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Efeito Omelete

A consolidação do Bolsonarismo

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
10/02/2026 às 06h58 Atualizada em 10/02/2026 às 07h04
Efeito Omelete

Efeito Omelete: A Consolidação do Bolsonarismo

Praticamente incomunicável, preso e condenado a 27 anos de prisão (julgamento político), com sérios problemas de saúde e com sequelas de inúmeras cirurgias na tentativa de debelar os sinais deixados pela tentativa de assassinato em 2018, Jair Bolsonaro é a prova irrefutável de que, quando um povo quer, ninguém o pode deter.  

Por mais que se queira fazer propaganda do que se convencionou chamar de “sistema” e pregar uma certa submissão por impotência de combatê-lo, a teimosia de parte do povo brasileiro, que já era conhecida, embora sem consciência, cresceu exponencialmente de forma consciente. 

As razões são inúmeras, mas podemos tentar resumir:  

- Assim como o filme *Tropa de Elite*, que tinha intenção de criticar, caiu na graça do povo com a humanidade do “Capitão Nascimento”, da mesma sorte Jair Bolsonaro encontra eco na sociedade na imagem de coragem.  

- O brasileiro é um dos povos mais críticos do mundo, mas possui ojeriza à traição e à injustiça.  

- Os símbolos de ideal, de coragem e de sacrifício da própria vida estão entranhados na personalidade de Bolsonaro.  

- A justiça exagerou demais na dose de repressão e passou a agir com o fígado, executando uma vingança sumária e condenando pessoas simples a 15, 17 anos de prisão, acendendo um alerta vermelho no povo.  

- As perseguições midiáticas, jurídicas e políticas contra @jairbolsonaro e seus aliados terminaram por ser um teste de resistência e da profundidade social do movimento político.  

- A postura do presidente, mesmo depois de ter perdido seus direitos políticos e após a sua condenação, aliada à ausência de provas concretas e irrefutáveis de crimes, termina por validar a tese de perseguição.  

E eu nem quero abordar a questão do alcance da informação por meio das redes e a perda do monopólio das TVs. Meu ponto vai muito além disso.  

A verdade é que, de modo geral, a percepção popular é mais despertada pelo nível de esforço empregado pelo Estado para deter alguma suposta ameaça. E a partir de então, uma análise mais refinada começa a acontecer e, a depender da disposição e do tempo empregado, quem passa a ser visto como um provável algoz é o agente da lei. Pois o indivíduo observador cria uma identidade em relação ao mais frágil, por se enxergar assim diante de tamanha exposição de força do agente repressor.  

E eu acho que esse foi o maior erro dos perseguidores do cristianismo. Ao acreditar que aquela força estava ligada apenas a um certo Nazareno, tentaram humilhá-lo e esvaziá-lo moralmente em praça pública e, bingo!, caíram na armadilha. Ao tentar demonstrar que o “Rei dos Judeus” não tinha poder nenhum, aplicando-lhe castigo e condenando-o à morte, a estrutura do Império Romano demonstrou o quão frágil era, enquanto indiretamente validava o poder do Galileu que deixaria Napoleão no chinelo, pois convencia só com o poder da palavra.  

Jair Bolsonaro, que criou seus filhos na esteira do ideal criado por Cristo, parece galgar o mesmo tipo de legitimidade popular e filosófica. Ao suscitar tamanha atividade jurídica, política e midiática em seu desfavor — que já dura no mínimo uns 8 anos —, o ex-presidente, hoje preso, inelegível e incomunicável, demonstra que a tal estrutura oligárquica não passa de um mito que só fica de pé quando não encontra ninguém com coragem suficiente para confrontá-lo.  

E o que é mais impressionante: o terror e a repressão que foram usados para desestimular seus seguidores não surtiram o efeito. Pelo contrário, suscitaram novos adeptos. Parece que o “efeito omelete” (quanto mais bate, mais cresce) é o fulcro de movimentos sociais com fundadores de personalidade altruísta. 

O Bolsonarismo, hoje, não pode mais ser ignorado como movimento cultural, social e político no Brasil, graças à resistência indescritível de seu fundador e à sua capacidade de se reproduzir na sociedade brasileira.  
E uma recente prova disso foi a tentativa do humorista Murilo Couto de fazer uma sátira com o indicado por Jair Bolsonaro para a continuidade na liderança do movimento por ele fundado, @FlavioBolsonaro.

Ao criar uma música debochada “Meu Amigo Flávio”, percebeu o efeito *Tropa de Elite* e a música já virou jingle da campanha do filho do ex-presidente.  

Enfim, o Brasil segue sendo um país muito complexo de se entender e de se governar, mas a essência de resiliência e de capacidade de se reinventar segue sendo o seu principal lema, que emprestou tal característica da fé judaica e que se reflete no lema do Bolsonarismo: “Deus acima de tudo”. 

www.sergiojunior.com

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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

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