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EUA E CHINA SELAM TRÉGUA COMERCIAL COM REDUÇÃO DE TARIFAS POR 90 DIAS

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
23/05/2025 às 12h13
EUA E CHINA SELAM TRÉGUA COMERCIAL COM REDUÇÃO DE TARIFAS POR 90 DIAS

As duas maiores potências econômicas do mundo, Estados Unidos e China, anunciaram um acordo temporário para reduzir tarifas comerciais por 90 dias, buscando aliviar as tensões de uma guerra comercial que abalou o comércio global. Conforme comunicado do Departamento de Comércio dos EUA no dia 21 de maio, as tarifas americanas sobre bens chineses caíram de 145% para 30%, enquanto a China reduziu suas tarifas sobre produtos americanos de 125% para 10%, a partir de 14/05/2025. O acordo foi selado após negociações em Genebra, lideradas pelo vice-premiê chinês He Lifeng e pelos representantes americanos Scott Bessent (Tesouro) e Jamieson Greer (Comércio).

 

O comércio bilateral entre EUA e China movimentou US$ 700 bilhões em 2024, segundo o Departamento de Comércio dos EUA, mas foi marcado por tarifas retaliatórias que prejudicaram setores como agricultura, tecnologia e manufatura. Em abril de 2025, Trump anunciou tarifas de 34% sobre bens chineses, chamando o dia 2 de abril de “Dia da Libertação”, enquanto a China respondeu com tarifas de até 84% sobre produtos americanos, incluindo soja, carne suína e milho, que representaram US$ 13,4 bilhões em exportações agrícolas dos EUA em 2024, segundo o USDA. A trégua temporária suspende essas taxas adicionais, mantendo tarifas base de 10% em ambos os lados, mas deixa em vigor tarifas pré-existentes, como as de 25% sobre aço e alumínio impostas por Trump em 2018.

 

O Brasil, que exportou US$ 50 bilhões para os EUA em 2024, principalmente soja, carne e frutas, segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), pode se beneficiar do alívio nas tensões globais. A valorização do dólar, que atingiu R$ 5,45 em 22/05/2025 (Banco Central), já impulsiona as exportações brasileiras, com crescimento de 12% na receita do setor agrícola em 2025. No entanto, a dependência de mercados como EUA e China, que absorvem 52% e 73% das exportações de soja de EUA e Brasil, respectivamente, expõe vulnerabilidades. A China, maior compradora de soja brasileira, aumentou importações do Brasil em 2024, superando os EUA.

 

A trégua beneficia o Brasil ao estabilizar mercados, mas a dependência de potências estrangeiras é um risco. O governo precisa fortalecer a economia interna, reduzir impostos sobre o agronegócio (que enfrenta alíquotas de até 40%, segundo a CNA) e diversificar parceiros comerciais para proteger o setor produtivo. O Brasil não pode ficar refém de acordos instáveis entre gigantes que priorizam seus próprios interesses.

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