29/01/2026 às 14h19Atualizada em 29/01/2026 às 14h35
NOBREZA MAIOR É FICAR : O HOMEM DE 70 ANOS QUE ENTROU PARA A HISTÓRIA
Num país traumatizado e ferido por uma suposta humilhação e pela tirania sangrenta que se seguiu antes da tal restauração da democracia, um homem simples —, um soldado corajoso no passado, um andarilho provocador — tornou-se o alvo de um ódio que não era apenas pessoal, mas profundamente político. E aos 70 anos, se mantém ereto, confundindo até seus admiradores e criando admiração e dúvida nos seus detratores, pois jamais se viu, tanta nobreza, ética, moral, senso de propósito e confiança absoluta no que faz e diz.
Seus acusadores, movidos por inveja velada e ressentimento acumulado, viram nele a encarnação de tudo o que ameaçava suas posições confortáveis. Pois ele não vendia sabedoria por dinheiro, como os sofistas; ele a distribuía gratuitamente, questionando sem piedade as certezas dos poderosos, dos oradores da assembleia, dos generais vaidosos, dos poetas inflados de si mesmos. Com perguntas aparentemente inocentes, ele expunha a ignorância disfarçada de autoridade, a opinião comum travestida de verdade absoluta. E isso incomoda profundamente quem se acostumou a jamais ser questionado.
A justiça, nesse momento, não foi cega; foi míope, contaminada pelo viés político e pelos traumas do passado. Julgou-se não um crime concreto, mas o incômodo que o líder causava ao fazer vibrar a sociedade inteira. Ele obrigava os cidadãos a olharem para dentro de si mesmos, a questionarem o que antes aceitavam sem reflexão.
Em uma democracia que dependia do consenso fácil e da obediência às normas coletivas, tal homem era perigoso: um catalisador de dúvida, um espelho incômodo para os poderosos.
E, no entanto, ele não era apenas odiado. Ele era amado — profundamente amado — por muitos. Jovens e velhos o seguiam, fascinados por sua integridade, por sua recusa em bajular, por sua coragem de viver exatamente como pregava.
Seus discípulos, mesmo após a condenação, perpetuaram sua memória e transformaram suas ideias em movimentos eternos. Ele é, de fato, um líder popular — não no sentido de multidões manipuladas por discursos inflamados, mas no sentido mais nobre: alguém que atrai pela força da verdade, pela autenticidade de uma vida examinada.
Quando veio a oportunidade de escapar — uma possível fuga, organizada por amigos leais, com tudo pronto para o exílio —, ele recusou. Preferiu ficar, submeter-se ao julgamento da cidade, beber a bebida da morte, conforme as leis que, apesar de discordar delas em muitos pontos, ele respeitava como o pacto que sustentava a moral que o formara.
Não fugiu porque fugir seria incoerência: seria cometer injustiça para evitar sofrer injustiça, seria trair o princípio que defendeu por setenta anos — que é melhor sofrer o mal do que praticá-lo.
Assim, o idoso pensador, sereno, aceitava seu destino como se entendesse que sua amargura traria benefício para o seu povo. Continuava conversando com os amigos, sem ressentimento, sem rancor.
Como se seu daimónion, o "guardião" (voz divina interna)que o protege de desvios, ajudando-o a manter o caminho da virtude; convencesse-o de que esse é o processo para alcançar sua eudaimonia .
Sua injusta condenação não foi o fim de sua influência; foi o selo de sua grandeza. Ele marcou para sempre a história não como mártir de uma causa política, mas como símbolo supremo da liberdade do pensamento, da coragem intelectual e da nobreza que resiste à inveja, ao medo e ao poder cego.
Ele não foi condenado por corromper a juventude ou por suscitar golpe de Estado, foi condenado porque, com sua mera existência, lembrava a todos que a verdadeira liberdade exige disposição para libertar outros também, não apenas a si. E essa coragem sacrificial de juramento público e dito com orgulho, mexe com o brio de supostos poderosos, é intolerável.
Questionar sem medo, viver com coerência e, se necessário, morrer por aquilo em que se crê.
Então, se você em algum momento pensou que o texto se referia à @jairbolsonaro, devo te informar que não. Esta é exatamente a história de Sócrates, a grande inspiração filosófica de Platão, Xenofontes e outros.
Ao ler o texto, a associação é imediata. E isso é muito importante para você dimensionar a grandeza que é termos um líder político com princípios filosoficamente tão profundos. E no entanto, muitos de nós, insistem em desdenhar.
Assim como Sócrates se eternizou em seus discípulos, como; Platão e Xenofontes, Bolsonaro que já se multiplicou em muitos corações, inclusive no de seu acessor leal, Filipe G. Martins, também se revitaliza na pessoa de seu filho @FlavioBolsonaro .
Sobre o ex-discipulo Alcebíades (militar traidor), Jair também tem Cid. As comparações não são meras coincidências.
Por favor, digam ao Críton, que Jair agradece muito a consideração, mas, como Sócrates: ele preferiu ficar.
http://www.sergiojunior.com
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB). Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo. Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.
Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.