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Brasil: Uma República Folclórica

Lula: o Boi-Bumbá

Sérgio Júnior
Por: Sérgio Júnior
29/07/2025 às 18h52
Brasil: Uma República Folclórica

Brasil: Uma República Folclórica (Lula, o Boi-Bumbá das Promessas Vãs)

 

No Brasil, a política é um terreiro de festa onde o folclore se mistura com a desilusão, e Luiz Inácio Lula da Silva, em seu terceiro mandato iniciado em 2023, é o mestre de cerimônias de um espetáculo de promessas que nunca saem do palco. Aos 79 anos, Lula encarna o Boi-Bumbá-Meu-Boi, um personagem que encanta com carisma, mas cuja dança está manchada por décadas de juras não cumpridas. O Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal (STF) completam o elenco, contribuindo para um auto político onde a teatralidade muitas vezes encobre a ineficiência. 

 

Lula, o Boi das Promessas Que Não Se Cumprem

 

Lula é o rei do terreiro, mas seu reinado é construído sobre narrativas que prometem mais não entregam. Em sua posse de 2023, ele repetiu o velho refrão: 

“Se, ao final do meu mandato, todos os brasileiros tiverem a possibilidade de tomar café da manhã, almoçar e jantar, terei cumprido a missão da minha vida.” 

A frase, ecoada desde 2003, é um clássico do folclore político, mas a realidade não é nada poética. Ao dizer aos 4 cantos do mundo que 33 milhões de brasileiros ainda enfrentavam insegurança alimentar grave, Lula está afirmando que eram metáforas os programas sociais de seus governos anteriores. A promessa de erradicar a fome, tão repetida, tornou-se um causo que o povo ouve com ceticismo, como uma lenda que nunca se materializa. É uma mula-sem-cabeça.

 

Seus atos públicos são puro teatro. Em 1º de maio de 2022, Lula subiu em um carro de som na Praça Charles Muller, em São Paulo, para discursar no Dia do Trabalhador, evocando sua aura de líder sindical. As imagens, com bandeiras vermelhas e gritos de apoio, são um clássico do cordel petista, mas as promessas de direitos trabalhistas renovados esbarram em números decepcionantes. 

 

Em 2017, ele inflou a criação de empregos formais em seus mandatos, citando 22 milhões quando os dados apontam 15,4 milhões. A formalização de 6 milhões de MEIs, que ele celebrou, mascara a precariedade de muitos microempreendedores, que lutam sem benefícios ou estabilidade. Esses exageros são o cerne de sua folclorização: Lula vende sonhos, mas entrega mitos, narrativas, figurinos.

 

Um dos episódios mais infames foi em 2010, durante a campanha para eleger Dilma Rousseff. Lula apareceu em um programa eleitoral mostrando uma “casa” do Minha Casa, Minha Vida, supostamente habitada por uma família beneficiada. A revelação de que o cenário era um estúdio cenográfico, com móveis falsos, virou símbolo de sua tendência a encenar conquistas. Esse teatro, longe de ser um deslize isolado, reflete uma estratégia recorrente: criar imagens que encantam, mas desmoronam sob escrutínio. 

 

Em 2025, no 60º Congresso da UNE, ele prometeu 782 novos Institutos Federais até 2026, contrastando com os 140 construídos pela “elite” em um século. A plateia aplaudiu, mas a falta de detalhes sobre financiamento e execução sugere mais um verso de cordel sem desfecho.

 

O Congresso, a Roda dos Interesses Mesquinhos

 

O Congresso Nacional é a roda de dança onde o boi de Lula tropeça em interesses alheios, mas a culpa é dividida. Em 2025, Lula vetou o projeto que aumentaria o número de deputados de 513 para 531, posando como defensor do povo contra o desperdício. O gesto, porém, cheira a oportunismo, já que sua base aliada no Centrão, que ele corteja para governar, é parte do mesmo sistema que critica. No 60º Congresso da UNE, ele lamentou a minoria progressista (140 deputados e 12 senadores), pintando o Legislativo como um obstáculo às suas promessas. Mas sua aliança com o Centrão, que garante cargos e emendas, desmente a narrativa de um líder contra as elites. O Congresso, assim, é um palco de negociatas disfarçadas de folclore, onde Lula dança com parceiros que ele próprio escolhe.

 

Num momento de encenação coletiva, Lula, ao lado de Arthur Lira e Rodrigo Pacheco, caminhou pelo Planalto em um gesto de “defesa da democracia”. As imagens, com vidraças quebradas ao fundo, foram vendidas como união nacional, mas o evento mascarou as tensões entre os poderes. Lula usou o palco para reforçar sua narrativa de vítima de um sistema golpista, enquanto o Congresso, dividido entre aliados e opositores, jogava para a plateia. O espetáculo foi folclórico, mas a governabilidade continua refém de acordos que pouco têm de heroicos.

 

O STF, o Oráculo Cúmplice

 

O Supremo Tribunal Federal, longe de ser um árbitro imparcial, é um oráculo que dança ao som do terreiro político. Em 8 de janeiro de 2023, após os ataques aos Três Poderes, Lula e o ministro Alexandre de Moraes apareceram juntos em um ato simbólico de “remoção de barreiras” no STF. As grades danificadas foram retiradas em uma cerimônia televisionada, com ambos posando como guardiões da democracia. O gesto, embora visualmente poderoso, era puro folclore: as barreiras físicas foram removidas, mas as divisões políticas permaneceram intocadas. A proximidade de Lula com Moraes, é vista como evidência de um STF alinhado ao Executivo, alimentando a percepção popular de um tribunal que atua como coadjuvante do boi.

 

A nomeação de Flávio Dino como ministro do STF, em 2023, é outro capítulo dessa trama. Lula, em um ato público no Planalto, celebrou Dino-comunista como um reforço à democracia, mas a escolha de um ex-ministro da Justiça leal ao governo reforça acusações de partidarismo. 

 

A anulação das condenações de Lula na Lava Jato, em 2021, sob a justificativa de parcialidade de Sergio Moro, foi um marco folclórico. As imagens de Lula deixando a prisão em 2019, cercado por militantes, tornaram-se um ícone de sua ressurreição, mas a decisão do STF, influenciada por indicados de governos petistas, é vista como um favor político disfarçado de justiça. O Supremo, assim, não apenas julga, mas participa do cordel, emitindo veredictos que parecem atender ao roteiro do poder.

 

Gran Finale: Entre o Folclore e o Fardo da Realidade

 

Na república folclórica do Brasil, Lula é o Boi-Bumbá das promessas vãs, subindo em carros de som, exibindo casas cenográficas e dançando com o STF para encenar uma democracia que nunca se completa. Suas juras de erradicar a fome, criar empregos e transformar a educação são versos de um cordel que o povo conhece de cor, mas que há décadas não os vê cumpridos.

 

Porém, se o espetáculo se repete, é porque também há uma plateia que aplaude. A cultura, a compreensão e a política brasileira estão presas em um ciclo onde a teatralidade substitui o conteúdo, e onde a expectativa de transformação é constantemente frustrada pela conveniência de manter as aparências. O Congresso negocia, o STF interpreta a Constituição à luz dos ventos políticos, e o Executivo se reinventa em promessas que nunca são novas.

O folclore, neste caso, não é só culpa do boi — mas de todo o curral. A cada eleição, os mesmos personagens ressurgem com novos figurinos, e a sociedade, entre encantada e exausta, volta a dançar a mesma ciranda "da jabuticaba".

 

A saída não virá apenas da crítica ao teatro, mas da coragem de desmontar o palco e exigir política sem maquiagem. Até lá, seguimos nesse auto popular, onde a ilusão se veste de esperança e o futuro continua adiado — como um final de festa que remonta aos tempos do Brasil-Colônia. Com uma única diferença: os colonizadores nascem no nosso próprio país, mas falam a língua da desonestidade. 

 

Sérgio Júnior 

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Sérgio Junior
Sérgio Junior
Sérgio Júnior é um escritor e pensador brasileiro, graduado em artes da teologia, membro n°23 da Academia Internacional de Literatura Brasileira de NY (AILB).
Um romancista ficcional, analista de cenários sociais, poeta e filósofo.
Em 2021 e 2022, disputou os prêmios de destaque literário pela Focus Brasil na AILB, idealizado por Nereide Lima e na premiação "Melhor do Brasil na Europa ", pela revista "High Profile Magazine" na Inglaterra, por causa do sucesso do livro "Eu no seu funeral" lançado pela CRV editora no Paraná.

Recentemente, Sérgio Júnior tem sido notícia em vários portais na internet , por seu livro " O SEGREDO DOS NEGROS VENCEDORES " lançado em 2023.

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