
(Partículas de um ideal indecifrável)
Um fenômeno é, por si só, difícil de explicar. Encanta, assusta, surpreende e incomoda. Logo, explicar Bolsonaro não é uma tarefa simples. Há algo transcendente que o adorna e o faz ainda mais admirável. É que ele parece usar o tempo a seu favor para dissolver os estereótipos e as caricaturas que se formaram a seu respeito. E faz isso sem pressa, com a simplicidade de um garoto e com a humildade de um sábio ancião; como se isso fosse algo acessível a qualquer pessoa.

Essa maneira de se contrapor às injustiças vividas é uma angústia para nós, seus admiradores, mas, para seus algozes, como um diploma apostilado da inferioridade deles. Portador de uma dádiva indecifrável com adjetivos coloquiais, Jair trafega entre o ontológico e o deontológico. Numa rara mistura de carisma e conexão, com potência de agir e coragem de expressar.
E é exatamente por essa multifacetada expressão de sua persona que ele consegue falar ao coração de vários estratos sociais ao mesmo tempo.
Por isso suscita um élan, uma motivação, e inspira mudanças sociais e culturais.A sua voz de leão com seu olhar de cordeiro agora estão sufocados, arranhando o timbre mais amado e falado do Brasil desses últimos anos. Isso também é outro grande feito.
Se há cansaço e indignação com tanta crueldade, há ainda mais glória no fato dele não se importar de sofrer essa implacável perseguição; por entender que isso é uma “missão de Deus” e que seu sofrimento “serviu para amadurecer muita gente”.
Se já havia sido confirmado que @jairbolsonaro é um cidadão brasileiro que age e vive pelo fulcro sacrificial e não teme a própria morte, isso ficou ainda mais evidente após o seu afastamento da sociedade.
Sua solidariedade, amor ao próximo e postura de entrega pessoal, são questões que transcendem a política. E Bolsonaro vai além.
Os espasmos do presidente se conectam com as dores de pais, mães e filhos que estão vivendo os piores momentos de suas vidas, vendo seus familiares presos e condenados a penas inconcebíveis. Todos juntos clamando por Anistia.
Esse suplício, que ecoa nas matérias de jornais que só agora reconhecem que os algozes dele ultrapassaram todos os limites, além de atravessar o oceano e ser traduzido para outras línguas; também atravessou as nebulosas de Órion e viajou em direção ao trono do Todo-Poderoso.
O Deus que tudo vê certamente se encarregará de dar a resposta cabal a seu tempo.
O homem que percorreu o Brasil arrebatando multidões, levando ânimo, alegria e motivação, hoje definha numa sala isolada.
Sua dor? A paixão de amar loucamente uma nação e de se submeter a sofrimentos por isso. Meu amigo, isso é de uma nobreza ímpar.
Portanto, é inócua e contraproducente qualquer maximização de crueldade e humilhação contra alguém com propósito, que já conseguiu sair de si e se multiplicar em tantos outros corações. Estes, que já carregavam uma centelha desconhecida, a partir do encontro com seu líder, receberam um novo propósito de vida. E parecem não querer abrir mão disso.
O martírio, a humilhação e o destrato, são características conhecidas das pessoas que, inconformadas com a exposição de suas fraquezas ao público, tiraram de si o mais amargo numa frustrada tentativa de fazer desaparecer um corajoso herói que os desafiou.
O homem Jair Bolsonaro, que agora agoniza distante de seus filhos, amigos e admiradores, já se consagrou para a história como um (khárisma) — presente dos céus. O envelope já foi aberto e o conteúdo, totalmente espalhado. Logo, é inútil qualquer esforço de tentar apagá-lo. E serve até de manual de refino de estratégia para quem carrega a tocha que foi acesa por ele. Seus filhos estão aí e não me deixam mentir.
Não é mais sobre ser um estadista ou merecer o Nobel da Paz.
É sobre viver e morrer por um ideal que uma cela não pode conter.
É como o efeito do observador no “experimento da dupla fenda”: basta olhar, muda de direção e de ritmo — mas permanece lá, intrigando quem tenta detê-la.
Sérgio Júnior