
As exportações de carne bovina brasileira caíram 12% no primeiro trimestre de 2025, totalizando US$ 2,1 bilhões, contra US$ 2,4 bilhões em 2024, segundo relatório do Ministério da Agricultura divulgado hoje. Barreiras sanitárias impostas por China e União Europeia, motivadas por surtos de gripe aviária em aves no Sul do Brasil, reduziram em 15% o mercado asiático, embora bovinos não sejam afetados, conforme a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O Porto de Santos, que escoa 30% da carne exportada, enfrenta filas de até oito dias, gerando perdas de R$ 500 milhões, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). O Brasil, maior exportador mundial de carne, emprega 2 milhões de trabalhadores no setor, mas a crise ameaça 150 mil empregos diretos, segundo o IBGE, com frigoríficos operando a 70% da capacidade.
O governo Lula destinou R$ 300 milhões para reforçar a vigilância sanitária em 2024, mas apenas 25% (R$ 75 milhões) foi executado, conforme o Portal da Transparência. Atrasos na emissão de certificados sanitários, exigidos por importadores, comprometeram 20% dos embarques, segundo a CNA, enquanto 30% dos laboratórios de inspeção animal operam com equipamentos obsoletos. Relatórios oficiais podem destacar medidas de controle mas a queda nas exportações e a pressão financeira sobre os produtores revelam uma situação crítica: os pecuaristas estão vendendo gado a preços 10% menores do que em 2024 (R$ 200 por arroba, contra R$ 220), enfrentando dívidas que subiram 18%, para R$ 750 bilhões, e perdendo mercados para concorrentes como a Austrália, que ganhou 5% do mercado asiático.
Essa crise se espalha pelas comunidades rurais, onde 25% dos pequenos produtores correm o risco de falência e os preços nos supermercados sobem, com a carne bovina subindo 9% em 12 meses, segundo o IBGE. A sociedade deve compreender sua responsabilidade em cobrar eficiência na defesa agropecuária e agilidade nas certificações, pressionando o Legislativo por leis que fortaleçam o setor, além de exigir transparência na gestão pública. Relatórios podem prometer soluções, mas os silos vazios e as famílias rurais em dificuldades revelam a necessidade urgente de ação para recuperar mercados e apoiar os produtores.