmente pelo setor agropecuário, que cresceu 10,2% no período, superou as expectativas de mercado, que variavam entre 2,3% e 2,7%, segundo o Boletim Focus do Banco Central. No entanto, especialistas alertam que a forte dependência do agronegócio, aliada à queda na participação da indústria, expõe fragilidades estruturais na economia brasileira, enquanto problemas como desemprego e inflação continuam a pesar no bolso da população.

O desempenho do setor agropecuário foi o grande destaque, com alta expressiva puxada pela produção recorde de soja e milho, conforme indicado pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) do IBGE. A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) projeta que o setor deve crescer 6,3% em 2025, beneficiado por condições climáticas favoráveis, especialmente para culturas de verão, após adversidades em 2024, como o El Niño, que reduziu a safra de grãos em 7,2% (de 320,9 milhões para 297,7 milhões de toneladas). O agro representou cerca de 25% do PIB no trimestre, sendo responsável por 3,15% do crescimento total. “Se o agronegócio não tivesse crescido, o PIB teria encolhido 1,85%, com indústria e serviços no vermelho”, afirmou o analista Renato Manfroi.

Apesar do avanço, a indústria registrou um crescimento modesto de 2,4%, enquanto o setor de serviços, outro pilar da economia, avançou 2,8%, com destaque para comércio (2,1%) e serviços imobiliários (2,8%), segundo dados do IBGE. A formação bruta de capital fixo (investimentos) subiu 9,1%, refletindo maior confiança em alguns setores, enquanto o consumo das famílias cresceu 2,6%, impulsionado por um mercado de trabalho ainda aquecido, com taxa de desemprego em 6,5% em dezembro de 2024, conforme a Agência Brasil. No entanto, a participação da indústria no PIB caiu para cerca de 20%, contra 27% há uma década, evidenciando a desindustrialização do país.

O crescimento é positivo, mas insuficiente para enfrentar desafios estruturais como desemprego e inflação. “O Brasil não pode viver só do agro enquanto o governo aumenta impostos como o IOF e corta verbas de áreas essenciais”, criticou um editorial da Gazeta do Povo. A inflação, medida pelo IPCA, subiu para 5% em 2025, segundo projeções da Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda, pressionada pela depreciação do real (R$ 5,86 em maio, per Boletim Focus) e pela inércia inflacionária de 2024, quando o índice fechou em 4,8%. Apesar disso, a SPE prevê alívio na inflação de alimentos, que deve cair de 8,4% para 7,1% no IPCA, graças ao bom desempenho agrícola, com preços de carnes, arroz e feijão em desaceleração.

A dependência do agronegócio preocupa especialistas. O Ipea projeta que o setor agropecuário crescerá 7% em 2025, com alta de 10,5% no primeiro trimestre, mas alerta que a indústria de transformação, essencial para a diversificação econômica, enfrenta dificuldades devido à política monetária contracionista do Banco Central, que elevou a taxa Selic para 11,25% em novembro de 2024. A Deloitte aponta que a alta dos juros, iniciada em setembro de 2024, já reduziu o consumo das famílias e a confiança do consumidor, com impacto previsto para 2025. Além disso, a desvalorização do real, que perdeu 25% de seu valor frente ao dólar em 2024, encarece insumos importados, como fertilizantes, afetando os custos do agro e da indústria.

O governo Lula, por meio do ministro Fernando Haddad, celebrou o resultado, destacando que o crescimento reflete “um mercado de trabalho forte e políticas de transferência de renda”. No entanto, faltam medidas para reduzir a dependência do agro, como incentivos à indústria e reformas estruturais. A insegurança jurídica, evidenciada pela 117ª posição do Brasil no Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation, afasta investimentos industriais, perpetuando a desindustrialização.

A política fiscal também é um ponto de tensão. O déficit primário do governo geral caiu de 2,3% do PIB em 2023 para 0,3% em 2024, segundo o World Bank, mas a dívida pública bruta subiu para 76,5% do PIB, pressionada por juros altos. A SPE prevê um déficit de 0,7% do PIB em 2025, frustrando a meta de superávit de 0,5%, conforme a Deloitte. Para a Gazeta do Povo, o aumento do IOF, implementado em 2025, e os cortes em ministérios como Saúde e Defesa, anunciados em 30 de maio, sinalizam má gestão.

O crescimento de 2,9% do PIB no primeiro trimestre de 2025 é uma boa notícia, mas mascara fragilidades perigosas. O agronegócio, mais uma vez, salvou a economia, mas sua dominância expõe o Brasil a riscos externos, como variações climáticas e embargos comerciais, como os que afetam o frango brasileiro. A desindustrialização, com a indústria perdendo espaço no PIB, é um sinal alarmante de que o país retrocede para uma economia primária, dependente de commodities. A política monetária restritiva do Banco Central, necessária para conter a inflação, sufoca o consumo e os investimentos industriais, enquanto o governo Lula falha em promover reformas que atraiam investidores e diversifiquem a economia. Sem ações para fortalecer a indústria e reduzir a burocracia, o Brasil seguirá refém do agro, vulnerável a crises e longe de um desenvolvimento sustentável.

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