
Em uma decisão histórica, o Senado Federal aprovou, na terça-feira (27 de maio de 2025), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC 37/2023) que transforma as guardas municipais em polícias municipais, concedendo mais autonomia às prefeituras para combater a criminalidade. A medida, aprovada por unanimidade, foi celebrada por setores conservadores como um avanço na luta contra a violência urbana, mas também levanta debates sobre a capacitação das forças locais. O texto agora segue para votação na Câmara dos Deputados.
A PEC, relatada pelo senador Hiran Gonçalves (PP-RR), responde a uma demanda antiga de municípios que enfrentam o crescimento da criminalidade, enquanto o governo federal luta para coordenar ações eficazes de segurança pública. A proposta permite que as guardas municipais adotem a nomenclatura de "polícia municipal" e ampliem suas atribuições, incluindo patrulhamento ostensivo e ações preventivas, desde que respeitem padrões rigorosos de treinamento e fiscalização. “As cidades precisam de força própria para proteger seus cidadãos. Essa PEC dá poder aos municípios sem abrir mão da responsabilidade”, afirmou o senador Gonçalves em plenário.
A aprovação da PEC ocorre em um momento em que a violência urbana assombra o cotidiano dos brasileiros. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2024, os índices de crimes violentos, como roubos e homicídios, cresceram em diversas capitais, pressionando prefeitos a buscar soluções locais. A nova legislação prevê que as polícias municipais atuem em conjunto com as polícias estaduais, mas com autonomia para planejar e executar ações de segurança. Além disso, agentes de trânsito também foram incluídos entre os órgãos de segurança pública, reforçando a integração das forças municipais.
A decisão é um marco na defesa da ordem e da segurança, valores caros a sociedade brasileira. “O Brasil não pode mais depender apenas de políticas federais que, muitas vezes, se perdem na burocracia ou na politização. Dar poder às prefeituras é devolver a responsabilidade ao povo”, afirmou o analista político João Mendes, em artigo na Revista Oeste. A aprovação unânime no Senado, com apoio de partidos como o PT, demonstra um raro consenso em torno da necessidade de fortalecer a segurança local, mas também reflete a pressão popular por resultados concretos.
No entanto, a medida não está isenta de críticas. Especialistas alertam para o risco de algumas guardas municipais, especialmente em cidades menores, não terem estrutura ou treinamento adequado para assumir funções policiais. “Sem investimento em capacitação, podemos ver abusos de poder ou ineficiência”, alertou o cientista político Carlos Almeida, em entrevista à Epoch Times Brasil. A PEC prevê a criação de diretrizes nacionais para formação e padronização, mas a implementação dependerá de regulamentações futuras, o que exige vigilância da sociedade.
A PEC é um passo rumo à descentralização do poder e à valorização das forças de segurança, mas também um lembrete de que o sucesso da medida dependerá de responsabilidade e transparência. “O povo quer segurança, mas não aceita improvisos. As prefeituras precisam mostrar que estão preparadas”, afirmou o comentarista Roberto Silva, da Brasil Paralelo. A expectativa agora recai sobre a Câmara dos Deputados, onde o texto será analisado em dois turnos. Caso aprovado, a PEC pode transformar o modelo de segurança pública no Brasil, dando às cidades ferramentas para enfrentar a criminalidade de frente.