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POR QUE SÓ A ELETROBRÁS?

PRIVATIZEM O GOVERNO BRASILEIRO!

Nem presidencialismo, nem parlamentarismo, nem monarquia. Inventaremos o privaticionismo. Mais do que um sistema de governo, um sistema de gestão.

Político faz política. Gestor toma decisão. E dá para ver que desde 1500 não tivemos um verdadeiro gestor por essas bandas, aqueles que a gente chama de CEO, que lança livro autobiográfico aos 45 anos e ganha muito dinheiro enchendo de dinheiro os cofres da empresa que trabalha.

CEO olha para a coisa pensando em como fazer dinheiro. Político olha pensando em como ganhar dinheiro.

O Brasil precisa abandonar de vez essa mania de celebrizar políticos. Político não é artista de televisão e se for não é bom político. Basta a gente se lembrar da quantidade de mentiras e histórias interpretadas por esses bandidos diante das câmeras, todos com cara de santo, com caras de bons moços e moças que não são.

Um gestor tem que ter medo de perder o emprego. Político não tem esse medo. E nós nem colocamos esse medo neles.

Manda embora um gestor não vai precisar de congresso, de câmara ou de senado, nem de autorização ou rito por parte de ninguém, nem do STF. O que vai decidir isso é o conjunto de índices prometidos e alcançados, com avaliação semestral. Não atingiu, rua. E se quiser procurar justiça será a trabalhista.

O Brasil precisa urgentemente de alguém que entenda segurança pública com a mesma importância que um CEO entende o investimento em sistemas de segurança para uma empresa. Precisa pensar na saúde como pensa quem tem o poder de decisão para contratar um plano de saúde para os funcionários. Tem que enxergar a educação com a mesma relevância que um líder empresaria dá à formação de seus funcionários.

Precisamos de alguém que fale em planejamento estratégico e não apenas pontes para o futuro. O político ainda pensa em pontes, o gestor pensa em como chegar no futuro.

Não podemos mais conviver com a ideia nacionalista de ser donos disso ou daquilo. Nós somos donos seja lá quem for que esteja comandando empresas e tomando decisões.

O Petróleo continuará sendo brasileiro e o país provavelmente terá mais lucros com alguém bancando os riscos sem ser com o dinheiro do contribuinte.

A energia elétrica continuará chegando nas casas das pessoas independente de quem pendurou os fios na rede elétrica. A água chegará independente de quem fez a rede.

A prova da capacidade de que o Brasil e os brasileiros são capazes de produzir riqueza é o fato de mesmo com mais de 1 Trilhão de reais roubados e desviados dos cofres público nos últimos 15 anos nós não quebramos. Driblamos a violência, a deficiência da saúde, da educação, da infraestrutura, mas seguimos adiante. A sexta ou sétima economia mundial, o quinto maior em área territorial privilegiadíssima, onde, adubando, tudo dá.

Enquanto no Brasil nos entendermos apenas como povo, população ou nação, vamos ficar nessa situação. Isso só vai mudar quando começarmos a nos entender como contribuintes antes de tudo. A relação com o governo não é consanguínea, não é fraterna, é de negócios. Nós pagamos para receber serviços. E quando em qualquer lugar alguém não recebe pelo que paga, deve ter o direito de não querer mais aquele fornecedor.

Meu amigo, minha amiga, entenda que contribuinte é a mesma coisa que cliente. E se você é cliente tem que exigir o melhor dos mundos.

O Brasil tem que privatizar tudo aquilo que não é função primária do estado. Chega de sustentar vagabundo.

HOJE OS DEPUTADOS VOTARÃO A REFORMA POLÍTICA KINDER OVO.

E PREPAREM-SE PARA AS SURPRESINHAS, NA MAIORIA DAS VEZES SÃO DECEPCIONANTES.

Todo mundo sabe que dificilmente uma votação desse gênero, envolvendo tantos interesses diferentes – menos o do povo – chegue ao seu final exatamente como foi proposta, mesmo que a proposição em si já tenha sido recheada de absurdos.

O que veremos hoje é a ganância versus democracia. O que veremos hoje é a exposição da face mais suja dos políticos brasileiros que tentam legalizar aquilo que antes era roubado, desviado ou simplesmente apropriado por todos na forma de propinas e venda de emendas e consciências.

Aliás, se é algo que falta à maioria dos deputados é a tal da consciência. A única coisa da qual são absolutamente conscientes é que precisam continuar no poder, uns para continuar roubando, outros para não ir para a cadeia.

A reforma política não é uma reforma, e sim a tentativa de uma nova forma de passar a perna nos cidadãos, e isso inclui tudo o que está na proposta, da apropriação espúria de dinheiro público que resolveria o problema da saúde pública às mudanças no sistema eleitoral que visa garantir que quem está continua, e roubando.

O povo brasileiro não saiu às ruas, não protestou com a veemência necessária para fazer os parlamentares sentirem pelo menos arrepios. Apenas usou as redes sociais como se fossem ruas e avenidas, e como se isso fosse suficiente para pôr medo nesses bandidos que nos últimos tempos só legislam em causa própria, seja qual for a matéria. Apenas se perguntam “o que eu vou ganhar nisso?”.

Para os atuais políticos, especialmente os encrencados, muito encrencados e encrencados para caramba, o povo é aquele detalhezinho chato da democracia, aquela pedrinha no sapato que incomoda, mas não impede de seguir a caminhada. E se tudo der certo, superado o trecho complicado do caminho, basta sacudir o sapato que a pedrinha cai no chão e se junta as outras milhares de pedrinhas que nunca incomodaram ninguém.

E já que ninguém se manifestou com a força e com o poder que tem, que fiquem atentos às surpresinhas que essa reforma kinder ovo promete, como, por exemplo, reaparecer a tal emenda Lula e outras tantas que em nada interessam à população, mas que garantem sossego para muitos políticos com medo de ver o sol nascer quadrado.

FUNDO PARTIDÁRIO DE 3,6 BILHÕES SERÁ VOTADO AMANHÃ NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

E DIFICLIMENTE DEIXARÁ DE SER APROVADO. CUIDADO COM A EMENDA LULA. ELES ADORAM SURPRESINHAS.

A despeito do que pensa a sociedade – que na verdade só pensa e não age – o deputado Rodrigo Maia pautou a votação da PEC da Reforma Política para esta quarta-feira 16/08.

Além do fundo democrático que democratiza o dinheiro do povo na mão dos políticos, será votada também a emenda que introduz o Distritão, um modelo que mistura o que funciona mais ou menos com o que não funciona de jeito nenhum e que ainda inclui a tal lista fechada no meio. E isso se não surgirem surpresas de última hora, como ressuscitar a tal Emenda Lula. Nunca se sabe.

Caro leitor, cara leitora, os políticos não estão nem aí para o que eu ou você pensamos.

Para os políticos brasileiros, cargo sem mordomia não é cargo. Tem que ter gabinete com dezenas de assessores, carro oficial, residência oficial, gordas verbas de gabinete, altos salários e jetons, e muita impunidade para gastar aquele dinheiro que é retirado à força dos nossos salários e dos impostos que pagamos no preço de tudo que consumimos.

Vivemos ainda num mundo cheio de palácios oficiais que custam uma fortuna para serem mantidos, práticas que se repetem em todos os estados e em muitos municípios do Brasil, uma herança maldita da época do império que parece registrada no DNA dos políticos brasileiros.

Vamos pagar mais essa conta e deveríamos fazer calados, uma vez que não nos damos a ousadia de usar nossas vozes para evitar com a mesma contundência que usamos para reclamar depois que a coisa não tem mais retorno.

Insisto que as redes sociais são um palco maravilhoso para exposição de ideias e um magnífico palanque para discursos reclamatórios, mas não será elas não têm o poder de mudar o país sozinhas. O problema do Brasil é real e não virtual. Fosse virtual a gente poderia apenas deletar, excluir, bloquear ou dar mute nos políticos e problemas, mas não funciona assim.

A recusa do brasileiro em assumir para si a responsabilidade de se manifestar determinantemente contra as manobras dos políticos brasileiros só aumenta a conta que mais cedo o mais tarde – e parece que será cada vez mais cedo – chegará para ser paga.

Muitos de nós, pela idade, não chegarão a ver um Brasil rico e próspero, pelo tempo que se levará para atingir o país e a sociedade atingirem esse nível. Por outro lado, enquanto estivermos por aqui, pagaremos cada centavo das mordomias e do desperdício de dinheiro público que nos mantém amarrados no subdesenvolvimento.

Mesmo tendo lido e concordado com o que escrevi, todos levantarão amanhã e sairão normalmente para trabalhar, darão ao governo no mínimo 25% de todo real que gastarem, acompanharão as notícias do dia e se manifestarão como frases do tipo “esse governo é ladrão”, “políticos são todos ladrões”, “eles só sabem roubar”, falarão disso tudo nas redes socais, e irão dormir novamente para trabalhar no dia seguinte.

Amanhã é a reforma política, daqui a pouco a reforma da previdência, e é bom você se esquecer daquela reforma que queria fazer na sua casa, ela nunca estará na pauta do congresso, a menos que você more numa dessas suntuosas residências oficias.

Mas acho que isso tudo é cisma minha, bobagem. Afinal, brasileiro sempre dá um jeitinho, né?

A REFORMA POLÍTICA É UMA SOPA DE PEDRA

AH! VOCÊ NÃO SABE O QUE É UMA SOPA DE PEDRA?

Reza a lenda que um morador de uma vila se encontrava ajoelhado diante de um caldeirão sob uma fogueira. Dentro havia apenas água e uma pedra grande.

O primeiro vizinho que viu aquela cena questionou o que fazia ali o rapaz e ele disse solenemente: sopa de pedra. Espantado, o vizinho afirmou que jamais tinha visto uma sopa de pedra, quando o rapaz disse que é muito boa, mas que ficaria melhor se tivesse ali também umas batatas. Motivado pela curiosidade, o vizinho correu e providenciou as batatas.

Estavam, então, os dois ali diante do caldeirão quando um terceiro vizinho se interessou pela cena, repetiu os questionamentos do anterior e recebeu de volta a informação que se além da pedra e das batatas tivessem também umas cenouras, ficaria ainda melhor. E ele se encarregou de ir providenciar as cenouras.

E então outros vizinhos foram chegando, entendendo o que ali acontecia e informados que agregando azeite, sal, cebolas e mandioca a sopa ficaria perfeita. E cada um deu sua contribuição e ficaram ali todos diante do caldeirão, ansiosos pela sopa.

Depois de algum tempo, enfim, o dono do caldeirão informou que a sopa finalmente estava pronta. Mergulhou então uma colher no caldeirão, retirou de dentro a pedra e jogou fora.

Mais curiosos ainda os vizinhos então perguntaram: mas você jogou a pedra fora? E o dono do caldeirão respondeu: tem problema não, a pedra era só para dar um gostinho.

A reforma política brasileira é uma sopa de pedra.

MICHEL TEMER POUPA O FIM DE SEMANA DOS BRASILEIROS. NOVO ROMBO DA META FISCAL SAÍ NA SEGUNDA.

E COM ISSO SE LIVRA DA REMOTA POSSIBILIDADE DE PROTESTOS PELAS RUAS DO PAÍS

Para quem não entende o que é a tal meta fiscal, é o seguinte: é a diferença entre o que o governo prevê que vai arrecadar e gastar. E ela está furada, ou seja, o governo vai gastar mais do que vai receber. E para que isso dê certo, ele vai emitir títulos do tesouro para captar dinheiro no mercado. É como se ele vendesse agora uma receita que vai receber no futuro, só que pagando muitos juros por isso. E, claro, no fim das contas quem paga somos nós, contribuintes.

O governo tem gastos que não tem como fugir (e o pior é que foge) como saúde, educação, infraestrutura, segurança e tem que ter dinheiro para pagar essas contas. Mas também tem inúmeras coisas que não precisa gastar (e disso ele não foge) ou poderia reduzir os gastos, como, por exemplo, a quantidade de funcionários públicos e os benefícios que eles recebem.

Auditoria do TCU em andamento aponta que o salário médio dos funcionários do BNDES (que são bancários) são, na média, 80 MIL REAIS POR MÊS. E na medida que essa auditoria avançar, certamente veremos mais absurdos como esses. São mordomias escandalosas como viagens em classe executiva e hospedagem em hotéis 5 estrelas, cursos no exterior, carros com motorista, biênios, triênios, quinquênios, férias prêmio…

Outros ralos por onde escorre o dinheiro do contribuinte são a corrupção, o desvio de dinheiro público, o superfaturamento de obras, município pobres com até 5 mil habitantes (que nem deveriam ser municípios) que precisam de recursos do governo para sobreviver, tudo sem o devido controle, sem a devida transparência e, geralmente, sem punição, pois se pune o município quem sofre é a população.

E o governo não corta gastos. Pelo contrário, aumenta. E nesse aspecto o governo Temer não é diferente dos outros.

Podemos e devemos comemorar os pequenos bons resultados da economia na gestão de Michel Temer, pois eles provam o quanto o Brasil é viável economicamente. Mas isso não pode, e não deve justificar que corrupção e corruptos continuem existindo livres, leves e soltos, muito menos às custas de mais dinheiro público, como compra de votos, aumento para determinadas categorias do funcionalismo público e cooptação e constrangimento do sistema judiciário.

Michel Temer poupou o fim de semana dos brasileiros. Não é bom dar notícias ruins às sextas-feiras. Mas não vai poupar os brasileiros de mais esse rombo astronômico nas contas públicas, muito menos de novo aumento de impostos, como a elevação do desconto do Imposto de Renda de 27,5% para 35% na faixa mais alta. E outros que ainda virão.

Portanto, caro leitor, cara leitora, se achar que pode, se tiver como, aproveite seu fim de semana, porque Michel Temer, sua equipe e todos os políticos o farão, nababescamente, com direito a usar jatinhos da FAB e tudo mais. E já que o povo brasileiro se mostra incapaz de reagir como poderia e deveria, que venha a segunda-feira! E o novo rombo.

 

 

 

UMA TERÇA-FEIRA COMO ESSA SÓ FOI POSSÍVEL POR UM MOTIVO: O POVO NÃO FAZ NADA.

O QUE ESPERAR DA QUARTA, DA QUINTA, DA SEXTA…

A terça-feira não chegou ao fim ainda, mas o fim da picada chegou para valer nessa terça-feira.

Michel Temer põe Rodrigo Janot em suspeição no STF. E entre os que decidem sobre acatar ou não acatar o pedido do presidente, estão os suspeitíssimos Gilmar Mendes, Antônio Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes, além das manobras suspeitas que ocorrem por lá. E o povo não fala nada.

A comissão de ética e decoro parlamentar do Senado simplesmente passou por cima da palhaçada protagonizada pelas senadoras marmitex, além de dar palco para o ridículo Lindbergh Farias que provavelmente não passaria nem num exame antidrops, o que dirá um exame antidoping. Além das cenas ridículas já de costume, faltou com a ética e com o decoro, exatamente na comissão que cuida de tal. E o povo não faz nada.

Na Câmara dos Deputados, tal qual o esgoto no Brasil, correm a céu aberto propostas para a criação do fundo bilionário para financiar campanhas eleitorais utilizando-se para isso as vergonhosas verbas das emendas parlamentares, o que em tradução livre significa menos dinheiro para a saúde, para a educação, para saneamento básico… E o povo não faz nada.

Os sindicatos que, a princípio, ficam sem as verbas do imposto sindical a partir de novembro, já articulam a criação de uma “Contribuição Negocial” para cobrir o rombo. E a desfaçatez é tão grande que, pelas regras propostas, bastará que 10% dos sindicalizados compareçam em uma assembleia e aprovem a o pagamento da nova contribuição para que todos os outros trabalhadores sejam obrigados a pagar também, concordando ou não. E o novo imposto, que hoje é de 4,5%, pode chegar a 13%. E o povo não faz nada.

Continuando o périplo do dia, a equipe econômica do governo acena com aumento da alíquota do imposto de rende, passando a faixa mais alta dos atuais 27,5% para 35%. Ou seja, quem ganha R$ 10.000,00 terá retida a “bagatela” de R$ 3.500,00 na boca do caixa do governo e ensaiar estripulias e malabarismos para ter direito à devolução do imposto retido. E o povo não faz nada.

E para concluir, Stédile informa em alto e bom tom, em cadeia nacional, que “está enviando um exército para a Venezuela” a fim de ajudar Nicolas Maduro a matar o povo venezuelano. Como o MST, teoricamente, não pode matar aqui, vai matar na Venezuela. Depois foge para cá de volta, ninguém vai ser punido, nem extraditado e fica o dito pelo Benedito. E o povo não faz nada.

O Brasil é ridículo. E o povo não faz nada.

 

COM A REFORMA TRABALHISTA O IMPOSTO SINDICAL CAI OU NÃO CAI?

SOMENTE 19,5% DOS TRABALHADORES BRASILEIROS SÃO LIGADOS A AGLUM SINDICATO. OS OUTROS 80,5% SUSTENTAM ESSA FARRA COMPULSORIAMENTE

Michel Temer é um de palavra, mesmo que a palavra dita hoje seja diferente da que foi dia ontem.

Com o fim do imposto sindical obrigatório proposto na reforma trabalhista, Michel Temer apalavrou-se com os líderes sindicais e pretende facilitar a vida dos sindicalistas via Medida Provisória. Se a reforma for aprovada como está pelo congresso, a MP de Temer vai criar a Contribuição Negocial, um substituto que é um tapa na cara dos trabalhadores.

A Contribuição Negocial pretende fazer com que os trabalhadores paguem uma taxa maior do que se paga hoje (1 dia de salário por ano), sendo que a mesma aprovada em assembleia na qual bastarão 10% dos empregados. Mesmo com esse quórum pífio, os trabalhadores – sindicalizados e não sindicalizados – terão que pagar o novo valor.

As centrais, confederações e demais organizações criminosas ligadas ao sindicalismo estão brigando por uma taxa que pode chegar a até 13% do salário anual dos trabalhadores. Isso não é apenas uma sacanagem, como é também um salto arrecadatório. Em 2016 a arrecadação sindical foi de 3,53 BILHÃO de reais, e com a nova taxa esperam que esse valor possa subir para até 10,2 BILHÃO de reais.

O que não dá para entender nessa situação toda é como ainda tem trabalhador que além do imposto sindical obrigatório ainda paga, voluntariamente, contribuição assistencial e pagamentos federativos, dando, espontaneamente, em troca da ilusão de ser representado, até 20% de um salário.

SERÁ QUE TRABALHADORES QUE SE RECUSAREM A PAGAR ESSA NOVA CONTRIBUIÇÃO CONSEGUIRÃO EMPREGO OU SE MANTER NO EMPREGO? A ADESÃO A ESSE NOVO IMPOSTO NÃO É UM NOVO CRITÉRIO DE SELEÇÃO PARA ARRUMAR EMPREGO?

O Congresso Nacional já está em franco movimento na busca de aprovar a reforma trabalhista contando com a palavra de Michel Temer de que editará a Medida Provisória que regulamentará a cobrança. No fim das contas, o que era ruim e a reforma trabalhista pretendia corrigir pode se tornar ainda pior se Michel Temer realmente editar a prometida MP.

Desde seu início, a reforma trabalhista já sofreu diversos cortes e desvios da ideia original. Mesmo que seja aprovada ela não resolverá os gargalos que levam 3 milhões de pessoas à justiça trabalhista todos os anos muito menos resolverá a questão complexa da existência da própria justiça trabalhista.

A indústria do garantismo trabalhista só serve a si mesma. Os efeitos práticos são empresários que quebram por dívidas impagáveis e enriquecimento de advogados, que chegam a cobrar até 40% de honorários.

Para os trabalhadores, fica apenas a ilusão do ganho de causa e o dinheiro que recebem, pois por trás de cada advogado rico tem um juiz condescendente e um empresário fechando as portas dos seus negócios por falta de condições de pagar dívidas trabalhistas que não prescrevem e impedem que esse empresário empreenda novamente.

Ao contrário dos crimes do colarinho branco, dívida trabalhista não prescreve nunca. E a maioria delas é contraída sem o cometimento de crime.

Como eu disse, Michel Temer é um homem de palavra. Resta saber qual e quando ela vale alguma coisa.

SE MICHEL TEMER TIVESSE SIDO HONESTO NA ENTREVISTA DESTE SÁBADO NO ESTADÃO…

…LERÍAMOS RESPOSTAS COMO ESSAS QUE NO PONTO DO FATO SE ATREVEU A DAR POR ELE. CONFIRA.

O Estadão deste sábado publica uma entrevista com Michel Temer, na qual ele fala sobre vários assuntos, entre os quais a saída de Rodrigo Janot e comportamento do governo em relação aos deputados da base aliada, que votaram contra o arquivamento da denúncia de corrupção feita pela PGR.

Michel Temer, obviamente, deu uma entrevista absolutamente institucional, aproveitando o palanque dado pelo Estadão para reforçar sua conduta de bom “rapaz”, sua honestidade, e que sua única e verdadeira preocupação continua sendo apenas o Brasil. Será?

No Ponto Do Fato republica as perguntas do Estadão e responde com a sinceridade que Michel Temer só terá diante de um juiz de primeira instância, se não melarem de vez a Lava Jato e o combate à corrupção ou se ele morrer antes. Confira cá e lá, ou lá e cá.

ESTADÃO – O sr. conseguiu derrubar na Câmara a denúncia de corrupção passiva, mas é possível que Rodrigo Janot apresente novas acusações. Como governar com esta espada na cabeça?

Pseudo-Michel Temer – É foda. É foda porque a gente sabe que não faltam coisas pra denunciar. E ele é um mala porque não dá sossego. É uma merda toda hora ter que ir na televisão com cara de que não sei nada sobre o assunto, me fazer de vítima e tentar diminuir o estrago. Muitas vezes me vejo repetindo Lula e Dilma. No meu caso nem é espada na cabeça, é um dedo ameaçando entrar no meu rabo.

ESTADÃO – Janot pediu que o sr. e os ministros Moreira Franco e Eliseu Padilha sejam incluídos no inquérito do “quadrilhão” do PMDB. Como responde?

Pseudo-Michel Temer – Como toda quadrilha responde. Já botei meu emissários, capangas, subalternos e puxa-sacos pra tratar disso. Já convoquei meus advogados, meus ministros e meus juízes do STF pra resolver isso. Acho que não vai dar em nada.

ESTADÃO – A base aliada encolheu após as delações da JBS. Hoje o sr. não tem 308 votos para aprovar a reforma da Previdência. Como vai reaglutinar a base?

Pseudo-Michel Temer – Sem propina é complicado fazer isso. Antes a própria JBS ajudava nisso, agora veja, que situação. O pior estrago da delação da JBS foi revelar que muita gente não participava da distribuição da grana, por isso que estão contra mim. Cada um queria o seu quinhão, e quando descobriram que a gente levava sozinho pegou mal demais. A reforma da previdência, só a divina providência garante.

ESTADÃO – O sr. pretende fazer uma reforma ministerial para rearrumar a base?

Pseudo-Michel Temer – Não sei exatamente quando e como, mas o pau vai quebrar. Muita cabeça vai rolar no meu governo.

ESTADÃO – Não foi constrangedora a negociação de emenda em plenário no dia da votação?

Pseudo-Michel Temer – Minha cara, constrangedor é ser velho, ter uma mulher gostosa, vazarem fotos dela na internet e todo mundo duvidar que você dá conta do recado.

ESTADÃO – Mas no dia da votação, no plenário?

Pseudo-Michel Temer – Comprar deputado no plenário é a coisa mais comum que se possa imaginar. O deputado te faz uma proposta alta, sabendo que você precisa do voto dele. Vai pro microfone votar e fica olhando pra se recebe alguma sinalização de acordo pra decidir se fala sim ou não. O plenário sempre foi um enorme balcão de negócios, no atacado e no varejo

ESTADÃO – Como contar com o PSDB para outras votações sendo que o partido está rachado e praticamente metade da bancada votou contra o senhor?

Pseudo-Michel Temer – O PSDB é essa merda que todo mundo conhece, só tem chantagista lá também. Depois que o Joesley entregou o Aécio então a coisa piorou, porque viram qual é realmente a do PSDB. Então agora tem uma parte que quer se distanciar disso e se distancia do governo também. Não dá pra saber com quem e quando contar com o PSDB.

ESTADÃO – O sr. está magoado ou irritado com o PSDB? Vai dar um prazo para os tucanos decidirem se ficam ou saem do governo?

Pseudo-Michel Temer – Só se eu for louco. Estou empenhado em negociar um apoio mais expressivo pra que eles não saiam. Não tenho como dar prazo. Se eu puxar o assunto dessa maneira corro o risco de perder o pouco de apoio deles que ainda tenho. Tenho que engolir essa sacanagem e negociar caso a caso.

ESTADÃO – Dizem que o seu governo está refém do Centrão.

Pseudo-Michel Temer – Só do Centrão?

ESTADÃO – Parlamentares do Centrão ameaçam não aprovar a reforma da Previdência, caso o sr. não puna quem o traiu na votação de quarta-feira.

Pseudo-Michel Temer – O que eles estão fazendo é valorizar o apoio de quem votou com o governo. De verdade eles só usam os traidores pra aumentar o preço de seus votos. E pra continuar votando querem cargos, verbas e propina se possível, que anda difícil.

ESTADÃO – O sr. também está se referindo ao PSDB?

Pseudo-Michel Temer – Entenda isso. Parlamentar só quer duas coisa: dinheiro e poder. É a versão pão e circo deles.

ESTADÃO – Com essa crise, o PMDB terá candidato próprio em 2018?

Pseudo-Michel Temer – Com a crise resta saber se haverá PMDB em 2018. O partido não tem um nome limpo com chance pra se eleger. Veja aí que tem senador com medo de não ser eleito nem vereador na sua cidade. Sem chance.

ESTADÃO – Em setembro de 2015, o sr. disse a empresários que era difícil a então presidente Dilma resistir e chegar ao fim do mandato com uma popularidade tão baixa (à época 7% a 8%). O sr. tem agora 5%. Como conseguirá governar mais um ano e meio sendo tão impopular?

Pseudo-Michel Temer – Eu tô na mesma merda e diria até que pior do que ela. Dilma tinha esse índice baixo mas tinha o PT e sua militância ao lado dela. Eu não tenho, e ainda tenho o PT e a militância contra mim. Eu tô tentando, mas acho difícil eu resistir mais seis meses no cargo.

ESTADÃO – O sr. não tem receio de delações de Lúcio Funaro e Eduardo Cunha?

Pseudo-Michel Temer – Eu “me ca go to do”. Tenho calafrios, pesadelos, crises de ansiedade… Muitas vezes perco até o efeito do Viagra.

ESTADÃO – Vai ter mudança na Polícia Federal?

Pseudo-Michel Temer – Eu coloquei o Torquato Jardim na justiça pra fazer isso. A pressão popular é grande, então estamos esperando ver se sai alguma notícia muito quente contra o Lula ou outro graúdo desses, aí mudamos quando o povo estiver distraído, igual fizemos pra soltar o Rocha Loures.

O sr. acredita que, com a entrada de Raquel Dodge na Procuradoria-Geral da República, haverá alguma mudança?

Pseudo-Michel Temer – Eu coloquei ela lá pra isso. Falei pra ela: “Raquel, esse combate à corrupção, não tem que manter isso” (risos).

ESTADÃO – E todas essas mudanças na PGR, na PF e no Supremo Tribunal Federal darão um novo rumo para a Lava Jato?

Pseudo-Michel Temer – O objetivo é apenas colocar a Lava Jato no rumo certo, nada além disso.

ESTADÃO – E qual é o rumo certo?

Pseudo-Michel Temer – Os arquivos dos tribunais em todas as instâncias. O que queremos é acabar com Lava Jato e toda e qualquer operação que nos coloque em risco. É isso que todos esperam.

ESTADÃO – Nas denúncias contra o senhor, acha que foi cumprida a lei?

Pseudo-Michel Temer – Se não tivesse sido cumprida a lei você acha que eu e todos os políticos estaríamos morrendo de medo? O problema é exatamente que estão cumprindo rigorosamente a lei e com isso nos colocaram na parede. Mas, como eu disse, não dá mais pra manter isso. Se a lei nos prejudica, mudamos a lei. Lei é para quem rouba chiclete e biscoito.

DEPOIS DO “TEM QUE MANTER ISSO” DE TEMER, O CONGRESSO QUER CPIs – COMO PARA ISSO

O QUE DEU CERTO NA CPI DOS CORREIOS FOI A PARTE QUE DEU ERRADO E REVELOU O MENSALÃO. O RESTO SAIU DE LÁ IMPUNE. INCLUSIVE LULA. INCLUSIVE AÉCIO.

Toda vez que o congresso se vê pressionado com alguma coisa, dá-lhe CPI. É CPI na Câmara dos Deputados e CPI no Senado investigando as mesmas coisas, ou então fazem a CPI mista de uma vez. O importante é criar CPIs e fingir que estão tratando de alguma coisa com a importância devida.

Ainda que se fizessem CPIs com algum propósito digno, seria impossível que alguma coisa pelo menos digna saísse das mãos desses políticos, a maioria sem dignidade nenhuma.

Parte do pagamento pelos votos a favor do arquivamento da denúncia contra Temer virá na forma de uma reforma política que atenda os interesses dos partidos clientelistas e fisiológicos; a bagatela de 6 BILHÕES DE REAIS num novo fundo partidário. E ninguém vai fazer uma CPI para tratar disso.

O caráter investigativo das tais Comissões Parlamentares de Inquérito, apesar do poder de investigar, condenar e até mandar prender, não os torna substitutos (muito menos isentos) do papel do Ministério Público e do Judiciário. Muito menos tem a qualidade investigativa e isenta da Polícia Federal. Foi, e continuará sendo, um foro com poder de melar investigações e proteger culpados.

Se a delação da JBS já deu o que deu tendo sido acordada diretamente com o Procurador Geral da República e homologada (e ratificada pelo pleno) por um ministro do STF, imagina o que pode sair de uma investigação conduzida por deputados e senadores diretamente envolvidos nela?

Chega de CPIs. Não temos que manter isso. E somos nós que financiaremos todos os custos extras que essas CPIs gerarão nas contas do congresso. Por meses e meses. Nós pagaremos mais essa conta.

Eles procuram sempre um jeito de “Como Parar Isso”. Nós precisamos fazer a mesma coisa.

REFORMA TRABALHISTA APROVADA. MENOS MAL.

MAS SÓ SUBIMOS UM DEGRAU.

O que a reforma trabalhista fez foi flexibilizar as regras trabalhistas e não propriamente mexer nos direitos, e nem mesmo promover uma mudança radical no sistema. Pior do que isso, ela não mexeu no maior câncer desse processo que é a justiça trabalhista.

O “corte do imposto sindical”, tão comemorado, nem um corte de verdade é. A mudança só torna opcional pagar ou não pagar, deixando o funcionário ainda à mercê das pressões dos sindicatos e patrões para que paguem. Um bom exemplo disso é que a opção por pagar sindicato pode ser ponto de barganha na hora de contratar um funcionário.

De toda maneira há pontos positivos nas mudanças, mas ainda insuficientes para que o empregador se entusiasme em contratar mais funcionários para o seu negócio, o que também depende da economia. E mais insuficientes ainda para corrigir as distorções de uma justiça trabalhista impregnada de garantismo e advogados viciados em explorar a boa-fé das pessoas e o dinheiro dos empresários.

Um funcionário que não recebeu uma indenização de R$ 2.500,00 a que tinha direito (tenha sido qualquer um o motivo), encontra nesses advogados uma promessa de causa valendo R$ 30.000,00 e diante do volume aceita pagar honorários de até 40% da indenização. O advogado não sente vergonha de apresentar a causa, muito menos o juiz de receber.

De imediato, o juiz oferece um acordo que beira os 50% do valor, já considerando o excesso da pedida. E cabe ao ex-empregador negociar, geralmente pagando no mínimo o dobro do que era realmente devido ao funcionário. Partindo do exemplo do parágrafo anterior, nesse caso o ex-empregado fica com R$ 3.000,00 e o advogado com R$2.000,00.

O ex-empregado ganhou R$ 500,00 a mais, o advogado inventou R$ 2.000,00. O ex-empregador, que numa grande parte dos casos não paga porque quebrou, tem sozinho o prejuízo de R$ 2.500,00, o dobro do que devia ao ex-funcionário.

Mas muitas das causas também não conseguem realmente ultrapassar o que realmente é devido. Assim, valendo ainda dos valores do exemplo anterior, 0s 40% do advogado viram apenas R$ 1.000,00, e o ex-empregado leva apenas R$ 1.500,00, quando poderia ter feito um acordo justo com seu ex-empregador ali diante do juiz.

O Brasil tem recebido algo próximo de 2 milhões de causas trabalhistas por ano nos últimos, tendo recebido 3 milhões em 2016. Em 2015 eram cerca de 9 milhões de processos trabalhistas em tramitação no Brasil, enquanto nos Estados Unidos o número de processos não passa de 75 mil; na França, 70 mil; e no Japão, 2,5 mil processos.

A justiça trabalhista é um feudo que precisa ser combatido com a mesma voracidade que se combate à corrupção. Trabalhismo deveria ser um tratado sobre as relações de trabalho e não uma tribuna de defesa dos empregados.

Aceitemos as mudanças como bem-vindas. Mas elas estão ainda muito distantes das relações de trabalho que eliminam a interferência do estado na forma como empregado e empregador se relacionam. Não se trata de perder direitos ou ganhar obrigações. Trata-se apenas de redefinir a maneira como esses direitos possam gerar empregos e empregadores dispostos a contratar mais.

Mesmo com as mudanças o governo continuará atuando diretamente sobre o salário, tirando compulsoriamente dos empregados o INSS, o PIS/PASEP, e IR, e ainda pegando do empregador a parte que lhe cabe sobre INSS e FGTS. E continua gastando mal esse dinheiro, sem que ele retorne em benefício para o trabalhador e para os cidadãos em geral.

Mudamos alguma coisa. Mas a paisagem é só uma distração que torna mais lenta a subida, porque ela ainda é muito é longa.