
O ex-presidente Jair Bolsonaro usou a plataforma X para denunciar o aumento da carga tributária no Brasil, afirmando que “o Brasil não suporta mais impostos”. Em postagem no dia 23 de maio, Bolsonaro destacou: “O governo Lula tem ânsia de aumentar impostos, sufocando o povo e a economia. Isso não vai dar certo!”. A declaração reflete o crescente descontentamento popular com a política fiscal do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, que planeja novas reformas tributárias para 2025.
Em 2024, a carga tributária atingiu 33,9% do Produto Interno Bruto (PIB), equivalente a R$ 3,7 trilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), consolidando o Brasil como o país com a maior carga tributária da América Latina, superando Argentina (29,2%) e México (20,4%). A sociedade já está esgotada por impostos que penalizam a classe média e pequenos empresários sem qualquer alívio fiscal ou políticas que priorizem o crescimento econômico ao invés da arrecadação desenfreada.
A carga tributária de 33,9% do PIB em 2024, segundo o IBGE, representa o percentual da riqueza nacional transferida ao governo por meio de impostos, contribuições e taxas. Esse índice cresceu 1,2 ponto percentual em relação a 2023 (32,7%), impulsionado por medidas do governo Lula, como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para transações de crédito e investimentos, a reoneração da folha de pagamento de 17 setores econômicos e a introdução de novas alíquotas sobre lucros e dividendos remetidos ao exterior. A Receita Federal informou que, em 2024, a arrecadação federal atingiu R$ 2,3 trilhões, um aumento real de 8,5% em relação a 2023, mesmo com a economia crescendo apenas 2,2%, segundo projeções do IBGE.
O governo Lula também avançou com a reforma tributária aprovada em dezembro de 2023, que consolida cinco impostos sobre consumo (IPI, PIS, COFINS, ICMS e ISS) em dois impostos sobre valor agregado (IVA): a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), federal, e o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), compartilhado entre estados e municípios. Embora a reforma prometa simplificação, a alíquota estimada do IVA, de 27,5%, é uma das mais altas do mundo, segundo a Latin Lawyer. Produtos como carne, retirados da cesta básica, e bens de consumo, como roupas importadas (“blusinhas da Shein”), enfrentam tributação elevada, enquanto setores como agricultura e saúde obtiveram isenções parciais, atendendo a pressões de lobbies. Em março de 2025, o governo anunciou a isenção de Imposto de Renda (IR) para salários até R$ 5.000 mensais, mas compensou com um imposto de 10% sobre lucros e dividendos remetidos ao exterior e uma alíquota progressiva para rendas acima de R$ 600.000 anuais, atingindo a classe média alta e investidores.
A alta carga tributária impacta diretamente o bolso da população e a competitividade da economia. Para a classe média, que representa 45% da população economicamente ativa, segundo o IBGE, o aumento de impostos reduz o poder de compra. Um trabalhador com salário de R$ 3.500 mensais, por exemplo, perde cerca de 15% de sua renda para IR e contribuições previdenciárias, sem contar impostos indiretos, como ICMS e PIS/COFINS, embutidos em 60% dos produtos de consumo. Em 2024, o preço médio de bens essenciais, como arroz e feijão, subiu 12%, enquanto combustíveis, impactados pelo ICMS, aumentaram 9%, segundo o IBGE, pressionando o orçamento familiar.
Pequenos e médios empresários, que geram 55% dos empregos formais no Brasil, segundo o Sebrae, enfrentam dificuldades para cumprir obrigações fiscais. O Brasil exige, em média, 2.038 horas anuais para que empresas preparem suas declarações fiscais, 12 vezes mais que a média dos países da OCDE, conforme o Banco Mundial. A complexidade do sistema, agravada por incertezas na implementação da reforma tributária, eleva custos operacionais e desestimula investimentos. Em 2024, o país atraiu apenas US$ 60 bilhões em investimentos estrangeiros diretos, 20% menos que em 2022, segundo o Banco Central, em parte devido à insegurança jurídica e à alta tributação.
A população mais pobre, embora beneficiada pela isenção de IR até R$ 5.000, sofre com o aumento de impostos indiretos. A tributação sobre bens de consumo, como roupas e alimentos, eleva o custo de vida, enquanto programas como o Bolsa Família, que atende 21 milhões de famílias, não compensam a inflação acumulada de 5,58% projetada para 2025, segundo o Relatório Focus. Memes nas redes, como “Tributo: A Missão Impossível” e “Picanha de Coxão Duro”, refletem a frustração popular com a promessa de “taxa de justiça” do governo Lula, que, na prática, penaliza os mais vulneráveis.
Bolsonaro, que governou de 2019 a 2022, tem criticado a alta tributária do governo Lula. Durante seu mandato, ele reduziu impostos federais, como o IPI em 35% para produtos industrializados e zerou tributos sobre combustíveis em 2022, embora essas medidas tenham sido revertidas por Lula em 2023. Bolsonaro também propôs isenção de IR para salários até R$ 5.000, mas a proposta, aprovada na Câmara, travou no Senado. Em 2024, ele acusou a reforma tributária de Lula de ser “um soco no estômago dos mais pobres”, alegando que beneficia grandes corporações e lobbies agrícolas, enquanto aumenta a carga sobre o consumo.
O governo Lula defende a reforma como “fiscalmente neutra”, argumentando que simplifica o sistema e atrai investimentos. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que a unificação de impostos reduzirá custos para empresas em até 1,5% do PIB a longo prazo. No entanto, analistas da Inter-American Dialogue alertam que a implementação, prevista para 2026 a 2033, enfrenta riscos de corrupção e burocracia, com tribunais fiscais levando até cinco anos para julgar contestações. A Latin Lawyer destaca que setores como varejo e tecnologia temem perdas de competitividade devido à alíquota de 27,5%, que supera a de países como Chile (19%) e Colômbia (19%).
O descontentamento popular se reflete nas redes sociais, onde hashtags como #ImpostoNão e #LulaTaxador ganharam força. Usuários no X, como @Sizanne0110, comparam o governo Bolsonaro, que “extinguiu impostos e aumentou o salário mínimo”, com o governo Lula, acusado de impor “aumento de impostos e picanha de coxão duro”. A Folha de S.Paulo relata que 62% dos brasileiros consideram a carga tributária injusta, com maior insatisfação entre a classe média e pequenos empresários. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a alta tributação reduz o crescimento econômico em 0,8% ao ano, limitando a criação de empregos e investimentos.
Alívio fiscal e políticas que incentivem o empreendedorismo, são mais que urgentes. A reforma tributária, embora necessária, é vista como uma manobra para sustentar gastos públicos elevados, como o Bolsa Família. Enquanto o governo Lula promete “justiça tributária”, a realidade é um sistema que penaliza o cidadão comum e desestimula a iniciativa privada. A crítica de Bolsonaro ressoa com milhões de brasileiros que exigem um governo que respeite o suor do trabalhador, em vez de esmagá-lo com impostos