
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), foi convocado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para prestar depoimento como testemunha na Ação Penal 2668, que investiga uma suposta tentativa de golpe de Estado em 2022 para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A convocação, anunciada em 30 de maio de 2025, coloca Tarcísio em uma posição delicada: ele deve equilibrar sua relação com o STF, liderado pelo ministro Alexandre de Moraes, e a lealdade à sua base bolsonarista, que o vê como uma das principais lideranças conservadoras do país. O depoimento, ainda sem data confirmada, ocorre em um momento de alta tensão política, com o Judiciário intensificando investigações contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo a Folha de S.Paulo, Tarcísio não é acusado de envolvimento direto na trama, mas sua convocação reflete o amplo alcance das investigações, que buscam mapear contatos e ações de figuras próximas a Bolsonaro. O governador pode ser questionado sobre reuniões ministeriais ou conversas com Bolsonaro em 2022, quando a cúpula do governo discutia estratégias para contestar o resultado eleitoral. Tarcísio, conhecido por sua postura técnica e moderada, já afirmou publicamente que nunca participou de planos antidemocráticos, mas sua proximidade com Bolsonaro o coloca sob escrutínio.
A Revista Oeste interpreta a convocação como uma tentativa do STF de intimidar lideranças conservadoras. “Tarcísio é um alvo porque representa uma alternativa ao establishment de esquerda que domina Brasília”, afirmou um colunista. O governador, que conquistou apoio popular em São Paulo por sua gestão focada em infraestrutura e segurança, enfrenta pressões de ambos os lados. A base bolsonarista espera que ele mantenha firmeza contra o que chamam de “perseguição judicial” liderada por Moraes.
O contexto da convocação é agravado por outras ações do STF, uma vez que Moraes, responsável pelo inquérito, acumula poderes como investigador, acusador e julgador, o que levanta críticas sobre a imparcialidade do processo. O ministro criou uma unidade informal no Judiciário, a Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do TSE, para produzir relatórios contra bolsonaristas, incluindo jornalistas como Rodrigo Constantino e Paulo Figueiredo. Essa estrutura tem sido usada para monitorar e pressionar opositores do governo, alimentando a narrativa de que o STF atua com viés político.
Tarcísio, que venceu as eleições para o governo de São Paulo em 2022 com apoio de Bolsonaro, tem buscado se posicionar como um líder pragmático, focado em resultados concretos, como a modernização do metrô e a redução da criminalidade. No entanto, sua convocação pelo STF o coloca em um dilema: qualquer declaração que pareça desleal à base bolsonarista pode alienar seus apoiadores, enquanto uma postura desafiadora contra o STF pode complicar sua relação com o Judiciário. Aliados de Tarcísio no Palácio dos Bandeirantes temem que o depoimento seja usado para vinculá-lo à narrativa golpista, mesmo sem evidências concretas.
A investigação, que já resultou na prisão de militares e na inelegibilidade de Bolsonaro, carece de provas robustas contra muitas das figuras convocadas. A delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, é uma das bases da denúncia, mas suas contradições, como no caso do depoimento de Hamilton Mourão, levantam dúvidas sobre sua credibilidade.
O impacto político da convocação é significativo. Tarcísio, que governa o maior estado do Brasil e é visto como uma aposta da direita para 2026, precisa navegar com cuidado. Sua gestão tem aprovação de cerca de 60% em São Paulo, mas a polarização política pode afetar sua imagem. A Brasil Paralelo destaca que a convocação reforça a percepção de que o STF age para minar lideranças conservadoras, enquanto o governo Lula se beneficia do enfraquecimento da oposição. “O povo de São Paulo apoia Tarcísio por sua competência, mas o STF parece querer transformá-lo em mais uma vítima de sua cruzada”, afirmou um analista.
A convocação de Tarcísio de Freitas pelo STF é mais do que um procedimento judicial; é um teste político para uma das principais lideranças da direita brasileira. O governador, que construiu sua imagem como gestor eficiente, agora enfrenta o desafio de manter sua base bolsonarista sem entrar em confronto direto com o Judiciário. A concentração de poderes nas mãos de Alexandre de Moraes, que conduz a investigação com métodos questionáveis, reforça a narrativa de perseguição política. Tarcísio, com sua habilidade política, pode sair fortalecido se mantiver a postura técnica, mas qualquer deslize pode ser explorado por adversários.