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DISPUTANDO CARNIÇA

O narco-domínio parece estar com os dias contados na América Latina. Enquanto isso, a “direita permitida” disputa a herança de um homem vivo.

Walter Biancardine
Por: Walter Biancardine
26/08/2025 às 12h03
DISPUTANDO CARNIÇA

Enquanto o poderio bélico dos Estados Unidos avança na costa venezuelana, seu narco-ditador esconde-se em um bunker, cenário de filmes B da sessão da tarde, pedindo socorro ao governo Lula – sócio, cúmplice e próximo da lista norte-americana.

Ações patéticas, que mais parecem comédia pastelão ou um episódio do seriado Chaves – convocação de voluntários para as milícias, cuja média de idade é da idade média – bem como prodigioso surto de promoções ao generalato (qualquer um que se aproxime de Nicolás Maduro ganha, imediatamente, as estrelas de general) e uma ridícula “barqueata”, à guisa de “forças navais venezuelanas” – umas quinze ou vinte traineiras, lanchas e botes, pretendendo intimidar toda a US Navy – servem apenas como trilha sonora de um filme “trash” que, infelizmente, envolve vidas humanas.

Analisemos as peças deste jogo: Maduro reconhece que não tem saída e busca esconder-se no Brasil, ou se valer da conivência do atual governo para, daqui, refugiar-se em algum país que o aceite. Enquanto isso, nossa narco-ditadura sabe que será o próximo alvo, mas se vê em uma situação irreversível: não pode negar socorro ao sócio, chefe de cartel venezuelano, e tem – já denunciada por Eduardo Bolsonaro – extensa lista de crimes contra os direitos humanos, repressão à liberdade de expressão, milhares de prisões ilegais, torturas psicológicas e até mortes no cárcere, tudo isso perpetrado por cúmplices de toga que se valem – supostamente – da lei para um descarado processo de perseguição política, eliminação de adversários e até um virtual fechamento do Congresso, uma vez que os líderes de ambas as casas obedecem cegamente os arbítrios do STF por medo e um secreto desejo de sociedade na atual ditadura brasileira.

Lula sabe, Alexandre de Moraes sabe, Toffoli sabe, Flávio Dino também e, até, os prudentemente escondidos Barroso, Fachin e Lewandowski sabem: se Maduro for capturado e abrir a boca, a brincadeira do “porta-aviões no lago Paranoá” se tornará realidade. Mas não se iludam: o sistema – sim, aquele, o que o Capitão Nascimento corretamente adjetivou – também sabe, e toma suas providências a toque de caixa, pois desconfia que o desfecho será mais rápido que nossa preguiça tropical e malemolente permita e saiba lidar.

Deltan Dallagnol se tornou uma espécie de “guia” das ações do sistema com sua máxima “precisamos descolar do Bolsonaro sem perder os votos bolsonaristas” – e aí entram personagens oportunistas como Ronaldo Caiado, Romeu Zema e até o positivista Tarcísio de Freitas, reunidos em um mesmo palanque e eufóricos, a se apresentarem como únicas escolhas “conservadoras” para 2026, já que Jair Bolsonaro está ilegalmente preso.

Sim, eles disputam aquilo que já se tornou uma frase famosa – a “herança de um homem vivo” – demonstrando o claro desespero do sistema em estar no poder no momento em que os US Mariners apontarem seus canhões para o Brasil. Creem, as bestas, que poderão “negociar” com Trump e salvar seus “esquemas, conchavos, acordos e jeitinhos”, preservando todo o sistema e ainda saindo como verdadeiros heróis, libertadores que livraram o país das garras da narco-ditadura esquerdista – ah, sim: e com uma pequena ajuda de Trump. Mas só uma ajudinha, nada de mais.

O “sistema” não tem ideologia: tem umbigo, e só nele presta atenção. Cabe notar, entretanto, que os personagens que o compõem foram todos criados no caldo de cultura do conceito esquerdista de “brasileiro típico”, imposto desde os idos da Semana de Arte de 1922: um misto de Macunaíma com Jeca Tatu, embora neguem este último de maneira veemente e soberba.

Sim, todos eles creem-se “malandros demais” e medem os outros – inclusive outras culturas, outros valores, outros princípios – por sua própria e suja régua, incluindo Donald Trump e Marco Rubio (anotem este nome) como seus iguais e, portanto, passíveis de “negociações” – uma versão mais sofisticada do entendimento de Lula, que se gabava resolver o conflito Rússia X Ucrânia “tomando umas cervejinhas no bar” com Putin e Zelenski. A diferença, acreditam tais beócios, seria apenas a bebida e o ambiente. Que tal uns uísques em salas refrigeradas, rodeados por maletas de dinheiro, contratos vantajosos e secretárias sedutoras e solícitas?

O fato é que os indícios apontam para uma queda iminente do sistema, e que poderá respingar seriamente – Deus permita – no Brasil. Não se pode estimar quanto tempo levará, nem se Maduro continuará vivo para abrir a boca (sempre é bom lembrar Celso Daniel) mas, enquanto isso, a debochada festa de Caiado, Zema e Tarcísio segue a todo vapor.

Tudo o que precisamos é que o brasileiro – qualquer brasileiro, você inclusive – vá às ruas e demonstre sua insatisfação; que o povo pressione o Congresso a tal ponto que esta pressão supere temores e acordos internos, pois de nada adianta aplaudirmos Trump sentados no sofá da sala: ele, sem contar com nossa legitimação explícita, nada poderá fazer – e, muito menos, deputados e senadores, sempre “abertos a negociações”.

Jamais vivemos tempos tão oportunos para impormos total pressão contra esta narco-ditadura que nos sufoca e envergonha.

Falta sairmos do sofá e irmos às ruas.



Walter Biancardine

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Walter Biancardine
Walter Biancardine é jornalista, ex-aluno de Olavo de Carvalho, autor de seis livros e já trabalhou em jornais, revistas, rádio e TV.
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