
O debate sobre a miséria em Cuba é, frequentemente, capturado por uma única retórica: "A culpa é do embargo americano". Essa narrativa, simplista e conveniente, tenta desviar o olhar do verdadeiro motor da crise: a destruição sistêmica da economia pelo centralismo estatal e pela tirania política.
O caso cubano não é uma tragédia causada primariamente por fatores externos. É um alerta dramático sobre o custo da falta de liberdade, e serve como um espelho de fumaça para qualquer nação, inclusive o Brasil, que se inclinar perigosamente para o controle total do poder central.
O embargo econômico imposto pelos Estados Unidos é real, mas não é total. Cuba negocia e negociou intensamente com a União Europeia, China, Rússia, e outros países. Mais ainda, há exceções para a venda de alimentos e medicamentos, e o turismo internacional movimenta bilhões.
A verdade é que o problema de Cuba não é a impossibilidade de vender, mas sim a incapacidade de produzir. E essa incapacidade é um problema interno:
O verdadeiro inimigo do povo cubano não é o embargo externo, mas o embargo interno imposto pela burocracia, pela rigidez e pela falta de liberdade de iniciativa.
O controle econômico total é a garantia da sobrevivência do regime ditatorial. A escassez generalizada é a regra, mas é uma escassez que não atinge a todos de forma igual.
A fuga em massa não é um protesto contra Washington; é uma votação de desconfiança contra a falência do modelo socialista centralizado. Em contrapartida, economias baseadas na liberdade individual, no investimento privado e na segurança jurídica são as únicas capazes de atrair talentos e gerar riqueza de forma sustentável.
A Venezuela nos alertou sobre o risco do descontrole fiscal. Cuba nos alerta sobre o risco institucional da centralização total do poder.
O Brasil, com sua Dívida Bruta em alta e sua máquina pública inchada, ainda luta contra a tentação de um Estado que se coloca como o dono da riqueza, e não como o seu regulador.
A lição de Cuba é clara e inegociável:
O caminho para o Brasil não pode ser o aumento do poder central e das amarras burocráticas, mas sim a defesa da liberdade econômica, do respeito inegociável à propriedade privada e da redução do poder decisório de Brasília. As únicas garantias de que o nosso povo terá, minimamente, água, energia, comida e a dignidade de prosperar pelo seu próprio esforço, e não pela concessão do Estado.
Olhar para Cuba não é apenas um exercício de crítica geopolítica; é uma defesa vital dos princípios que sustentam qualquer economia de sucesso.
Por: Prof. Sílvio Levada
Administrador, contador e especialista em finanças. Criador do método “Como Sair das Dívidas e Conquistar Paz e Tranquilidade”, atua nos canais Prof. Sílvio Levada | Finanças & Afins, Notícias do Brasil e do Mundo, Canal de Brasília e Jornal Bunker Oficial