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BOLÍVIA: VETO A CANDIDATURA ALIMENTA CRISE E EXPÕE FRAGILIDADE DEMOCRÁTICA

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Maria Rosa M Pires
Por: Maria Rosa M Pires
22/05/2025 às 18h02
BOLÍVIA: VETO A CANDIDATURA ALIMENTA CRISE E EXPÕE FRAGILIDADE DEMOCRÁTICA

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) da Bolívia vetou, em 20 de maio de 2025, a candidatura de um político de oposição, cujo nome não foi divulgado por questões legais, devido a falhas no registro de seu partido, que perdeu reconhecimento por não cumprir exigências administrativas. A decisão intensifica a crise política no país, onde protestos contra o governo de Luis Arce, do Movimento ao Socialismo (MAS), crescem desde 2024. A Bolívia enfrenta uma inflação de 8%, escassez de combustíveis e um déficit fiscal de 7% do PIB, segundo o Banco Mundial, em um cenário de polarização e desconfiança nas instituições.

A crise remonta à eleição de 2019, quando denúncias de fraude levaram à renúncia de Evo Morales e a um governo interino liderado por Jeanine Áñez. Arce, eleito em 2020, prometeu estabilizar o país, mas sua gestão enfrenta críticas por má administração e repressão a opositores. Em 2024, protestos liderados por indígenas e sindicatos bloquearam estradas, exigindo a liberação de Áñez, presa desde 2021, e reformas econômicas. O veto do TSE reforça a percepção de que o Judiciário é controlado pelo MAS, que detém 75 dos 130 assentos na Assembleia Legislativa.

O político vetado, ligado à oposição de centro-direita, planejava concorrer às eleições regionais de 2026. O TSE alegou que seu partido não apresentou relatórios financeiros exigidos pela lei eleitoral, mas a oposição denuncia manipulação para eliminar adversários. Em 2024, o TSE boliviano já havia vetado candidaturas menores, consolidando o domínio do MAS. Os protestos em La Paz e Santa Cruz, com 50 mil manifestantes, exigem a renúncia de Arce e eleições livres.

A economia boliviana, dependente de gás natural (40% das exportações), sofre com a queda na produção e preços internacionais, enquanto a escassez de combustíveis força filas de até 12 horas. O Banco Mundial prevê um crescimento de apenas 1,8% em 2025, insuficiente para aliviar a crise social. A fragilidade democrática ameaça a estabilidade regional, com impactos no Mercosul, onde a Bolívia é membro associado.

A manipulação judicial na Bolívia é um espelho para o Brasil, onde o STF é acusado de interferir em processos políticos. A instabilidade boliviana pode desestabilizar o comércio regional, com exportações brasileiras para a Bolívia (US$ 2 bilhões em 2024) em risco. O Mercosul precisa mediar a crise para evitar um colapso democrático, mas a inação dos vizinhos, como Argentina e Brasil, reflete interesses próprios. A sociedade boliviana, com 40% da população em pobreza, exige mudanças, mas o controle do MAS sobre as instituições dificulta uma transição pacífica.

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