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Estadão detona relações de Vorcaro com agentes do poder

Uma mafia

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
05/03/2026 às 10h13
Estadão detona relações de Vorcaro com agentes do poder

Opinião do Estadão

Uma máfia no coração do poder

 

A prisão do banqueiro Vorcaro escancara uma rede criminosa espalhada por Brasília. Atônito, o País espera que a banda podre das instituições não prevaleça sobre a banda republicana.

Por Notas & Informações

05/03/2026 | 03h00

 

A política brasileira costuma ser descrita como um duelo entre esquerda e direita ou uma disputa entre Executivo, Legislativo e Judiciário. O escândalo do Banco Master expõe uma clivagem menos confortável: uma rede perniciosa que atravessa partidos, governos e tribunais.

 

O esquema de ocultação de recursos, manipulação societária e deslocamento de patrimônio para escapar de credores e reguladores que desencadeou o colapso do Master deixou prejuízos multibilionários que acabaram socializados entre investidores e mecanismos de proteção do sistema financeiro.

 

Se a magnitude desses crimes do colarinho branco já não fosse por si só estarrecedora, a investigação da Polícia Federal que ensejou a prisão do controlador do banco, Daniel Vorcaro, deu ao País um vislumbre – e só um vislumbre – de uma mecânica mafiosa de proporções imensas. Mensagens extraídas de celulares apreendidos mostram a discussão de planos para vigiar adversários, intimidar críticos e até espancar jornalistas. Há indícios de invasão de sistemas da própria Polícia Federal e outros órgãos da Justiça para obter informações sobre investigações em curso. Dirigentes do Banco Central do Brasil teriam recebido propina para facilitar operações e neutralizar a fiscalização.

Mas muito mais perturbadoras do que a delinquência do banqueiro corrupto e seus comparsas são as relações que Vorcaro construiu em Brasília. Vorcaro não era um aventureiro isolado. Transitava com desenvoltura entre ministros de Estado, dirigentes partidários, parlamentares e juízes das altas cortes. Isso ajuda a explicar por que se sentia tão à vontade para maquinar crimes em grupos de WhatsApp.

 

Suas relações promíscuas chegam ao coração do sistema de Justiça. O ministro Dias Toffoli, que chegou a fazer negócios com as redes de Vorcaro, assumiu, em circunstâncias estranhíssimas, a relatoria do caso e emperrou o trabalho da polícia por meses. A mulher do ministro Alexandre de Moraes celebrou um contrato multimilionário e mal explicado com o Master. Nenhuma dessas circunstâncias, por si, prova crime. Mas compõem um quadro suficientemente delicado para exigir o mínimo de transparência institucional.

 

O que se viu foi o contrário. Uma Corte na defensiva, e até agressiva, quando investigações se aproximaram de seus membros. Decisões monocráticas intimidaram críticos, bloquearam diligências e interromperam iniciativas de apuração parlamentar. O Tribunal se mostra muito mais ocupado em proteger os segredos de seus ministros do que em dissipar dúvidas legítimas.

 

A atuação da Procuradoria-Geral da República só intensifica a perplexidade. A relutância do procurador-geral, Paulo Gonet, em pedir a prisão de Vorcaro mereceu críticas abertas do novo relator, o ministro André Mendonça. A demora reforçou a impressão de uma instituição que, diante de suspeitas envolvendo figuras poderosas, prefere a inércia ao confronto.

 

Esta combinação tóxica – relações plurais e inclusivas entre autoridades políticas e administrativas, blindagem corporativista no Judiciário e complacência do Ministério Público – ajuda a explicar o silêncio constrangido que paira sobre o caso em Brasília. O esquema não envolve apenas um partido ou um governo. Ele atravessa os Três Poderes e diferentes campos ideológicos.

 

Quando um escândalo compromete apenas um grupo político, adversários tratam de expô-lo. Quando compromete muitos, o impulso dominante é abafá-lo. A intimidação a jornalistas é sintomática. É a imprensa que vem insistindo em colocar na sala o bode que os poderosos gostariam de esconder.

 

A prisão de Vorcaro pode representar o início de uma investigação que finalmente ilumine essas conexões e puna os cúmplices de fraudes multibilionárias. Ou pode ser apenas mais um episódio a se diluir no ciclo habitual de crises nacionais. O que se desenha é uma nova disputa: não entre este ou aquele grupo partidário, nem entre tal ou qual Poder ou instituição, mas entre a banda podre de Brasília (distribuída por todos os Poderes, partidos e instituições) e a banda republicana. O desfecho do caso Master revelará ao Brasil qual delas realmente predomina no coração do poder.

 

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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

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