
O ex-vice-presidente da República, general Hamilton Mourão, prestou depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última semana, como testemunha na investigação da suposta trama golpista de 2022. Mourão revelou que o ex-presidente Jair Bolsonaro o contatou antes da oitiva para destacar pontos considerados relevantes, levantando questionamentos sobre a imparcialidade do processo. A investigação, conduzida pelo ministro Alexandre de Moraes, alimenta a percepção de que o STF persegue figuras conservadoras, enquanto a verdade sobre os eventos de 2022 permanece obscurecida.
O inquérito, conhecido como “investigação da trama golpista”, apura supostos planos para impedir a posse do presidente Lula após as eleições de 2022. Segundo o STF, o caso envolve militares, políticos e empresários, com base em delações como a do ex-ajudante de ordens Mauro Cid. Mourão, que foi vice-presidente entre 2019 e 2022, é uma figura central por seu papel no governo Bolsonaro e sua postura moderada durante a transição. Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que as eleições de 2022 foram marcadas por polarização, com 58,2 milhões de votos para Lula e 51,1 milhões para Bolsonaro, o que intensificou tensões políticas.
O depoimento de Mourão, realizado em 27 de maio de 2025, durou cerca de duas horas e foi mantido sob sigilo. O contato de Bolsonaro com Mourão antes do depoimento, embora não seja ilegal, levanta suspeitas sobre tentativas de alinhar narrativas, o que o STF pode interpretar como obstrução. A falta de acesso público aos detalhes do inquérito alimenta desconfiança sobre a conduta da Corte.
A investigação do STF, sob comando de Alexandre de Moraes, reforça a percepção de que o Judiciário atua com viés político. O sigilo excessivo e a escolha de alvos ligados ao bolsonarismo, como Mourão, criam a sensação de que o STF busca punir adversários, não esclarecer fatos. A justiça, para ser legítima, precisa de transparência: o povo tem o direito de saber o que está sendo investigado e com quais provas. Enquanto o Brasil enfrenta crises econômicas e sociais, o STF parece mais focado em disputas políticas do que em proteger a Constituição. Mourão, como militar de carreira, representa a estabilidade que o país precisa, e sua convocação pode ser uma tentativa de constrangê-lo. A nação merece uma justiça que una, não que divida.
A investigação da ‘trama golpista’ pode aprofundar a polarização no Brasil, minando a confiança nas instituições. Se o STF não apresentar provas concretas e insistir em processos sigilosos, a percepção de perseguição política crescerá, alimentando tensões. A democracia depende de uma justiça que respeite a Constituição, não que a manipule.