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NÃO ESTÃO REFORMANDO A POLÍTICA. ESTÃO DEFORMANDO.

E COMO PARECE QUE NADA SERÁ FEITO, ACABAREMOS MESMO É NOS CONFORMANDO

Mantidas as coligações para 2018, responsáveis pela eleição de um gigantesco número de políticos, caminha-se agora para tentar impedir que novos candidatos se lancem na política, mudando de seis meses para um ano o tempo necessário para alguém se filiar a um partido e poder disputar as eleições.

Como a eleição acontecerá no dia 7 de outubro de 2018, isso quer dizer que quem não se filiar a um partido nas próximas duas semanas estará impedido de disputar um cargo no próximo ano. E com isso, sobraria apenas mais do mesmo.

Quando em junho de 2013 o Brasil começou um movimento de contestação à política e aos políticos que aí estão, o povo brasileiro pedia uma verdadeira reforma, da política e dos políticos que aí estão. Em seguida, como fatos agudos no campo político, vieram a Lava Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, as denúncias contra Michel Temer.

Paralelo a isso tivemos as dezenas de delações premiadas como Odebrecht e JBS, ou simples confissões de crimes como fizeram Renato Duque, Léo Pinheiro e Antônio Palocci. Em ambos os casos os discursos, desculpas e justificativas dos políticos são jogados por terra, pois o que as delações e confissões revelam são fatos graves e que envolvem os três poderes da república.

Passou-se então para o plano de deformar a política, tendo um petista como relator da proposta.

Não há que se esperar nada dessa reforma política. Nada de bom pode vir de uma proposta relatada por políticos envolvidos até o pescoço em casos de corrupção. É a mesma coisa que pedir aos presos de um presídio de segurança máxima que escrevam as regras da cadeia onde estão presos.

Brasileiros e brasileiras, acordem. Se não houver uma manifestação contundente da população, em 2018 teremos as mesmas urnas eletrônicas sem voto impresso e os retratos dos mesmos políticos nessas urnas. E não faremos nada, exceto cumprir com uma ação cidadã obrigatória e passível de multa, e reeleger os únicos candidatos elegíveis pelas leis que eles mesmos fizeram.

Os tentáculos dessa organização criminosa estão em todas as partes. Exemplo disso é o pedido de vista do ministro do STF Alexandre de Moraes sobre a ação que acaba com o foro privilegiado, um absurdo e uma ação deliberada para trancar o processo e garantir sossego aos que fogem de processos e prisões.

Uma contrapartida a isso, corajosa, é o fato do ministro Barroso ter disponibilizado para julgamento a possibilidade de haver candidatos avulsos nas próximas eleições, que não dependam de se filiar a partidos políticos para poder concorrer a um cargo eletivo.

Ainda está na pauta dos deputados e senadores a aprovação de um fundo eleitoral de 1 bilhão de reais, um valor 25% maior que os 800 milhões disponibilizados este ano para as Forças Armadas no orçamento deste ano. Isso sem falar nos custos absurdos dos mandatos destes deputados e senadores com mais de 50 assessores cada um e usando tudo isso em benefício próprio e não do país.

Vivemos num país deformado, numa sociedade deformada, e ao invés de nos voltarmos para uma verdadeira reforma disso tudo, estamos apenas assistindo a uma deformação ainda mais profunda, que terminará por reeleger a maioria dos corruptos e livrá-los definitivamente de prestar contas de seus feitos à justiça.

Ministros do STF, liderados por Gilmar Mendes, trarão para a pauta muito em breve a questão da prisão após condenação em segunda instância, e ao que parece, o placar tende a ser revertido em favor da liberdade de todos os comprovadamente acusados e condenados, abrindo um caminho sem retorno para a prescrição de todos os graves crimes cometidos pelos políticos.

Ninguém quer reformar nada, nem o povo faz nada para que uma reforma transformadora aconteça.

Eles deformam a reforma. A gente, passivamente, só se conforma

POR QUE SÓ A ELETROBRÁS?

PRIVATIZEM O GOVERNO BRASILEIRO!

Nem presidencialismo, nem parlamentarismo, nem monarquia. Inventaremos o privaticionismo. Mais do que um sistema de governo, um sistema de gestão.

Político faz política. Gestor toma decisão. E dá para ver que desde 1500 não tivemos um verdadeiro gestor por essas bandas, aqueles que a gente chama de CEO, que lança livro autobiográfico aos 45 anos e ganha muito dinheiro enchendo de dinheiro os cofres da empresa que trabalha.

CEO olha para a coisa pensando em como fazer dinheiro. Político olha pensando em como ganhar dinheiro.

O Brasil precisa abandonar de vez essa mania de celebrizar políticos. Político não é artista de televisão e se for não é bom político. Basta a gente se lembrar da quantidade de mentiras e histórias interpretadas por esses bandidos diante das câmeras, todos com cara de santo, com caras de bons moços e moças que não são.

Um gestor tem que ter medo de perder o emprego. Político não tem esse medo. E nós nem colocamos esse medo neles.

Manda embora um gestor não vai precisar de congresso, de câmara ou de senado, nem de autorização ou rito por parte de ninguém, nem do STF. O que vai decidir isso é o conjunto de índices prometidos e alcançados, com avaliação semestral. Não atingiu, rua. E se quiser procurar justiça será a trabalhista.

O Brasil precisa urgentemente de alguém que entenda segurança pública com a mesma importância que um CEO entende o investimento em sistemas de segurança para uma empresa. Precisa pensar na saúde como pensa quem tem o poder de decisão para contratar um plano de saúde para os funcionários. Tem que enxergar a educação com a mesma relevância que um líder empresaria dá à formação de seus funcionários.

Precisamos de alguém que fale em planejamento estratégico e não apenas pontes para o futuro. O político ainda pensa em pontes, o gestor pensa em como chegar no futuro.

Não podemos mais conviver com a ideia nacionalista de ser donos disso ou daquilo. Nós somos donos seja lá quem for que esteja comandando empresas e tomando decisões.

O Petróleo continuará sendo brasileiro e o país provavelmente terá mais lucros com alguém bancando os riscos sem ser com o dinheiro do contribuinte.

A energia elétrica continuará chegando nas casas das pessoas independente de quem pendurou os fios na rede elétrica. A água chegará independente de quem fez a rede.

A prova da capacidade de que o Brasil e os brasileiros são capazes de produzir riqueza é o fato de mesmo com mais de 1 Trilhão de reais roubados e desviados dos cofres público nos últimos 15 anos nós não quebramos. Driblamos a violência, a deficiência da saúde, da educação, da infraestrutura, mas seguimos adiante. A sexta ou sétima economia mundial, o quinto maior em área territorial privilegiadíssima, onde, adubando, tudo dá.

Enquanto no Brasil nos entendermos apenas como povo, população ou nação, vamos ficar nessa situação. Isso só vai mudar quando começarmos a nos entender como contribuintes antes de tudo. A relação com o governo não é consanguínea, não é fraterna, é de negócios. Nós pagamos para receber serviços. E quando em qualquer lugar alguém não recebe pelo que paga, deve ter o direito de não querer mais aquele fornecedor.

Meu amigo, minha amiga, entenda que contribuinte é a mesma coisa que cliente. E se você é cliente tem que exigir o melhor dos mundos.

O Brasil tem que privatizar tudo aquilo que não é função primária do estado. Chega de sustentar vagabundo.

HOJE, A CULPA É DO PRESIDENCIALISMO. AMANHÃ, SERÁ DO PARLAMENTARISMO.

E OS CORRUPTOS, MUITOS QUE ASSALTAM O PAÍS DESDE OS TEMPOS DOS MILITARES, NUNCA TERÃO NADA A VER COM ISSO.

A desculpa se aproxima daquelas dadas por jogador de futebol depois do seu time tomar uma goleada. A culpa foi do juiz, do gramado, da dureza do adversário, da torcida que fica muito próxima do gramado, das dimensões do gramado, do cara que segurou a camisa dentro da área e o juiz não viu. Mas nada a ver com seu próprio desempenho ou de seus colegas de time, muito menos com o treinador.

O presidencialismo pode não ser o melhor sistema de governo, mas a culpa não é meramente ‘do sistema’. Isso é uma maneira de desviar a atenção do eleitorado com a promessa de mais um conto de fadas que tem tudo para não funcionar também.

A crise brasileira não é de sistema de governo, mas da sistematização da corrupção. A crise é moral, ética. E com pessoas amorais e aéticas, tanto faz o sistema.

O governo e o congresso estão tentando criar fatos novos, que justifiquem as pilantragens pregressas, e que sirvam como demonstração da preocupação, totalmente falsa, em mudar a realidade.

Não se sabe ao certo o tamanho da corrupção no governo FHC e nem se havia um funcionamento sistêmico disso, a maioria das investigações e depoimentos de corruptos já interrogados e/ou presos, nunca confirmou. Mas são fartas as declarações que o sistema de cooptação de parlamentares através de corrupção sistêmica foi largamente utilizado desde que Lula assumiu em 2003.

De todos, porém, nenhum deles está mais infiltrado nas entranhas do poder do que o PMDB, que como toda boa “Maria vai com as outras”, nunca se importou de alugar sua legenda para o governo de plantão. Com isso, figuras como José Sarney, que esteve ao lado do regime da primeira à última hora, dominam e se beneficiam de áreas estratégicas como o setor elétrico. Sarney só virou PMDB por conveniência.

O que precisa mudar no Brasil não é necessariamente o sistema e sim a mentalidade. E também não necessariamente apenas a mentalidade do político, mas principalmente a do eleitor. Não renovar os mandatos de 90% dos políticos é o primeiro passo, e terá que ser um serviço completo, dos deputados estaduais ao presidente da república.

A população precisa ter mais atenção à política local, conhecer seus vereadores e deputados estaduais. Pela ordem natural das coisas, os vereadores de hoje são os deputados estaduais de amanhã que virão a ser deputados federais, senadores e governadores mais para frente. E não se revelam corruptos quando estão no topo, lá só fica mais escandaloso.

Portanto, obedecido o critério da honestidade, da probidade, o sistema de governo é uma questão de lógica e/ou preferência. Mas é inconcebível que qualquer mudança seja feita sem a devida consulta popular, seja através de plebiscito ou referendo. Qualquer coisa fora disso é usurpação de poder.

Quando Michel Temer fala em semi-presidencialismo, ele só está mesmo dando legitimidade ao semi-presidente que é. Não conseguiu e não conseguirá ser um presidente por inteiro, por mais reformas que aprove e por melhor que a economia possa evoluir.

E quanto ao que disse Rodrigo Maia sobre fundo de participação, sistema de governo, reforma política, esquece. Ele só fala o que mandam, quando mandam e como mandam. Ele é mais um nada bem-mandado que não carrega mais malas. Só as suas.

O que precisa mudar no Brasil é o pacto federativo. Enquanto não mudar isso, não importa quão bem intencionado é um projeto, uma lei ou uma reforma. O governo federal com todo o dinheiro e investindo mal, os estados e municípios continuarão muito mais pobres do que deveriam e de prato na mão se dispondo a fazer qualquer tramoia para receber uma migalha a mais. Fora isso, o resto e convera.

A VIOLÊNCIA URBANA MATOU 155 PESSOAS POR DIA NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2017

 

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8,2 MIL PESSOAS PERDERAM A VIDA. E OS POLÍTICOS BRASILEIROS PERDERAM A VERGONHA DE VEZ. 

Em outubro do ano passado, matéria do G1 registrava que a violência urbana no Brasil matava mais do que regiões de guerra. Enquanto em 4 anos haviam morrido 256 mil pessoas na Síria, no mesmo período no Brasil morreram 279 mil.

O Estadão de hoje registra que no primeiro semestre desse ano já ocorreram 28,2 mil homicídios no Brasil, uma média de 155 por dia.

Continua a matéria do Estadão informando que “são 155 assassinatos por dia, cerca de seis por hora nos Estados brasileiros, onde as características das mortes se repetem: ligada ao tráfico de drogas e tendo como vítimas jovens negros pobres da periferia executados com armas de fogo. O número é 6,79% maior do que no mesmo período do ano passado e indica que o País pode retornar à casa dos 60 mil casos anuais.”

Todo mundo está cansado de saber que o estados é um grande patrocinador dessa violência. É quando ele se torna ausente que ela prolifera nesse proporção.

Essa conta só diz respeito a homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte) e nos dá a sensação de que a violência gerada pela ausência do estado se refletisse apenas isso. Não é verdade.

Quando o estado não cumpre seu papel a violência começa na ausência de um sistema educacional capaz de conter os jovens nas escolas e oferecer a eles educação de verdade que lhes dê oportunidade de conquistar uma vida profissional de qualidade. O governo brasileiro não faz isso.

Também é violência tirar do cidadão a capacidade de prover seu próprio sustento, e de sua família. São 14 milhões de desempregados no Brasil, possivelmente 14 milhões de famílias, algo próximo de 40 milhões de pessoas sem uma remuneração formal ou digna.

A violência se estabelece quando as pessoas morrem por falta de assistência médica capaz de retribuir a elas o que lhes toma na forma de impostos. Faltam médicos, faltam remédios, faltam leitos, falta vergonha na cara.

Centenas de pessoas morrem em estradas como a BR 262 que liga Minas Gerais ao sul da Bahia, cuja duplicação é promessa de campanha de presidentes e governadores dos últimos 20 anos, sem que um metro de acostamento tenha sido feito para isso. Além disso, essa estrada é importante ligação de escoamento de cargas entre sudeste e nordeste, de comida a bens de consumo. Segundo o Portal Brasil, do governo em 2016 foram 6405 mortes em acidentes nas estradas federais.

Não é possível achar isso normal. Nada disso.

A corrupção desviou 80 bilhões de reais por ano de 2003 a 2016. Um trilhão de reais foi tirado da segurança, da educação, da saúde, da infraestrutura, do meu bolso, do seu bolso.

Nesse ritmo de 155 pessoas por dia, passaremos novamente dos 60 mil homicídios em 2017. E o ano que vem será pior.

Ou alguém começa a estabelecer o povo como prioridade ou em breve estaremos estabelecendo também o recorde de maior país produtor de caixões funerários.

 

MATÉRIA DO G1

MATÉRIA DO ESTADÃO

INFOGRÁFICO DO O GLOBO COM MAPA DOS ACIDENTES EM ESTRADAS

NÃO SE ILUDA. A REFORMA POLÍTICA EM CURSO É NA VERDADE ELEITORAL. E ELEITOREIRA.

INVENTARAM AGORA O “DISTRITÃO MISTO”, PARA O ELEITOR ENTENDER AINDA MENOS O QUE ESTARÁ FAZENDO NA URNA.

Você lê sobre reforma política aqui, ali, acolá, mas o que está sendo reformado mesmo?

Senadores continuarão tendo 8 anos de mandato e os demais cargos eletivos continuarão a ter 4 anos. A reeleição está mantida. Não se falou um segundo sobre reduzir número de senadores ou deputados federais ou estaduais ou vereadores. E se deixar eles aumentam em vez de reduzir.

Partidos grandes já tentam, inclusive, recriar o financiamento privado de campanhas, fazendo parecer que a ameaça de criação do fundo partidário de 3,6 bilhões era apenas uma ameaça para que a sociedade aceitasse o retorno da doação de dinheiro das empresas como uma alternativa melhor.

Todas as questões e movimentos convergem para a reforma do sistema eleitoral, que é “onde a porca torce do rabo”.

Grande parte dos deputados e senadores sabem que se não for criado um modelo que iluda ou confunda os eleitores, a chance de não se reeleger é gigante. E sabem que mesmo com toda pirotecnia que inventem, esse risco ainda existe.

Com as desculpas mais esfarrapadas do mundo, partidos políticos correm ao TSE para trocar de nome. E não fazem por ideologia ou simpatia, mas pelo desgaste dos nomes das legendas, quase todas envolvidas com corrupção. Como se isso mudasse também o caráter dos políticos que as compõem. E não se assuste se daqui a pouco políticos começarem a mudar de nome também, pelo menos o nome

Tudo trata apenas de tentar criar artifícios que levem o eleitor a cometer erros nas próximas eleições, seja por votar num partido com novo nome, como se novo o partido fosse, ou votar de maneira que garanta aos rejeitados uma fórmula mágica de coeficiente eleitoral que os permita continuar roubando e, principalmente, que lhes garanta imunidade e impunidade, longe das mãos da justiça.

Resumindo, eles não querer reformar a política, só querem deformar mais ainda.

 

HOJE OS DEPUTADOS VOTARÃO A REFORMA POLÍTICA KINDER OVO.

E PREPAREM-SE PARA AS SURPRESINHAS, NA MAIORIA DAS VEZES SÃO DECEPCIONANTES.

Todo mundo sabe que dificilmente uma votação desse gênero, envolvendo tantos interesses diferentes – menos o do povo – chegue ao seu final exatamente como foi proposta, mesmo que a proposição em si já tenha sido recheada de absurdos.

O que veremos hoje é a ganância versus democracia. O que veremos hoje é a exposição da face mais suja dos políticos brasileiros que tentam legalizar aquilo que antes era roubado, desviado ou simplesmente apropriado por todos na forma de propinas e venda de emendas e consciências.

Aliás, se é algo que falta à maioria dos deputados é a tal da consciência. A única coisa da qual são absolutamente conscientes é que precisam continuar no poder, uns para continuar roubando, outros para não ir para a cadeia.

A reforma política não é uma reforma, e sim a tentativa de uma nova forma de passar a perna nos cidadãos, e isso inclui tudo o que está na proposta, da apropriação espúria de dinheiro público que resolveria o problema da saúde pública às mudanças no sistema eleitoral que visa garantir que quem está continua, e roubando.

O povo brasileiro não saiu às ruas, não protestou com a veemência necessária para fazer os parlamentares sentirem pelo menos arrepios. Apenas usou as redes sociais como se fossem ruas e avenidas, e como se isso fosse suficiente para pôr medo nesses bandidos que nos últimos tempos só legislam em causa própria, seja qual for a matéria. Apenas se perguntam “o que eu vou ganhar nisso?”.

Para os atuais políticos, especialmente os encrencados, muito encrencados e encrencados para caramba, o povo é aquele detalhezinho chato da democracia, aquela pedrinha no sapato que incomoda, mas não impede de seguir a caminhada. E se tudo der certo, superado o trecho complicado do caminho, basta sacudir o sapato que a pedrinha cai no chão e se junta as outras milhares de pedrinhas que nunca incomodaram ninguém.

E já que ninguém se manifestou com a força e com o poder que tem, que fiquem atentos às surpresinhas que essa reforma kinder ovo promete, como, por exemplo, reaparecer a tal emenda Lula e outras tantas que em nada interessam à população, mas que garantem sossego para muitos políticos com medo de ver o sol nascer quadrado.

FUNDO PARTIDÁRIO DE 3,6 BILHÕES SERÁ VOTADO AMANHÃ NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

E DIFICLIMENTE DEIXARÁ DE SER APROVADO. CUIDADO COM A EMENDA LULA. ELES ADORAM SURPRESINHAS.

A despeito do que pensa a sociedade – que na verdade só pensa e não age – o deputado Rodrigo Maia pautou a votação da PEC da Reforma Política para esta quarta-feira 16/08.

Além do fundo democrático que democratiza o dinheiro do povo na mão dos políticos, será votada também a emenda que introduz o Distritão, um modelo que mistura o que funciona mais ou menos com o que não funciona de jeito nenhum e que ainda inclui a tal lista fechada no meio. E isso se não surgirem surpresas de última hora, como ressuscitar a tal Emenda Lula. Nunca se sabe.

Caro leitor, cara leitora, os políticos não estão nem aí para o que eu ou você pensamos.

Para os políticos brasileiros, cargo sem mordomia não é cargo. Tem que ter gabinete com dezenas de assessores, carro oficial, residência oficial, gordas verbas de gabinete, altos salários e jetons, e muita impunidade para gastar aquele dinheiro que é retirado à força dos nossos salários e dos impostos que pagamos no preço de tudo que consumimos.

Vivemos ainda num mundo cheio de palácios oficiais que custam uma fortuna para serem mantidos, práticas que se repetem em todos os estados e em muitos municípios do Brasil, uma herança maldita da época do império que parece registrada no DNA dos políticos brasileiros.

Vamos pagar mais essa conta e deveríamos fazer calados, uma vez que não nos damos a ousadia de usar nossas vozes para evitar com a mesma contundência que usamos para reclamar depois que a coisa não tem mais retorno.

Insisto que as redes sociais são um palco maravilhoso para exposição de ideias e um magnífico palanque para discursos reclamatórios, mas não será elas não têm o poder de mudar o país sozinhas. O problema do Brasil é real e não virtual. Fosse virtual a gente poderia apenas deletar, excluir, bloquear ou dar mute nos políticos e problemas, mas não funciona assim.

A recusa do brasileiro em assumir para si a responsabilidade de se manifestar determinantemente contra as manobras dos políticos brasileiros só aumenta a conta que mais cedo o mais tarde – e parece que será cada vez mais cedo – chegará para ser paga.

Muitos de nós, pela idade, não chegarão a ver um Brasil rico e próspero, pelo tempo que se levará para atingir o país e a sociedade atingirem esse nível. Por outro lado, enquanto estivermos por aqui, pagaremos cada centavo das mordomias e do desperdício de dinheiro público que nos mantém amarrados no subdesenvolvimento.

Mesmo tendo lido e concordado com o que escrevi, todos levantarão amanhã e sairão normalmente para trabalhar, darão ao governo no mínimo 25% de todo real que gastarem, acompanharão as notícias do dia e se manifestarão como frases do tipo “esse governo é ladrão”, “políticos são todos ladrões”, “eles só sabem roubar”, falarão disso tudo nas redes socais, e irão dormir novamente para trabalhar no dia seguinte.

Amanhã é a reforma política, daqui a pouco a reforma da previdência, e é bom você se esquecer daquela reforma que queria fazer na sua casa, ela nunca estará na pauta do congresso, a menos que você more numa dessas suntuosas residências oficias.

Mas acho que isso tudo é cisma minha, bobagem. Afinal, brasileiro sempre dá um jeitinho, né?

PARLAMENTARISMO À BRASILEIRA

NUM PAÍS ONDE ATÉ O IMPOSSÍVEL É POSSÍVEL, NÃO É IMPOSSÍVEL.

Político brasileiro é um saco sem fundo de ideias que só servem para servir a si mesmos.

O ex-motorista do Marighela, aquele que fez plástica para ficar com a cara do Dedé Santana e atende pelo nome de Aloysio Nunes, não foge à regra.

Segundo resumo do Estadão, a proposta de parlamentarismo do atual Ministro das Relações Exteriores (se está licenciado do senado para ser ministro não devia estar cuidando disso ao invés de estar propondo leis?) promete ser um misto do que tem de ruim no presidencialismo com o que tem de poderoso no parlamentarismo.

Segundo a proposta, o povo elege o presidente que vai ser chefe das Forças Armadas e fazer política externa. Esse presidente eleito escolhe o primeiro-ministro, que seria quem comandaria o país. Mas, ao contrário da esmagadora maioria dos países que adotam o sistema, o primeiro-ministro não representado pelo partido que tem a maioria das cadeiras no parlamento.

E para coroar a meleca, o presidente teria poder para dissolver o congresso quando lhe desse na telha, e ao mesmo tempo o congresso teria poder de dar uma moção de censura, tipo um voto de desconfiança, o que obrigaria o presidente a nomear um novo primeiro-ministro.

Resumindo a titica, o presidente poderia nomear um primeiro-ministro contrário ao congresso, que poderia derrubar esse primeiro-ministro, mas se ameaçar fazer isso o presidente pode dissolver esse mesmo congresso.

E perceba que eu sequer toquei na questão da economia, que ficará a mercê disso tudo.

O pior de tudo é saber que tão fantástica quanto as mentes dos políticos é a capacidade do povo brasileiro de permitir que essas coisas possam virar realidade.

A REFORMA POLÍTICA É UMA SOPA DE PEDRA

AH! VOCÊ NÃO SABE O QUE É UMA SOPA DE PEDRA?

Reza a lenda que um morador de uma vila se encontrava ajoelhado diante de um caldeirão sob uma fogueira. Dentro havia apenas água e uma pedra grande.

O primeiro vizinho que viu aquela cena questionou o que fazia ali o rapaz e ele disse solenemente: sopa de pedra. Espantado, o vizinho afirmou que jamais tinha visto uma sopa de pedra, quando o rapaz disse que é muito boa, mas que ficaria melhor se tivesse ali também umas batatas. Motivado pela curiosidade, o vizinho correu e providenciou as batatas.

Estavam, então, os dois ali diante do caldeirão quando um terceiro vizinho se interessou pela cena, repetiu os questionamentos do anterior e recebeu de volta a informação que se além da pedra e das batatas tivessem também umas cenouras, ficaria ainda melhor. E ele se encarregou de ir providenciar as cenouras.

E então outros vizinhos foram chegando, entendendo o que ali acontecia e informados que agregando azeite, sal, cebolas e mandioca a sopa ficaria perfeita. E cada um deu sua contribuição e ficaram ali todos diante do caldeirão, ansiosos pela sopa.

Depois de algum tempo, enfim, o dono do caldeirão informou que a sopa finalmente estava pronta. Mergulhou então uma colher no caldeirão, retirou de dentro a pedra e jogou fora.

Mais curiosos ainda os vizinhos então perguntaram: mas você jogou a pedra fora? E o dono do caldeirão respondeu: tem problema não, a pedra era só para dar um gostinho.

A reforma política brasileira é uma sopa de pedra.

DEPOIS DO “TEM QUE MANTER ISSO” DE TEMER, O CONGRESSO QUER CPIs – COMO PARA ISSO

O QUE DEU CERTO NA CPI DOS CORREIOS FOI A PARTE QUE DEU ERRADO E REVELOU O MENSALÃO. O RESTO SAIU DE LÁ IMPUNE. INCLUSIVE LULA. INCLUSIVE AÉCIO.

Toda vez que o congresso se vê pressionado com alguma coisa, dá-lhe CPI. É CPI na Câmara dos Deputados e CPI no Senado investigando as mesmas coisas, ou então fazem a CPI mista de uma vez. O importante é criar CPIs e fingir que estão tratando de alguma coisa com a importância devida.

Ainda que se fizessem CPIs com algum propósito digno, seria impossível que alguma coisa pelo menos digna saísse das mãos desses políticos, a maioria sem dignidade nenhuma.

Parte do pagamento pelos votos a favor do arquivamento da denúncia contra Temer virá na forma de uma reforma política que atenda os interesses dos partidos clientelistas e fisiológicos; a bagatela de 6 BILHÕES DE REAIS num novo fundo partidário. E ninguém vai fazer uma CPI para tratar disso.

O caráter investigativo das tais Comissões Parlamentares de Inquérito, apesar do poder de investigar, condenar e até mandar prender, não os torna substitutos (muito menos isentos) do papel do Ministério Público e do Judiciário. Muito menos tem a qualidade investigativa e isenta da Polícia Federal. Foi, e continuará sendo, um foro com poder de melar investigações e proteger culpados.

Se a delação da JBS já deu o que deu tendo sido acordada diretamente com o Procurador Geral da República e homologada (e ratificada pelo pleno) por um ministro do STF, imagina o que pode sair de uma investigação conduzida por deputados e senadores diretamente envolvidos nela?

Chega de CPIs. Não temos que manter isso. E somos nós que financiaremos todos os custos extras que essas CPIs gerarão nas contas do congresso. Por meses e meses. Nós pagaremos mais essa conta.

Eles procuram sempre um jeito de “Como Parar Isso”. Nós precisamos fazer a mesma coisa.