
O brasileiro sempre tratou os mais diversos assuntos com ironia, desdém, impaciência e paixão. Sempre utilizando o coração, a alma ou o fígado. Raramente se via um cidadão comum falar com conduta verbal límpida e respeitosa. Quando isso ocorria, dizia-se que o tal era metido a intelectual, sonso, falso, político ou estava querendo comer alguém.
Eu trabalho em dois lugares, e em ambos, o contexto é com pessoas que usam energia comunicativa para conquistar terreno, intimidar e testar limites. E a psicologia da área que trabalho exige que a comunicação do agente também seja no tom, na energia e na linguagem não verbal. O tratamento é de choque. Após as vibrações terem sido liberadas e estabelecido o respeito mútuo, ambos baixamos o tom. É pedagógico.

Essa cultura requer que você se comunique da maneira que o povo entenda. E Jair Bolsonaro foi um perito nessa estratégia.
Ele foi a "retroescavadeira" verde-folha produzida pelo exército de Caxias e pela Câmara dos deputados, que entrou pelas ruas das cidades e nos aeroportos, removendo entulhos culturais antigos; aplainando o solo e derrubando cativeiros da ignorância falando a linguagem do povão. No maior tratamento de choque que esse país já viu. Mas é hora de ampliar a nossa percepção.
De fato, devido ao período de três décadas (1985-2016) de supressão da "voz conservadora" e das constantes diatribes da sociedade, induzida pela mídia, que tripudiou e ridicularizou o Dr. Enéas Carneiro, se fazia necessário alguém que tivesse: um "grito beligerante", disposição para protestar e de demonstrar uma autêntica indignação.
Entretanto, é extremamente importante entender esse perfil como uma ferramenta temporal — que encontrou em Jair Bolsonaro sua origem e sua força inicial que até hoje é venerada e inexplicável. Mas é chegado o momento de "virar a página".
Primeiro ponto: a essência do conservadorismo é proativa e carregada de: construção, reflexão, diálogo, estratégia e execução.
Logo, na década inaugural da direita "pós-redemocratização" (nos 20 centavos)2013-2023, que se sedimentou milagrosamente na pessoa de Jair Bolsonaro e agora se consolida e amadurece na liderança de seu filho Flávio, convém que seus adeptos (novos ou antigos), não confundam aquela "época de guerra", onde a postura era de embate incessante, com o período atual, onde o terreno já foi conquistado e precisa ser administrado com sabedoria.
Sobretudo quando já aconteceram várias baixas e quando deve-se gastar um tempo para preparar a próxima fase da "guerra" (2026).
Certamente, alguém pode dizer: "mas o que foi conquistado? Só vimos "mortos" do nosso lado; prisões, censuras, ilegalidades, do lado de lá está tudo bem. Eles venceram".
Bem, podemos realmente não termos conquistado o que desejávamos, mas o fato de ainda existirmos depois de tanta perseguição, prisão, exílios, condenações ilegais e ainda estarmos todos os dias nas manchetes dos jornais e nas redes, não pode ser subestimado.
Não conseguimos a AAGI, mas ao menos a dosimetria já passou na Câmara.
A verdade é que, antes do capitão, nós nem existíamos. E se de fato não tivéssemos um poder relevante, o adversário não empregaria tanta energia em tentativas de nos calar.
Portanto, menos emocionalismo, por favor.
Segundo ponto: a inteligência estratégica pós-conquista requer uma postura de firmeza e de vigilância constante, mas também de maturidade e de conciliação, a fim de evitar eternizar estereótipos que o "inimigo" possa utilizar para criar caricaturas e para inocular no imaginário popular a ideia de despreparo e de desequilíbrio da nossa parte.
Nesse sentido, a direita, que só existe e permanece em crescente no Brasil em virtude da bravura de Jair Bolsonaro e agora se renova na figura serena e estratégica de Flávio Bolsonaro — indicado pelo pai como o continuador desse legado —, deve entender a sinalização dele, respeitando-o como o herdeiro natural e atual líder.
É dele o sinal de deslocamento, avanços ou recuos estratégicos.
O "aluno-soldado" que permanecer afeiçoado ao método dos "primeiros combates" deve ser compreendido e respeitado como alguém de grande virtude, mas inapto para a fase de estabilidade do território conquistado.
Este, deve ser honrado pelo serviço prestado e convocado para um eventual "fronte" onde suas competências possam ser melhor aproveitadas.
Esta é a essência atual do conservadorismo no Brasil que deságua do nascedouro chamado Bolsonaro e hoje se manifesta com plenitude em Flávio. E esta, foi refinada, provada, repensada e maximizada — tanto que, após o anúncio de sua pré-candidatura, Flávio só tem subido nas pesquisas, consolidando-se rapidamente como o nome mais competitivo da oposição.
Ao observar a postura de @FlavioBolsonaro nas suas últimas entrevistas e como discorre sobre os múltiplos cenários políticos e sociais do país, inclusive em assuntos complexos, fica consignado na sua pessoa: a maturidade, a profundidade da análise, a experiência e o indiscutível poder de criar identificação com os anseios do povo.
Nele, está patenteado o que se convencionou chamar de Bolsonarismo 2.0. E quando afirmo isto, estou falando do nítido líder político que ele é hoje — sereno, dialogador, mas firme nos princípios. Ele, que poderia se acomodar no Senado, preferiu assumir a responsabilidade de levar adiante o projeto iniciado pelo pai, mesmo em meio a perseguições e desafios.
É sobre isso, senhores: o homem que representa a transição do leão que ruge para o príncipe que constrói, que ri como sábio e chora pelos oprimidos do seu povo como um legítimo filantropo.
Flávio Bolsonaro não é perfeito, mas certamente carrega a bênção do legado familiar e divino que move o conservadorismo brasileiro.
E nós, cristãos ou não, bolsonaristas ou não, mas como brasileiros, somos beneficiados por essa graça que se renova.
A questão é, será que nós, no ápice dessa descoberta, de que nunca fomos um país realmente livre e independente: que sempre fomos alijados dos direitos fundamentais, como educação, saúde e segurança, estaríamos prontos para essa maximização da nossa essência recém-descoberta, ou preferimos continuar nos digladiando e nos destruindo?
Nosso "Moisés" está doente e preso, e não vai viver para sempre. Não seria a hora de honrar o seu esforço hercúleo e sua liderança, nos unindo para atravessarmos esse "mar vermelho"?
O que se pode constatar nesses últimos anos é que, dentre tantos outros vértices surpreendentes, ainda havia um grande segredo encoberto desse novo élan político-social criado por Bolsonaro( Bolsonarismo): a sua capacidade de se reinventar, crescer numérica e politicamente, mesmo em tempos de intensa perseguição.
E hoje, com Flávio, isso se confirma pelas recentes pesquisas que mostram sua ascensão. Depois de todo esse tempo estranho e opressor que vivemos, nao poderíamos perder tudo que ajudamos a construir. E graças a Deus, a partir do anúncio de Bolsonaro delegando ao seu filho o posto de sucessor, as coisas veem acontecendo e aquele movimento patriótico que teve seu ápice em 2018, tem um retorno apoteotico sete anos depois. Saúdem, reverenciem o Bolsonarismo 2.0. Saúdem o próximo presidente do Brasil: Flávio Bolsonaro.
Sérgio Júnior