
O Bolsonarismo precisa ser cético e crítico, senão, deixa de ser conservadorismo(direita) e passa a ser petismo de verde e amarelo. Além disso, é o movimento mais perseguido, injustiçado e traído dos últimos anos. Não é de se surpreender que a perseguição seja tão acirrada, já que a nascente do movimento é disruptiva e provocadora, além de demonstrar potencial de despertar multidões. Contudo, a chaga mais dolorosa que amorteceu e prejudicou o crescimento e o progresso dos projetos do Bolsonarismo foi a traição. Por ser um movimento criado por um homem extremamente humano, que fala com o coração, mesmo na altura de seus 71 anos (21 de março próximo), abriram-se espaços para (surfistas políticos) usurpadores, que aproveitaram a "onda bolsonarista". Estes, se fizeram politicamente, ou pelo menos, pensaram que estariam ilesos da lente dos apoiadores leais e aguerridos de @jairbolsonaro. Estes apoiadores foram taxados de radicais, idolatras, extremistas e outros epítetos que não convêm aqui repetir.

Todavia, a verdade é que esse grupo de apoiadores de Bolsonaro não se resume à militância política simples, mas são pessoas que encontraram em Jair, um elo humano, de rara sinceridade e de defeitos muito semelhantes ao de seus liderados. A partir dai, passaram a encará-lo não apenas como um político, mas como um importante membro da família. Um senhor "sincerão", digno de toda admiração. Porém, percebeu-se que, por ele ter abertura católica e experiência de avô, pai e líder, acostumou-se a perdoar.
Aceitou sentar com seu algoz, recebeu Sergio Moro na campanha de 22, tentou reatar com quem o havia traído e relevou muitas coisas que, seus apoiadores jamais admitiriam. Sendo assim, o Bolsonarismo não pode se dar ao luxo de cometer os mesmos erros dos anos iniciais. Teríamos uma plêiade de exemplos: Bebiano, Olimpio, Salles, Joice, Frota, MBL, Moro, Mourão e, mais recentemente; o aperto de mão que deu em Mauro Cid (mesmo depois da traição) o convite que fez ao Moraes para ser seu vice em tom de brincadeira (sendo o ministro quem mais o perseguiu) e tantos outros exemplos, não deixam dúvidas: Jair precisava ser protegido. E essa proteção é legítima e necessária.

Não porque o presidente fosse um ingênuo que não soubesse se defender, mas porque apesar de ter ao seu lado milhares de pessoas boas e leais, possui também picaretas, vagabundos, aproveitadores e muitos potenciais traidores. Por isso, os Bolsonaristas elevaram a barra de exigências para os políticos ditos defensores do presidente. Muitos deles, são facilmente desmascarados com uma simples pesquisa em suas redes. Outros são mais "ratos" e sabem aproveitar de momentos apoteóticos para se promoverem, mas quando o líder está em apuros, não tem caráter de pelo menos fazer um post ou dar uma entrevista, ou algo do tipo. Essa aparente apatia, é o principal motivo pelo qual @tarcisiogdf sofreu severas cobranças para se posicionar de modo mais veemente (embora seja um aliado de longa data) e, @nikolas_dm coleciona uma série de embates dentro do próprio grupo político.
Ninguém pode negar que o menino é talentoso e tem coragem, mas há algo que incomoda em sua personalidade: a sua individualidade. Apesar de ser pertinente um líder ou futuro líder ter personalidade, ser um pouco obstinado, aloprado e viril em sua comunicação, num grupo político isso é veneno. A política precisa ser um trabalho de grupo e, quando não há um líder, alguém deve tomar a posição. E em se tratando do Bolsonarismo, com Jair Bolsonaro, afastado, preso e transmitindo claramente o seu legado aos seus filhos, constitui-se um alerta amarelo.
Mas não é só isso, em ano eleitoral, há uma gama de gafanhotos ávidos por um momento de aparição digital, mas que não manifestou em nenhum momento, não participou de nada para defender a anistia e o pior: no momento das sanções americanas (Magnitsky), nada fizeram para apoiar Eduardo e, agora, fizeram vídeos na caminhada, como se estivessem em movimento contínuo, chamando o Nikolas de "gigante", "líder", etc. Não que eu não reconheça as capacidades do deputado, aliás, é dele o mérito daquele vídeo do Pix. A questão é que, se vê claramente (para quem quer ver), se formando um movimento de tentativa de esvaziamento da liderança de Bolsonaro, usando a capacidade de aglutinação e comunicação de Nikolas. E ele, muitas vezes, por inocência ou por encanto, permite. Embora nesses últimos dias tenha feito esforços para fugir disso.
“Estou me lixando se você é candidato a alguma coisa. Isso aqui não é parada eleitoreira”
Outrossim, os eventos que envolveram as eleições municipais de 2024(Nikolas apoiou Marçal) em que Jair Bolsonaro pediu apoio para Nunes; a briga de julho do ano passado quando @BolsonaroSP criticou Nikolas duramente, a aproximação de pessoas como 38ão e outros como (com Ana Campagnolo, PL-SC) posicionou-se contra a indicação de Carlos Bolsonaro metropoles.com/sao-paulo/e-tr ,terminaram por abrir feridas antigas e despertar a desconfiança. É preciso ponderar isso.

Analisando friamente, era necessário que alguém tomasse uma atitude ou unisse um grupo para um ato político, já que as cobranças aumentaram muito em virtude da letargia da direita em meio ao veto à dosimetria e as conversas passivas nos vídeos e nas notas de deputados nas redes. Excetuando-se o grande movimento que @CarlosBolsonaro vem fazendo nas redes, comunicando e atualizando os fatos sobre o seu pai e a brilhante postura do @FlavioBolsonaro após ser indicado por seu pai, pouca coisa estava alegrando ou movimentando o povo. Então alguém precisava reagir. Logo, a autonomia, a independência e a criatividade, são fundamentais nesse momento. E Nikolas, ao suscitar a ideia da caminhada, foi muito feliz. E, ao conseguir o apoio daqueles deputados inertes (massacrados pelas cobranças em virtude de seus vídeos de influencers), merece o mérito e o reconhecimento.
A questão não é essa. Nikolas certamente será senador ou presidente em algum tempo da história. E se continuar assim, será maravilhoso para a direita. O que é inadmissível é alguns metidos a espertos, aproveitarem do momento para esvaziarem a liderança de Jair Bolsonaro. No fim, não é contra o surgimento de alguém com capacidade de mobilização, mas sobre o uso do expediente para reduzir a imagem e a história de quem foi o criador de tudo isso.

Ninguém conseguiu ganhar tanto capital político, respeito e admiração no Brasil, como Sérgio Moro. O mérito era totalmente dele por sua atuação na Lava Jato. Me lembro de um show do Roberto Carlos onde Moro foi ovacionado. Sua queda, não foi porque descobriram conversas dele com Deltan ou pelo suposto viés político da operação. Foi por ser cooptado por pessoas que estavam usando Bolsonaro para fins pessoais. Hoje, Moro é opaco, desrespeitado, e praticamente implora para não perder o cargo de Senador. Esse é o resultado de quem tenta usar o movimento bolsonarista para fins biográficos.
O Nikolas merece muitas críticas, e deve se acostumar com isso se de fato quer ser líder. No entanto, é sobre quem o cerca. De toda maneira, de divergência em divergência, entre uma discórdia aqui e uma crítica ali, a direita, o Conservadorismo ou o Bolsonarismo, vai pautando o debate público e vai se estabelecendo como movimento político, usando a característica que antes assustava pelo seu ineditismo, mas que virou o mérito principal de seu fundador: a vibração das massas.