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O voto impresso não foi defendido por nós. Aceitemos o resultado. Fim.

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Desde as eleições de 2014 o povo brasileiro reclama das urnas eletrônicas, atribuindo a elas a fraude de resultados como o da eleição de Dilma naquele ano. Imaginávamos que o voto impresso resolveria a questão. Mas não tivemos voto impresso.

O principal questionamento da lisura da eleição de 2014, e que deu asas a inúmeras teorias de conspiração a muitos brasileiros, veio de Aécio Neves, o perdedor da eleição presidencial. Aécio levou a reclamação do resultado ao Tribunal Superior Eleitoral. Contudo, apesar do discurso, a reclamação não tratou de fraudes em urnas eletrônicas, mas de fraude de financiamento eleitoral pela chapa PT/PMDB.

Questionar o resultado dessas eleições debitando única e exclusivamente às fraudes em urnas eletrônicas ou à falta do voto impresso é diminuir um problema que é muito mais amplo do que isso. Outros tipos de fraudes, bem mais decisivas e contundentes, foram praticadas por diversos partidos e candidatos com muito mais poder de influenciar os eleitores e o resultado do que as urnas eletrônicas.

Ainda ontem, 6 de outubro de 2018, candidatos e militantes petistas distribuíam santinhos e materiais de propaganda eleitoral do PT contendo Lula como candidato à presidência da república. A compra de votos continuou acontecendo, a propaganda irregular também permaneceu igual, e destruição de reputações no lugar da construção de propostas teve até mais ênfase do que na eleição anterior, e muitas outras.

O fato concreto é que o brasileiro aceitou passivamente que a justiça eleitoral descumprisse a lei que obriga que haja o voto impresso junto a cada urna eletrônica usada em uma eleição. Muitos até dirão que protestaram, mas foram protestos que não saíram das redes sociais, assim como outros tantos que deveriam ter gerado ação e não mera reclamação.

Durante o ano, quando pessoas diziam nas redes sociais, em especial no Twitter, que “não aceitaremos”, “não acataremos”, “não deixaremos isso ou aquilo”, eu dizia que aceitaremos, acataremos e deixaremos, porque não somos um povo que sabe reagir como se deve. E isso aconteceu sobre diversos assuntos.

Pessoalmente, nunca achei que o voto impresso junto da urna eletrônica fizesse a menor diferença. Faria se ao votar a pessoa recebesse um ticket no qual constariam seus votos para conferência, e se esse ticket fosse depositado em uma urna que pudesse ser aferida, mesmo que por amostragem. Mas um voto que ficaria impresso em um rolo dentro de uma impressora (como é nas máquinas registradores do supermercado) e que provavelmente teria que ser reabastecido a cada x votos, não mudaria nada em coisa alguma. Se alguém se atrevesse a fraudar a urna, fraudar o rolo com os votos impressos não seria o menor problema.

O que temos que fazer agora é aceita o fato de que haverá segundo turno e que nele, novamente, votaremos em urnas eletrônicas e sem o tal voto impresso. Não vale à pena ficar lamentando e conspirando contra fraudes que são apontadas, evidenciadas, porque o TSE não vai anular as eleições.

Se temos algo a reclamar é a fraude da nossa cidadania, incapaz de reagir à altura de acontecimentos comprovadamente graves, e aprender que as redes sociais são ótimas para levantar e debater teses, formar opiniões, discutir assuntos relevantes, mas sozinhas são incapazes de mudar os rumos de um país. Mudar o país requer mais ação do que reclamação.

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