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O Barão do Mar: O que é verdade na relação de Michel Temer com o Porto de Santos

O decreto do Porto político.

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
20/09/2025 às 04h13 Atualizada em 20/09/2025 às 04h32
O Barão do Mar: O que é verdade na relação de Michel Temer com o Porto de Santos

O BARÃO DO MAR: PORTO DE SANTOS E MICHEL TEMER 

 

A relação entre Michel Temer, a Rodrimar e o Porto de Santos é um caso complexo que envolve denúncias de corrupção, favorecimento político e um esquema que, segundo investigações, operou por décadas. 

O Porto de Santos e sua relevância

O Porto de Santos, localizado em São Paulo, é o maior porto da América Latina e um dos mais estratégicos do Brasil, responsável por grande parte do comércio exterior do país. Ele é administrado pela Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), uma empresa pública. Por sua importância econômica, o porto sempre foi alvo de interesses políticos e empresariais, com concessões de terminais sendo objeto de disputas e denúncias de corrupção.

O QUE É A RODRIMAR?

A Rodrimar é uma empresa de logística portuária que opera terminais no Porto de Santos desde a década de 1990. Seu dono, Antônio Celso Grecco, é uma figura central no caso, com laços próximos a políticos influentes, incluindo Michel Temer.

Michel Temer e o Porto de Santos: Uma relação antiga

Michel Temer, ex-presidente do Brasil (2016-2018), tem uma longa história de influência no Porto de Santos, que remonta aos anos 1990, quando era deputado federal pelo PMDB (atual MDB). Santos e a Baixada Santista são redutos eleitorais de Temer, e ele sempre teve forte atuação política na região. As denúncias apontam que ele usou essa influência para beneficiar aliados e empresas, incluindo a Rodrimar, em troca de vantagens financeiras.

Primeiros indícios (década de 1990)

- 1995

Temer indicou Marcelo Azeredo, ex-marido de Maria Cláudia Guimarães (uma delatora posterior), para presidir a Codesp. Segundo investigações, essa nomeação marcou o início de um esquema de favorecimento no porto, com contratos direcionados a empresas específicas, como a Rodrimar.

- 2004

O caso ganhou visibilidade quando Maria Cláudia, em uma ação de pensão alimentícia contra Azeredo, revelou detalhes de um suposto esquema de corrupção no Porto de Santos. Ela mencionou Temer e seu amigo próximo, João Batista Lima Filho (o Coronel Lima), como figuras centrais. Lima, dono da Argeplan (empresa de arquitetura e engenharia), seria um operador financeiro de Temer, recebendo propinas e gerenciando recursos ilícitos.

Modus operandi

As investigações apontam que o esquema envolvia:

Concessões portuárias:

Contratos de longo prazo para operar terminais no porto eram concedidos a empresas aliadas, muitas vezes sem licitação ou com processos viciados.

Propinas disfarçadas: 

Pagamentos eram feitos por meio de doações eleitorais, contratos fictícios com empresas de fachada (como a Argeplan) ou depósitos em contas de laranjas.

Influência política: 

Temer, como figura influente no PMDB, articulava nomeações estratégicas na Codesp e no governo federal para manter o controle sobre o porto.

O Decreto dos Portos (2017): O epicentro do escândalo

O ponto alto do caso foi o Decreto nº 9.048/2017, assinado por Temer em maio de 2017, quando ele era presidente. Conhecido como "Decreto dos Portos", ele alterou regras do setor portuário, permitindo:

- Prorrogação de contratos de concessão de 25 para até 70 anos.

- Renovação de contratos sem licitação, beneficiando empresas já estabelecidas, como a Rodrimar.

Por que isso é importante?

- A Rodrimar, que tinha concessões no Porto de Santos desde 1993, estava em litígio com a União para renovar seus contratos, que expirariam em breve. O decreto de Temer permitiu que a empresa continuasse operando sem concorrência, garantindo lucros significativos.

  • A PF e o Ministério Público Federal (MPF) investigaram se o decreto foi feito sob medida para beneficiar a Rodrimar e outras empresas, como o grupo Libra, em troca de propinas.

Provas e denúncias

Reunião com Grecco: 

Antônio Celso Grecco, dono da Rodrimar, relatou à PF uma reunião com Temer (então vice-presidente) em 2013, onde discutiram a renovação de uma concessão no porto. Temer teria dito: "Vou ver o que posso fazer."

Pagamentos suspeitos:

 - A PF identificou uma doação de R$ 1 milhão da Rodrimar ao PMDB em 2014, considerada suspeita de ser propina disfarçada.

- Empresas ligadas a Temer, como a Argeplan, receberam pagamentos de grupos portuários, supostamente por serviços não prestados.

Delatores

Além de Maria Cláudia, outros delatores, como executivos da JBS, reforçaram as acusações, apontando que Temer recebia "mesadas" de empresas favorecidas no porto.

Operação Skala (2018): Prisões e investigações

Em março de 2018, a PF deflagrou a Operação Skala, no âmbito do Inquérito dos Portos, autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 A operação mirou o núcleo próximo a Temer:

- Presos

Antônio Celso Grecco (Rodrimar), João Batista Lima Filho (Argeplan), José Yunes (ex-assessor de Temer) e outros aliados.

- Objetivo

Investigar um "grupo criminoso" que operava no Porto de Santos há mais de 20 anos, envolvendo Temer, aliados políticos e empresários.

- Conclusões da PF: 

O relatório final, concluído em 2018, apontou que:

 - Temer liderava o esquema, usando sua influência para beneficiar empresas como a Rodrimar.

 - O Decreto dos Portos foi a culminação de um sistema de corrupção que movimentou bilhões em contratos.

- Havia um "acordo de vontades" entre Temer, Grecco e outros para favorecer a Rodrimar.

Desdobramentos e desfecho

- Temer preso (2019): 

Em março de 2019, Temer foi preso preventivamente pela Lava Jato, acusado de liderar uma organização criminosa que desviou até R$ 1,8 bilhão, incluindo o caso dos portos. Ele foi solto dias depois por decisão judicial, mas o caso marcou sua imagem pública.

- Arquivamento parcial: 

Em 2021, o STF arquivou partes do inquérito contra Temer por falta de provas conclusivas de crimes durante seu mandato presidencial. No entanto, as investigações sobre atos anteriores continuaram em instâncias inferiores.

- Impacto da Rodrimar: 

Apesar das denúncias, a Rodrimar negou irregularidades, afirmando que o Decreto dos Portos não a beneficiou diretamente, já que seus contratos ainda estavam em disputa judicial. Mesmo assim, a empresa permaneceu sob escrutínio.

 

Pontos-chave do esquema

1. Longevidade

O esquema teria operado por mais de 20 anos, desde os anos 1990, com Temer como figura central.

2. Rede de aliados: 

Envolvia políticos (PMDB), empresários (Rodrimar, Libra) e operadores (Coronel Lima, Argeoperadoresl

3. Porto de Santos como epicentro: 

O porto era uma "mina de ouro" para contratos bilionários, com concessões sendo usadas como moeda de troca.

4. Propinas sofisticadas:

Pagamentos eram camuflados como doações eleitorais ou contratos fictícios, dificultando rastreamento.

- Temer: 

Sempre negou as acusações, afirmando que o Decreto dos Portos visava modernizar o setor e que não houve favorecimento. Ele alega perseguição política.

- Rodrimar: 

A empresa nega ter pago propinas e diz que o decreto não a beneficiou diretamente, já que suas concessões ainda dependiam de decisões judiciais.

- PF e MPF: 

Sustentam que havia um "sistema criminoso" estruturado, com Temer no topo, e que o Porto de Santos era um dos principais pontos de corrupção.

Por que o caso é relevante?

O escândalo do Porto de Santos expôs como o controle político sobre infraestruturas estratégicas pode ser usado para beneficiar interesses privados. Ele também revelou a complexidade de esquemas de corrupção no Brasil, envolvendo doações eleitorais, nomeações políticas e contratos de fachada. Apesar do arquivamento parcial, o caso manchou a reputação de Temer e reforçou a percepção de que o Porto de Santos é um foco histórico de irregularidades.

 

Sérgio Júnior 

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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

Site do autor na Amazon.

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