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REMÉDIO PARA A EPIDEMIA DE DESCONFIANÇA NO BRASIL NO BRASIL

Voto Auditável

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
01/09/2025 às 08h04 Atualizada em 01/09/2025 às 10h00
REMÉDIO PARA A EPIDEMIA DE DESCONFIANÇA NO BRASIL NO BRASIL

REMÉDIO PARA A EPIDEMIA DE DESCONFIANÇA NO BRASIL: O VOTO AUDITÁVEL 

 

Atualmente, fala-se muito em Anistia ampla, geral e irrestrita, como metodologia essencial para reequilibrar os poderes da República e como remédio para a pacificação social do Brasil, que desde 2013, convulsiona em busca de ser ouvido. Sem querer desmerecer o projeto de Anistia, acredito que, embora seja um pensamento profícuo e sociologicamente inteligente, não solucionará o problema da crise brasileira. Pelo menos não em sua essência:a desconfiança. Há quem diga que uma Anistia sem o impeachment de Moraes não vai remediar a crise institucional. Eu vou além: sem o voto auditável, nada feito.

O Brasil vive uma crise política e institucional de proporções históricas, marcada por polarização, violações de direitos humanos e um autoritarismo estatal que ameaça a democracia. No cerne dessa crise está a desconfiança crônica no sistema eleitoral, enraizada em episódios de fraudes que remontam ao Império e à Primeira República, agravada por eventos como o Caso Proconsult de 1982, e intensificada desde 2014 até os desdobramentos das eleições de 2022. Figuras políticas proeminentes, como Carlos Lupi, Aécio Neves e Flávio Dino, expressaram, em diferentes momentos, preocupações com a transparência e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, reforçando a necessidade de um mecanismo que restaure a confiança pública. A ausência do voto auditável com impressão, aprovado pelo Congresso em 2015, mas vetado, é a causa central dessa erosão de confiança. Somente a adoção de um sistema auditável, como já praticado em democracias exemplares como Alemanha, Canadá e Austrália, pode extirpar a desconfiança popular, restaurar a legitimidade das instituições e evitar a escalada de conflitos que hoje opõem o Estado a setores da sociedade, como os apoiadores de Jair Bolsonaro, punidos por questionar a lisura eleitoral.

 

Um Legado de Fraudes e Desconfiança

 

A desconfiança no sistema eleitoral brasileiro é um problema histórico, alimentado por fraudes documentadas ao longo de séculos. Durante o Império (1822-1889), as “Eleições do Cacete” no Segundo Reinado ilustram a manipulação generalizada, com liberais usando violência e fraudes, como cédulas falsificadas e intimidação de eleitores, para garantir vitórias. A Primeira República (1889-1930) aprofundou esse cenário com práticas como o “voto de cabresto”, onde coronéis coagiam eleitores por meio de violência, troca de favores e “votos fantasmas” (registros de pessoas falecidas ou inexistentes). A “degola”, outra fraude comum, permitia que a Comissão Verificadora de Poderes excluísse candidatos opositores, manipulando resultados para favorecer elites locais. Em 1922, a eleição de Artur Bernardes foi marcada por acusações de fraudes e fake news, com opositores questionando a vitória devido à ausência de controles confiáveis.

 

Um caso emblemático ocorreu em 1982, durante a redemocratização, no chamado Caso Proconsult. Na eleição para governador do Rio de Janeiro, a empresa Proconsult, contratada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), manipulou a contagem de votos, desviando votos de Leonel Brizola (PDT) para Moreira Franco (PDS), apoiado pelos militares. Votos em Brizola foram anulados, e votos nulos foram atribuídos a Franco. A fraude só foi descoberta por contagens paralelas da imprensa e denúncias de observadores, como Ronaldo Lanzelotti, que relatou práticas como o uso de canetas escondidas sob unhas para adulterar cédulas. Após recontagens, Brizola foi declarado vitorioso, mas o episódio consolidou a percepção de vulnerabilidade do sistema manual e a necessidade de maior transparência.

 

Carlos Lupi, presidente do PDT e aliado de Brizola à época, testemunhou o Caso Proconsult e expressou publicamente sua desconfiança no sistema eleitoral, afirmando que a manipulação de votos era uma prática real e que a ausência de mecanismos auditáveis permitia tais fraudes. Em 2023, Lupi foi citado por Jair Bolsonaro em sua defesa no STF, onde afirmou que "sem impressão do voto é fraude", reforçando sua posição histórica em favor do voto auditável. Aécio Neves, em 2014, após sua derrota na eleição presidencial, questionou a integridade das urnas eletrônicas, apontando a falta de auditoria física como uma falha que alimentava dúvidas sobre os resultados. Flávio Dino, entre 2009 e 2013, criticou a segurança das urnas eletrônicas, especialmente após sua derrota na eleição para governador do Maranhão em 2010, quando sugeriu que foi vítima de um sistema vulnerável a fraudes, citando estudos que apontavam fragilidades nas urnas.

https://www.estadao.com.br/estadao-verifica/flavio-dino-tuites-urnas-eletronicas/

https://oglobo.globo.com/politica/noticia/2025/06/10/bolsonaro-leva-a-depoimento-no-stf-roteiro-de-videos-com-mencao-a-dino-rodrigo-maia-e-ciro-nogueira-veja.ghtml

https://www.migalhas.com.br/quentes/432311/bolsonaro-diz-que-dino-desconfiou-das-urnas-em-2010

Esses episódios, somados a outros, como as fraudes de 1994 no Rio de Janeiro, onde urnas foram encontradas com cédulas preenchidas na mesma caligrafia e lacres violados, reforçam a fragilidade de sistemas sem auditoria física. A história brasileira demonstra que a ausência de mecanismos auditáveis, como o voto impresso, sempre alimentou desconfiança e instabilidade.

 

O Voto Auditável: Uma Solução Sabotada

Em 2015, o Congresso aprovou a Lei 13.165, instituindo o voto auditável com impressão, permitindo que eleitores conferissem seus votos em registros físicos depositados em urnas para recontagem. Esse modelo, adotado em democracias robustas, garante transparência absoluta.

- Na Alemanha, votos em cédulas de papel são contados manualmente com supervisão pública, eliminando dúvidas sobre os resultados.

- No Canadá, cédulas escaneadas podem ser verificadas manualmente em caso de disputa, assegurando confiança.

- A Austrália utiliza votação manual com recontagem pública, enquanto a Suíça combina votação eletrônica com registros físicos auditáveis.

Esses sistemas provam que a auditoria física é viável e essencial para a legitimidade eleitoral. No Brasil, porém, o veto da então presidente Dilma Rousseff e a decisão do STF em 2018, que declarou o voto auditável inconstitucional sob o pretexto de violar o sigilo do voto, bloquearam essa solução. Essa rejeição foi um erro catastrófico, perpetuando a desconfiança e agravando a crise atual.

 

A Crise Pré-2022: Um Sistema Sob Suspeita

Antes das eleições de 2022, a polarização atingiu níveis críticos, com Jair Bolsonaro intensificando críticas ao sistema eleitoral, ecoando preocupações históricas como as de Brizola em 1982, Lupi, Aécio Neves e Flávio Dino em períodos anteriores. A população já era cética devido ao passado de fraudes. O TSE, sob Luís Roberto Barroso e Alexandre de Moraes, respondeu com medidas como as Resoluções 23.610 e 23.714, que restringiam conteúdos considerados desinformativos, e parcerias com plataformas digitais para monitoramento. Essas ações, justificadas como defesa da democracia, foram vistas como censura, reforçando a percepção de autoritarismo. A violência política também explodiu, com 714 casos registrados entre novembro de 2022 e outubro de 2024, incluindo 182 assassinatos, evidenciando como a desconfiança eleitoral alimenta tensões sociais.

 

Pós-2022: A Repressão e a Urgência do Voto Auditável

As eleições de 2022, que elegeram Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra Jair Bolsonaro (PL), marcaram o ápice da crise. Bolsonaro, sem reconhecer explicitamente a derrota, questionou o sistema eleitoral, enquanto seus apoiadores, movidos por décadas de desconfiança, organizaram protestos em todo o Brasil durante 2 meses, exigindo intervenção militar. O 8 de janeiro de 2023, com a invasão do Congresso, STF e Palácio do Planalto, foi a consequência direta dessa crise de legitimidade.

A resposta do governo Lula e do STF foi draconiana: mais de mil manifestantes presos, Bolsonaro declarado inelegível até 2030, e inquéritos por tentativa de golpe foram abertos. A censura de conteúdos e prisões por “desinformação” intensificaram a percepção de repressão estatal. O voto auditável teria evitado esse colapso.

Países como a Noruega, com cédulas impressas verificadas publicamente, mostram que sistemas auditáveis dissipam dúvidas e legitimam resultados mesmo em contextos polarizados. No Brasil, a ausência de um mecanismo semelhante transformou questionamentos legítimos, como os de Lupi, Aécio e Dino, em acusações de fraude, culminando em violência e repressão. A implementação do voto auditável é, portanto, a única solução capaz de prevenir crises futuras.

 

A Necessidade Absoluta do Voto Auditável

A repressão pós-8 de janeiro, com prisões em massa e censura online, é apontada como violação de direitos humanos. A Lei 14.197/2021, que regula crimes contra o Estado Democrático de Direito, foi aplicada de forma seletiva, visando opositores do governo. Um sistema auditável, como o da Alemanha ou Austrália, teria dado aos brasileiros a certeza de que seus votos foram contados corretamente, reduzindo tensões e a percepção de parcialidade institucional. A história, do Caso Proconsult às fraudes do Império, prova que sistemas sem auditoria física são vulneráveis e corroem a democracia.

 

O Voto Auditável: A Única Saída para a Democracia

O voto auditável não é apenas uma solução técnica, mas a pedra angular para salvar a democracia brasileira. Ele oferece transparência inquestionável, permitindo que eleitores e candidatos verifiquem resultados de forma independente. A experiência de democracias como Alemanha, Canadá, Austrália, Suíça e Noruega demonstra que sistemas auditáveis são viáveis, eficazes e indispensáveis para a confiança pública.

No Brasil, a rejeição do voto auditável foi uma escolha deliberada que perpetuou a desconfiança, alimentada por fraudes históricas como o Caso Proconsult e as práticas da Primeira República, além das preocupações expressas por figuras como Carlos Lupi, Aécio Neves e Flávio Dino. Implementá-lo agora é a única forma de quebrar o ciclo de polarização, violência e autoritarismo, devolvendo ao povo a certeza de que sua vontade eleitoral é respeitada.

 

Conclusão

A crise política e institucional do Brasil, agravada por violações de direitos humanos e autoritarismo estatal, tem raízes na desconfiança do sistema eleitoral, alimentada por fraudes históricas como as do Império, da Primeira República e o Caso Proconsult de 1982, quando Brizola enfrentou manipulações evidentes, conforme relatado por Carlos Lupi. Aécio Neves, em 2014, e Flávio Dino, entre 2009 e 2013, também levantaram preocupações sobre a transparência eleitoral, reforçando a necessidade de reformas. A rejeição do voto auditável em 2015 foi um erro gravíssimo que minou a legitimidade das instituições e culminou nos conflitos de 2022 e 2023. A adoção do voto auditável é a única solução para eliminar a desconfiança, restaurar a confiança popular e fortalecer a democracia, evitando que a repressão estatal e a polarização destruam o tecido social brasileiro.

 

Sérgio Júnior

 

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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

Site do autor na Amazon.

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