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Temer. Primeiro presidente denunciado, investigado e indiciado no cargo.

Temer. Primeiro presidente denunciado, investigado e indiciado no cargo.E a menos que Gilmar Mendes dê a Michel Temer um habeas corpus preventivo no dia 31 de dezembro de 2018, o atual presidente pode descer a rampa do Planalto e embarcar num veículo da Polícia Federal em direção à sede da mesma no Distrito Federal, sendo acomodado em uma cela digna de chefes de estado, repetindo Lula.

Petistas fazem questão de acusar Temer de golpista, mas não fazem a menor questão de que ele foi aliado, parceiro, companheiro, articulista, beneficiário e cúmplice dos golpes dados pelo PT nos governos Lula e Dilma, em especial nos governos Dilma, dos quais foi o vice-presidente.

Quem não conhece Michel Temer que o compre. O problema é que todo mundo conhece, e não o quer nem por empréstimo, o que dirá comprar. Bom exemplo disso foi dado por Henrique Meirelles que durante sua fracassada campanha eleitoral preferiu falar o nome de Lula do que o de Temer, de quem foi ministro da fazenda até outro dia. Mais do que isso, Meirelles era o candidato do MDB, partido de Temer, à presidência da república.

O futuro desastroso desse governo legitimamente ilegítimo começou no dia que ele assumiu, ainda interinamente, o cargo de presidente da república, quando Dilma foi afastada por 180 dias na aceitação do impeachment pela Câmara dos Deputados.

O governo Temer, do ponto de vista constitucional, foi absolutamente legítimo, sendo respeitado artigo que diz que no caso de afastamento do presidente, quem assume é o vice-presidente. Já a ilegitimidade, no meu ponto de vista, se deu pelo fato de que a própria Dilma já era uma presidente ilegítima, que praticou estelionato eleitoral e usou dinheiro de propina para se reeleger, prática da qual Michel Temer se beneficiou igualmente.

Portanto, o que houve não foi golpe contra a Constituição Federal, mas uma mera briga pelo poder dentro de uma organização criminosa formada por diversas quadrilhas.

A primeira grande “paulada” em Michel Temer veio de Rodrigo Janot enquanto era Procurador Geral da República ao fazer o acordo de delação premiada com Joesley Batista da JBS que gravou clandestinamente uma conversa pouquíssimo institucional com Temer nos subterrâneos do Palácio do Jaburu.

Janot virou vilão, Joesley foi alardeado por Temer como um “notório bandido”, e o governo, usando sua máquina, atacou a legitimidade da denúncia da PGR e a clandestinidade da gravação do dono da JBS. Mas nunca esclareceu de maneira satisfatória o significado de receber um “notório bandido” (que entrou no Jaburu sem sequer ser revistado), fora de agenda, quase 11 da noite e para tratar de assuntos que ele classificou de “institucionais”.

Na sequência disso, veio a revelação da gravação da entrega mala com 500 mil reais por Ricardo Saud, da JBS, Rodrigo Rocha Loures, assessor especial de Temer, em episódio conhecido como “a corridinha da mala”, coisa que apenas o próprio Ricardo Saud explicou de maneira satisfatória em sua delação definindo o dinheiro como pagamento de propina.

O que vimos a partir de então foi o governo derreter junto com o discurso inconvincente de Temer que só não foi indiciado naquele momento porque a maioria garantida na Câmara dos Deputados congelou a denúncia da PGR, e viria a fazer o mesmo novamente em uma segunda denúncia.

Porém, quando pensava estra livre de problemas, veio o famigerado inquérito dos Portos que trata da edição de Medida Provisória pelo governo em claro benefício às empresas que trabalham dentro do Porto de Santos, berço da ascensão política de Michel Temer desde os tempos em que era ligado ao já falecido ex-governador e cacique do MDB Orestes Quércia.

O Inquérito dos Portos só foi adiante porque foi parar nas mãos do ministro Luis Roberto Barroso do STF que desde o início se mostrou disposto a enfrentar o costume da casa de jogar esse tipo de sujeira para debaixo do tapete. Barroso confrontou Temer e as estruturas do governo e do próprio STF para que o inquérito seguisse adiante. Sob desconfiança do público e da imprensa, concedeu à Polícia Federal todas as prorrogações solicitadas, tendo para isso o aval de Raquel Dodge, a atual Procuradora Geral da República. E deu no que deu.

Ontem, a Polícia Federal apresentou a Luis Roberto Barroso os resultados finais do Inquérito dos Portos, recheado de provas materiais, documentais e testemunhais, incluindo aí quebras de sigilos bancários, telefônicos e de e-mail de todos os envolvidos, e indiciou Michel Temer como chefe de uma organização criminosa que recebeu propina para editar Medida Provisória em benefício de “amigos”.

Resta agora saber se Raquel Dodge, de posse de todo o material comprobatório que explicita o processo de corrupção encabeçado por Michel Temer, terá coragem de apresentar a óbvia denúncia que todos esperam, o que terá 15 dias para fazer, e que, se aceita pelo STF, poderá levar Temer e seus aliados – ainda com foro privilegiado – para a prisão.

Não podemos retirar, no entanto, o mérito de ter colocado a economia do Brasil nos trilhos novamente, mérito esse que, na minha avaliação, se deu mais pelo fato da saída do PT do poder do que propriamente pela presença ou capacidade administrativa de Temer, pois mesmo as alardeadas reformas tão necessárias ao desenvolvimento do Brasil foram absolutamente “meia boca”, e as reformas que são realmente estruturantes como a da previdência e a tributária.

O fato concreto é que Michel Temer entrará para a história do Brasil muito diferente do que ele queria. Ao invés de ser lembrado como o presidente que consertou o Brasil deixará para a posteridade como legado ter sido o primeiro presidente denunciado, investigado e indiciado no cargo, correndo o risco também de ser o primeiro a deixar o gabinete presidencial direto para a cadeia. Se Gilmar Mendes deixar.

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MICHEL TEMER E RODRIGO JANOT – ENTRE DENÚNCIAS E MINÚCIAS

NA INFINITA CAPACIDADE DO BRASILEIRO DE SE REINVENTAR, ESTAMOS REINVENTADO O RIDÍCULO.

Tratar do mérito da nova denúncia de Michel Temer é chover no molhado. Basta ver que dê dos denunciados apenas Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco são os únicos que não estão presos, muito provavelmente apenas pelo foro privilegiado. Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, linha de frente dessa facção da ORCRIM, estão presos. Cunha disposto a falar. Geddel do jeito que chora e tem medo dos outros presos da Papuda, não deve demorar para querer falar também.

A parte mais interessante dessa história é que a denúncia não importa, muito menos quem está dentro dela, menos ainda o fato de que outros já estão presos preventivamente, um deles, inclusive, com condenação em primeira instância. Prisões feitas com base em delações e investigações que comprovam os fatos. Prisões que não se sustentariam sem base legal e farto arsenal probatório.

Mas nada disso importa. O que importam são as minúcias.

Ninguém se interessa em discutir que os fatos narrados nessas denúncias são de conhecimento público, muito menos se surpreende com os fatos e personagens. E nem mesmo com a demora com que as denúncias foram feitas ou com a gravidade do que elas revelam.

As pessoas estão preocupadas apenas em defender seus pontos de vista e seus bandidos favoritos. Parece impossível para o brasileiro que possa desprezar a todos em pé de igualdade. A coisa rola sempre no “Janot é bandido, Raquel Dodge vai mudar tudo”, ou “Temer é bandido, mas a economia melhorou”, ou “Aécio é inocente e Joesley é bandido”. Que coisa ridícula.

A realidade é que nada disso se resolverá nas denúncias. São as minúcias que contam, e servem a quem acusa, a quem se defende, e, por incrível que pareça, são usadas por ministros do STF para tratar as acusações de acordo com quem está sendo acusado. Cria-se um clima tenso de desafetuosidade intensa, personalizam-se as imputações de crimes, e vai ficando tudo por isso mesmo.

Hoje temos um congresso que dita a pauta do executivo, um judiciário que se obriga a fazer o trabalho do legislativo e um executivo e um executivo que só atual na área judicial. E dizem que nossas instituições estão se mostrando sólidas, totalmente capazes de passar pelas crises que assolam nossa democracia. Balela.

A história do nosso ridículo começa com o processo de redemocratização, no qual os brasileiros entregaram a chave do cofre para um bandido de nome José Sarney. Aliás, quem não leu ainda Honoráveis Bandidos (Doria, Palmerio – Editora Record) recomendo. A reeleição de Lula logo após o mensalão foi o aprofundamento desse ridículo. E quando pensávamos que o Petrolão seria o ápice, na verdade era só o começo.

O Brasil elegeu e reelegeu Dilma, sob todos os fortes indicativos negativos políticos, econômicos e sociais. Veio a queda de Dilma, e o povo que foi às ruas deu-se por satisfeito de ver seu desejo atendido, mesmo tendo Michel Temer herdado a cadeira dela. E todos sabiam quem era Michel Temer. Se não soubesse bastaria usar o ditado “diga-me com quem anda…” que chegaria a uma conclusão óbvia.

Dilma Rousseff não caiu por pressão do povo, mas pela conveniência da ORCRIM do PMDB. Quem não gostou disso foi Renan Calheiros, que era importante para Dilma, mas não é importante para Michel Temer. Renan é líder de uma outra facção dentro do PMDB oposta à de Temer. A grande mágoa que Renan tem de Temer é por causa do segundo mandato de Dilma, quando ele queria ter sido o candidato a vice.

Isso só ajuda a comprovar que nas minúcias é que encontramos as explicações para tudo, não importa o que as denúncias digam.

Independente da falta de tato, de noção de tempo, de atropelamentos e atrapalhamentos da JBS, da imagem que se possa ter de Rodrigo Janot, ou os brasileiros se atém ao que é importante, ou viverão e morrerão sustentando a mesma casta política dominante, cuja renovação vem se dando através dos mesmos tipos de políticos e sistemas.

Está mais do que claro que para os políticos, juízes de tribunais superiores e advogados, o povo é apenas minúcia, um mero detalhe que só seria capaz de fazer diferença nas urnas. Mas o povo é mal informado, desinformado, deseducado, e as urnas são eletrônicas. É com isso que eles contam.

Mas a realidade não precisa ser essa. Podemos nos manter gado ou enfrentar essa situação entendendo que as instituições que aí estão faliram, tratando as denúncias com a gravidade que elas têm e ignorando as minuciosas versões que são veiculadas para nos desviar o foco do que é principal.

Se você acredita que temos um PGR bandido, ou um ministro de tribunal superior bandido, ou um presidente bandido, ou ministros bandidos, fique certo de que na atual conjuntura não há que se pôr a mão no fogo por nenhum deles. Não há mais como defender pessoas e intenções.

Nessa história, nem todos são bandidos, mas, certamente, todos são ridiculamente culpados. Inclusive nós.

GILMAR MENDES NÃO TEM CERTEZA SE FOI GRAVADO POR JOESLEY

MAS, SE TOCOU NO ASSUNTO, É PORQUE TEM CERTEZA DAS COISAS QUE FALOU

Por que isso, de fato, não surpreende ninguém? Por que Gilmar Mendes traria à tona esse assunto se o possível conteúdo de uma conversa com Joesley Batista fosse algo meramente republicano e institucional? E se fosse, qual seria o problema ser revelado?

Sou da corrente contrária que determinou que Rodrigo Janot é bandido. Ele não é bandido. É otário. O próprio encontro dele com o advogado de Joesley é coisa de otário, não de bandido. Bandido recebe as pessoas na garagem da residência oficial do presidente da república depois das 22 horas e sem registro. O otário é aquele idiota confiante de que está tudo sob controle.

Não imagino com nenhuma dose de certeza o que poderia Janot conversar com o advogado de Joesley Batista. Mas única e exclusivamente pela foto que foi veiculada, se alguém ali tivesse sendo aliciado para alguma coisa esse alguém seria o advogado. Janot vai fazer o possível para limpar a sujeira que deixou. Seu fim de mandato está como novela da Globo, tudo acontece nas duas últimas semanas.

Por outro lado, não é tão difícil imaginar que Gilmar Mendes tenha tido uma conversa pouco republicana, como na que foi flagrado com Aécio Neves na assunção do compromisso político de tentar influenciar a intenção de voto do ministro Flexa Ribeiro, seu conterrâneo. Ou por declarações em plenário, ou para jornalistas, nas quais fala o que bem entende e danem-se as instituições e as convenções.

O Brasil tem um presidente da república denunciado por corrupção, no exercício do cargo, e que se deixou ser clandestinamente gravado num encontro subterrâneo com um empresário corrupto que lhe relatou graves atos de corrupção ativa, como o aliciamento de dois juízes e um procurador da república.

Agora tem também um ministro do Supremo Tribunal Federal, cujas suspeitas e insinuações são muitas, dizendo que também pode ter sido gravado de modo clandestino pelo mesmo empresário corrupto, num encontro que pode ter sido casualmente subterrâneo.

Por enquanto fica a curiosidade do conteúdo da possível gravação, se é que ela existe, ou por quanto ainda pode ser negociado para que ela não necessariamente exista, ou nunca tenha existido. Mas, se Gilmar Mendes disse que pode, é porque foi.

 

NÃO CONFUNDA RELAÇÕES DE PODER COM PODRES DA RELAÇÃO

MAS, CLARO, TUDO SEMPRE INSTITUICIONAL

Joesley não era amigo de Janot. E segundo ele nem de Lula. Mas era amigo de Temer.

Janot não era amigo de Joesley, nem de Temer, nem de Lula.

Lula não era amigo de Janot, nem de Joesley, nem de Temer.

Geddel era amigo de Temer, de Joesley, mas não era amigo de Janot.

Palocci era amigo de Lula e de Joesley, mas não de Temer, nem de Janot.

Roberto Batochio era advogado de Palocci e de Lula, não é mais de Palocci, nem de Lula nas ações que envolvem Palocci.

Gilmar Mendes não era amigo de Barata, mas foi padrinho de casamento de sua filha e recebeu flores dele. Mas Gilmar Mendes é amigo de Temer.

Antônio Claudio Mariz era advogado de Lúcio Funaro e de Michel Temer. Vazou informações de Funaro para Temer e deixou de ser advogado dele, mas continua sendo amigo de Temer e advogando para ele.

Fachin não era amigo de Joesley, mas o delator Ricard Saud passeou com ele pelo senado em busca de apoio à sua indicação.

Raquel Dodge não é amiga de Joesley, nem de Janot, mas é amiga de Gilmar Mendes, que é amigo de Temer e de Antônio Mariz, e não é amigo de Janot.

Janot era amigo de Marcelo Muller, mas ele era amigo mesmo era de Joesley, que não era amigo de Janot, só de Temer.

Você é amigo de alguém?

FALA, JOESLEY, FALA TUDO!

O BRASIL CANSOU DA DUPLA JOESLEY BATISTA E RODRIGO JANOT

Quando Marcelo Odebrecht começou a dar indícios de que faria uma delação premiada a imprensa brasileira alardeou que uma “bomba atômica” atingiria o núcleo da política brasileira, não sobraria pedra sobre pedra. Enfim ele falou, e nenhum sismógrafo político mexeu o ponteiro além do que mexeria se tivesse caído um clips no chão.

Logo em seguida, mesmo sem acordo de delação, quem abriu o bico foi Léo Pinheiro da OAS, também tratado como depoimento explosivo. Léo era outro profundo conhecedor dos meandros políticos e, sem trocadilho, frequentador da cozinha da casa de Lula. Ou das cozinhas. Ou das casas. Léo entregou Lula e a família, e novamente os sismógrafos da política não registraram nenhum abalo.

Até então, mesmo que criminalmente as delações tivessem produzido efeitos, como a condenação de Lula no caso do tríplex da OAS, em termos práticos elas causaram mais benefícios aos delatores do que prejuízo aos delatados. Protagonistas ilustres da história continuam soltos, ou foram soltos, como José Dirceu.

Veio então a JBS, um novo tipo de delação no qual o delator impôs as regras do jogo oferecendo em troca, naquele momento, um material que fez da delação da Odebrecht o pior acordo que um delator pode obter, tanto em efeitos como em benefícios. Joesley Batista falou o que quis, como quis, ofereceu provas robustas do que dizia e foi para Nova York. Esse sim foi um abalo sísmico que fez tremer o chão de muita gente.

De lá para cá fomos expostos a sequência mais atrapalhada de todo esse processo de corrupção. A bomba da JBS não é daquelas que explode de uma vez. Ela é sequência, e de tempos em tempos mais uma carga de hipocrisia e mau caratismo é detonada, tremendo não apenas o chão dos delatados, mas o chão de todo o sistema judiciário brasileiro.

A prisão de Joesley Batista e Ricardo Saud tentará fazer com que essas explosões aconteçam por inteiro, num único lugar, abale o que tiver que ser abalado. Mas que se encerre esse episódio definitivamente.

A delação da JBS foi fundamental para que outros delatores, como Lúcio Funaro e Antônio Palocci decidissem falar também. E falaram pelo simples motivo de que não há mais como esconder ou omitir o que, além de óbvio, está fartamente provado e documentado nas dezenas, ou centenas, de processos que se entrelaçam pelas varas criminais brasileiras.

A irresponsabilidade e a má fé de Joesley Batista colocaram em xeque a probidade de Rodrigo Janot, um tipo de arranhão de nunca mais sai. Mas colocam em xeque, também, Raquel Dodge, sobre o qual deve-se ter muito mais desconfianças do que esperanças. Não se sabe a que veio, e a carreira não serve como um indicativo concreto de como ela irá proceder.

O que todos sabemos é que Raquel Dodge foi a segunda mais votada da lista tríplice da categoria e escolhida por Temer, com a benção de Gilmar Mendes e da cúpula do PMDB do senado, tendo sido aprovada na sabatina por 74 votos a 1. Sabemos que ela defendeu o aumento dos salários dos procuradores, foi autora da resolução do MPF que restringe a 10% a transferência de procuradores para formar forças tarefas como a Lava Jato e que atuou nas investigações do mensalinho do DEM do DF, que não prendeu ninguém.

Joesley Batista estava na casa do seu pai antes de ser preso pela PF. Talvez ele tenha ido apenas se despedir com um esperançoso “até já meu pai”. Ou quem sabe tenha ido, além disso, pedir um conselho ao pai um conselho e tenha ouvido um “Fala, Joesley, fala tudo!”, caso esse pai seja um homem que não tenha perdido a simplicidade e a honestidade apesar do sucesso dos filhos, que perderam.

Contudo, não se iludam com esses últimos movimentos de Batista como uma trapalhada. Não foi. O que aconteceu foi uma tentativa, até aqui bem-sucedida, de que Rodrigo Janot faça o desfecho desse caso, de modo que, mesmo ainda correndo risco de mudanças, Joesley venha a encarar a nova PGR tendo dado subsídios suficientes para corroborar a segunda denúncia que vem contra Temer.

O Brasil está cansado de Rodrigo Janot e Joesley Batista, das trapalhadas e atrapalhadas dos dois no ambiente político e jurídico brasileiro. E já é hora disso acabar.

O povo brasileiro quer coisas postas em pratos limpos. Para isso, esperamos que Joesley siga o hipotético conselho do seu pai e o país possa virar essa página definitivamente. Fala, Joesley, fala tudo!

 

POR QUE SE ESPERA TANTO DE RAQUEL DODGE?

DIGA-ME COM QUEM ANDAS… E EU IMAGINO PRA QUE LADO A COISA PODE CAMINHAR

Procedimento inaugurado por Lula, desde 2003 o escolhido para comandar a Procuradoria Geral da República era o primeiro colocado de uma lista tríplice votada pela própria categoria, mesmo não havendo nenhuma lei que obrigue o presidente a fazer isso. Tanto que Michel Temer quebrou a corrente e escolheu Raquel Dodge, a segunda mais votada, deixando de fora o procurador Nicolau Dino, que foi o mais votado.

A carreira de Raquel Dodge não tem nada de excepcional. Entrou para o MPF em 1987 e teve sempre como referência sua atuação em prol de grupos indígenas, defesa do meio ambiente e defesa dos direitos humanos, tendo como foco o combate ao trabalho em situação análoga à escravidão.

Na esfera criminal, suas duas atuações mais relevantes foram a investigação do esquadrão da morte de Hildebrando Pascoal, no Acre, que terminou com a prisão do “deputado da serra elétrica”, e a investigação do mensalinho do DEM que envolveu o ex-governador José Roberto Arruda e que teve como resultado a impunidade de todos os envolvidos. Ninguém ficou preso e ficou tudo por isso mesmo.

Então o que credencia Raquel Dodge a ser tão diferente de Rodrigo Janot?

Ela foi a segunda mais votada na lista da categoria, portanto não é a que obtinha mais confiança do conjunto dos procuradores do Brasil.

Foi nomeada por Michel Temer, o primeiro presidente da república denunciado por corrupção no exercício do cargo. E ainda longe de assumir o cargo, foi recebida pelo presidente em mais uma daquelas visitinhas sorrateiras depois das 22 horas no Palácio do Jaburu, mesmo itinerário usado por Joesley Batista.

Teve a indicação do ministro Gilmar Mendes do STF, que já não sabe mais se é juiz, advogado ou político, mas que com 100% de certeza está envolvido politicamente com todos os que são explicitamente contra a Lava Jato, tendo sido inclusive flagrado em grampo da PF quando tratava com o investigado Aécio Neves de uma espécie de “tráfico de influência branco” sobre o senador Flexa Ribeiro que tencionava votar contra a proposta de abuso de poder.

Raquel Dodge não apenas teve a indicação e anuência de alguns dos senadores do PMDB ultra denunciados pelo atual PGR, como teve com eles, e todos os outros, a sabatina mais leve na comissão e o placar mais folgado do plenário para o aval da casa para a indicação presidencial: 74 votos favoráveis contra 1 contrário. Na sua recondução ao cargo, Janot passou com um placar de 59 a 12.

O fato real em jogo é que não existe nenhuma indicação ou garantia de Raquel Dodge será melhor do que Rodrigo Janot. O episódio do mensalinho do DEM, sem que ninguém tenha ficado preso, também não é indicativo de nada, mas é um alerta.

As pessoas, com razão, ou até sem, não gostam de Rodrigo Janot, suspeitam de sua proteção ao petismo, suspeitam de seu combate feroz contra Temer e seu grupo e querem vê-lo pelas costas. E esse encontro dele com o advogado de Joesley Batista no dia seguinte ao pedido de prisão do empresário, que ele mesmo fez, só reforçam a antipatia e suspeitas generalizadas. Mas daí a imaginar que a indicada por Temer e avalizada por seu grupo será o oposto de Janot é uma distância gigantesca.

Infelizmente, o povo brasileiro continua procurando seus heróis, mesmo que todos eles venham morrendo seguidamente de overdose. E como a heroína da vez é a Mulher Maravilha, nada como encarnar na PGR uma amazona, mesmo ela tendo defendido a redução do número de procuradores que podem ser cedidos para operações como a Lava Jato e o aumento de salários pleiteado pela categoria.

Eu, por enquanto, antes de esperar de Raquel Dodge, penso ser mais prudente esperar por Raquel Dodge. Depois falamos no assunto.