
A inflação segue como um dos maiores desafios para o brasileiro em 2025, com impactos que vão além dos números oficiais e atingem diretamente o orçamento familiar.
Dados recentes do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a inflação acumulada em 12 meses até março de 2025 alcançou 5,26%, acima do teto da meta de 4,5% estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Um exemplo claro desse cenário é o aumento de 9,52% nos preços dos ovos de Páscoa neste ano, conforme reportado pela Jovem Pan, reflexo de pressões econômicas que incluem a alta de combustíveis, insumos e, sobretudo, uma carga tributária que sufoca pequenas empresas e famílias.
Enquanto a grande mídia, como Globo e Folha, foca nos números gerais da inflação, pouco se discute sobre as raízes estruturais desse problema, especialmente as decisões políticas do governo Luiz Inácio Lula da Silva. A reintrodução de tributos sobre combustíveis, extintos durante a gestão de Jair Bolsonaro, é um dos fatores que têm agravado a situação. Em 2023, o governo Lula anunciou a retomada da cobrança de PIS/Cofins sobre gasolina e etanol, que, segundo a Agência Nacional do Petróleo (ANP), contribuiu para uma alta de 0,75% nos preços dos combustíveis em janeiro de 2025. Essa medida eleva os custos de transporte e logística, impactando diretamente o preço de produtos essenciais, como alimentos.
A Páscoa de 2025 foi um termômetro dessa realidade. Além dos ovos de chocolate, que acumularam alta de 16,53% em 12 meses segundo a Rico Investimentos, outros itens típicos da data, como o azeite - alta de 119,4% em cinco anos - e o bacalhau - carga tributária de 34,58% -, também pesaram no bolso. O Impostômetro, mantido pela Associação Comercial de São Paulo, revela que os tributos representam 38,25% do preço final de chocolates e ovos de Páscoa, com destaque para o ICMS e o IPI, que não oferecem alívio fiscal por não serem considerados itens da cesta básica. “O chocolate, apesar de ser um alimento, não goza dos benefícios fiscais de produtos essenciais, o que encarece ainda mais o consumo”, explica Giuliano Gioia, advogado tributarista da Sovos Brasil.
Para pequenas empresas, a situação é ainda mais dramática. A carga tributária, que atingiu 38,25% em produtos pascais, combinada com a alta de insumos, reduz margens de lucro e força o repasse de custos ao consumidor. A Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que 58% dos brasileiros reduziram a compra de alimentos nos últimos meses devido aos preços elevados, um reflexo direto da pressão inflacionária. Dessa forma, não é difícil apontar que a política fiscal expansionista do governo Lula, com aumento de gastos públicos (projetados para crescer 2,9% acima da inflação em 2025, segundo o Ministério da Fazenda), contribui para manter a inflação alta, sem sinais de alívio no curto prazo.
Enquanto o governo anuncia medidas como a redução de alíquotas de importação para itens como carne, café e milho, anunciada em março de 2025 pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, especialistas questionam sua eficácia. André Braz, da Fundação Getulio Vargas (FGV), alerta que tais ações têm impacto de longo prazo e não resolvem problemas imediatos de oferta, como os causados por secas e enchentes que reduziram a produção agrícola em 2024. “A política monetária, com juros altos, não consegue conter a inflação de alimentos quando a oferta é limitada”, afirma Braz.
O cenário é agravado pela percepção de que o governo prioriza narrativas de curto prazo em vez de reformas estruturais. A ausência de um plano claro para conter a dívida pública, que saltou de 72% do PIB em 2022 para 78% em 2024, segundo o Banco Central, gera desconfiança nos mercados e pressiona o câmbio, outro fator que encarece importações de insumos. Para o brasileiro comum, o resultado é um prato feito mais caro e uma Páscoa menos doce.
Diante desse quadro, a verdade é clara: a inflação não é apenas um número, mas um reflexo de escolhas políticas que pesam sobre quem produz e consome. Sem uma revisão da carga tributária e um compromisso real com a responsabilidade fiscal, o Brasil seguirá refém de preços que corroem o poder de compra e desafiam os valores de honestidade e justiça que deveriam guiar a gestão pública.