
Depois da ejaculação deleitosa ao condenar e fixar pena de 27 anos de prisão a Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes me lembrou um touro na praça1 após ter derrubado alguns picadores2, aquele olhar misto de bravura e apreensão, expressando: “e o que vem a seguir?”.
Depois de condenar mais algumas pessoas que ainda têm julgamento pelos atos da “trama golpista” de Taubaté, colocar água no chope da anistia e talvez degolar Carla Zambelli, o que sobrará para Alexandre? O que virá a seguir? Mais censura, mais ódio, mais perseguições até não restar ninguém que pense diferente dele?
Pois é, a vida de Alexandre perdeu o sentido após 11 de setembro de 2025. Não haverá mais bajulação da mídia, entrevistas, conviscotes, jantares, afinal, o objetivo foi alcançado: destruir o inimigo Jair Messias Bolsonaro.
Alexandre continuará um pária jurídico, um “democrata” farsante, um violador de direitos humanos e só, e tão somente, um homem. E não qualquer homem, mas aquele que esqueceu o que escreveu em seus livros acadêmicos para ser humilhado pelo Ministro Fux ao relembra-lo.
O ditador de Brasília tem seus dias contados, posto que a missão dada já foi cumprida. Não quero dizer que contados em dias de vida, mas dias de utilidade.
O “sistema” usou da psicopatia3 de Alexandre como parte do plano, entretanto, não me parece que queira manter alguém tão desenfreadamente absolutista no poder, precipuamente por receio de que o feitiço vire contra o feiticeiro e as perseguições, inquéritos e processos voltem-se a aliados que ousem discordar do Führer.
Evidentemente, o “mecanismo” não pretende manter alguém com tanto poder, pois o poder pertence à própria engrenagem e é ela quem dita quem entra ou sai do esquema, quem é o inimigo e quem deve ser expurgado. Não há espaço para divisão de poder, muito menos o risco de perdê-lo para um ex-aliado. É ai que reside a contagem regressiva para Alexandre de Moraes.
E eu fico pensando, será que a destruição patrimonial (sua e da família) e possivelmente de vários de seus colegas de tribunal, o isolamento social, que há de crescer a cada sanção imposta pelo governo americano, o menoscabo perante a sociedade jurídica, a condenação internacional pelas inúmeras violações aos direitos humanos, e, principalmente, a execração perante à população brasileira, a qual não lhe permite sequer tomar um café na padaria sem seguranças armados. Tudo isso valeu a pena, Alexandre? Esse é o preço para “destruir o bolsonarismo”?
Os filhos de Moraes ainda são muito jovens, têm muitos planos para realizar, será que querem ser alijados de bens, vistos, viagens e prestígio em suas carreiras? Eles estão dispostos a pagar o preço pelas decisões do pai?
O que sei é que a sina do touro na praça e dos ditadores é a mesma: morrer. No caso do touro, literalmente, já para Alexandre, diferentemente de seu homónimo da Macedónia, será esquecimento, ou apenas lembrado como alguém que não serve como exemplo.
Fica a reflexão.