
Praticamente incomunicável, preso e condenado a 27 anos de prisão (julgamento político), com sérios problemas de saúde e com sequelas de inúmeras cirurgias na tentativa de debelar os sinais deixados pela tentativa de assassinato em 2018, Jair Bolsonaro é a prova irrefutável de que, quando um povo quer, ninguém o pode deter.
Por mais que se queira fazer propaganda do que se convencionou chamar de “sistema” e pregar uma certa submissão por impotência de combatê-lo, a teimosia de parte do povo brasileiro, que já era conhecida, embora sem consciência, cresceu exponencialmente de forma consciente.
As razões são inúmeras, mas podemos tentar resumir:
- Assim como o filme *Tropa de Elite*, que tinha intenção de criticar, caiu na graça do povo com a humanidade do “Capitão Nascimento”, da mesma sorte Jair Bolsonaro encontra eco na sociedade na imagem de coragem.
- O brasileiro é um dos povos mais críticos do mundo, mas possui ojeriza à traição e à injustiça.
- Os símbolos de ideal, de coragem e de sacrifício da própria vida estão entranhados na personalidade de Bolsonaro.
- A justiça exagerou demais na dose de repressão e passou a agir com o fígado, executando uma vingança sumária e condenando pessoas simples a 15, 17 anos de prisão, acendendo um alerta vermelho no povo.
- As perseguições midiáticas, jurídicas e políticas contra @jairbolsonaro e seus aliados terminaram por ser um teste de resistência e da profundidade social do movimento político.
- A postura do presidente, mesmo depois de ter perdido seus direitos políticos e após a sua condenação, aliada à ausência de provas concretas e irrefutáveis de crimes, termina por validar a tese de perseguição.
E eu nem quero abordar a questão do alcance da informação por meio das redes e a perda do monopólio das TVs. Meu ponto vai muito além disso.
A verdade é que, de modo geral, a percepção popular é mais despertada pelo nível de esforço empregado pelo Estado para deter alguma suposta ameaça. E a partir de então, uma análise mais refinada começa a acontecer e, a depender da disposição e do tempo empregado, quem passa a ser visto como um provável algoz é o agente da lei. Pois o indivíduo observador cria uma identidade em relação ao mais frágil, por se enxergar assim diante de tamanha exposição de força do agente repressor.
E eu acho que esse foi o maior erro dos perseguidores do cristianismo. Ao acreditar que aquela força estava ligada apenas a um certo Nazareno, tentaram humilhá-lo e esvaziá-lo moralmente em praça pública e, bingo!, caíram na armadilha. Ao tentar demonstrar que o “Rei dos Judeus” não tinha poder nenhum, aplicando-lhe castigo e condenando-o à morte, a estrutura do Império Romano demonstrou o quão frágil era, enquanto indiretamente validava o poder do Galileu que deixaria Napoleão no chinelo, pois convencia só com o poder da palavra.
Jair Bolsonaro, que criou seus filhos na esteira do ideal criado por Cristo, parece galgar o mesmo tipo de legitimidade popular e filosófica. Ao suscitar tamanha atividade jurídica, política e midiática em seu desfavor — que já dura no mínimo uns 8 anos —, o ex-presidente, hoje preso, inelegível e incomunicável, demonstra que a tal estrutura oligárquica não passa de um mito que só fica de pé quando não encontra ninguém com coragem suficiente para confrontá-lo.
E o que é mais impressionante: o terror e a repressão que foram usados para desestimular seus seguidores não surtiram o efeito. Pelo contrário, suscitaram novos adeptos. Parece que o “efeito omelete” (quanto mais bate, mais cresce) é o fulcro de movimentos sociais com fundadores de personalidade altruísta.
O Bolsonarismo, hoje, não pode mais ser ignorado como movimento cultural, social e político no Brasil, graças à resistência indescritível de seu fundador e à sua capacidade de se reproduzir na sociedade brasileira.
E uma recente prova disso foi a tentativa do humorista Murilo Couto de fazer uma sátira com o indicado por Jair Bolsonaro para a continuidade na liderança do movimento por ele fundado, @FlavioBolsonaro.
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Ao criar uma música debochada “Meu Amigo Flávio”, percebeu o efeito *Tropa de Elite* e a música já virou jingle da campanha do filho do ex-presidente.
Enfim, o Brasil segue sendo um país muito complexo de se entender e de se governar, mas a essência de resiliência e de capacidade de se reinventar segue sendo o seu principal lema, que emprestou tal característica da fé judaica e que se reflete no lema do Bolsonarismo: “Deus acima de tudo”.
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