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O BRASIL É O QUE O POVO BRASILEIRO QUER QUE ELE SEJA

SÓ O CAOS MUDARIA ISSO. O PROBLEMA É QUE NO BRASIL ATÉ O CAOS É DE MÁ QUALIDADE.

Certas horas é difícil escrever sobre um tema sobre o qual eu falo com alguma insistência. Não se trata do que falar, mas do como falar.

Acredito que tudo o que alguém que escreve alguma coisa deseja é que essa alguma seja lida, entendida, e que possa fazer alguma diferença na vida desse alguém. Novamente, não é o que falar, mas o como falar. Quem escreve tem por objetivo sensibilizar o leitor através da narrativa que faz dos fatos. E fica complicado quando as pessoas ficam insensíveis e anestesiadas a tudo que acontece.

Depois de três anos de seguida exposição das quase profundezas (ainda pode ir mais fundo) da corrupção no Brasil, o brasileiro não se escandaliza mais com nada. Aliás, a palavra escândalo caiu em desuso. O brasileiro não consegue associar escândalo com corrupção porque não classifica esse crime como algo relacionado à moral. O povo brasileiro não associa lei com moral. Moral continua sendo tomar chifre, botar chifre, coisa ligada a honra, nada a ver com lei. Roubar, desviar, superfaturar, o que isso tem a ver com moral?

Eu poderia me referir às esvaziadas manifestações de ontem, absolutamente sem liderança, sem foco, sem objetivo, marcada com 3 meses de antecedência por um motivo que foi mudando ao longo do tempo até ninguém saber qual era. Ir lá fazer o que? Protestar contra o que? Contra quem?

Lula continua solto. Renan continua solto. Aécio continua solto. Dilma continua solta. Mantega continua solto. Gabrielli continua solto. Luciano Coutinho continua solto. Gleisi Hoffmann continua solta. Paulo Bernardo continua solto. Romero Jucá continua solto. Collor continua solto. Sarney jamais será preso.

Dois terços do Senado e mais da metade da Câmara dos Deputados respondem a inquéritos e processos que vão de crime ambiental a estupro.

O deputado federal Osmar Bertoldi, do Paraná, preso há 8 meses por lesão corporal, estupro e cárcere privado, entre outros, ganhou liberdade porque era o primeiro suplente do deputado Ricardo Barros, que se licenciou para assumir o Ministério da Saúde. Saiu do cumprimento de pena por estupro para assumir o cargo de deputado federal, propor leis, votar em leis. Isso faz algum sentido?

Esse é um caso absurdo, mas não menos absurdo que os crimes de peculato, improbidade administrativa, desvio de verbas, fraude em licitação, crime contra o patrimônio, recebimento de propina, concussão e outros tantos a que tantos prefeitos, vereadores, deputados estaduais, deputados federais, governadores, senadores e até o próprio presidente da república respondem.

Não serão eles a mudar as coisas. Muito menos o Supremo Tribunal Federal que, na figura de alguns ministros, tendo Gilmar Mendes à frente, dão seguidas demonstrações de que estão lá para assegurar que as coisas continuem como estão. Ou melhor, que voltem a ficar mais fácil para os corruptos, como a provável revisão contra a prisão após condenação em Segunda Instância que não demorará a ser – forçosamente – pautada pela ministra Carmem Lúcia.

Não contem com intervenção militar exceto num caos extremado onde uma guerra civil se estabeleça nas ruas; pelo menos formalmente, porque se o Rio de Janeiro não vive uma pequena guerra civil fica difícil nominar o que acontece por lá.

Não existe mágica. Não existe salvador da pátria, nem haverá um em 2018. Seja quem for o eleito, por mais bem-intencionado que queira ser, encontrará um país sucateado que só os próximos 50 anos poderão consertar. E quem está no poder vai tirar o que conseguir enquanto o final de 2018 não chegar. Com tudo o que já se viu na mídia, diariamente somos brindados com cenas de flagrante de suborno, como o caso da funcionária do Incra nessa semana.

O Brasil permanecerá assim enquanto o povo brasileiro assim quiser. Não haverá mudança vinda de um povo que não muda.

 

POR QUE SÓ A ELETROBRÁS?

PRIVATIZEM O GOVERNO BRASILEIRO!

Nem presidencialismo, nem parlamentarismo, nem monarquia. Inventaremos o privaticionismo. Mais do que um sistema de governo, um sistema de gestão.

Político faz política. Gestor toma decisão. E dá para ver que desde 1500 não tivemos um verdadeiro gestor por essas bandas, aqueles que a gente chama de CEO, que lança livro autobiográfico aos 45 anos e ganha muito dinheiro enchendo de dinheiro os cofres da empresa que trabalha.

CEO olha para a coisa pensando em como fazer dinheiro. Político olha pensando em como ganhar dinheiro.

O Brasil precisa abandonar de vez essa mania de celebrizar políticos. Político não é artista de televisão e se for não é bom político. Basta a gente se lembrar da quantidade de mentiras e histórias interpretadas por esses bandidos diante das câmeras, todos com cara de santo, com caras de bons moços e moças que não são.

Um gestor tem que ter medo de perder o emprego. Político não tem esse medo. E nós nem colocamos esse medo neles.

Manda embora um gestor não vai precisar de congresso, de câmara ou de senado, nem de autorização ou rito por parte de ninguém, nem do STF. O que vai decidir isso é o conjunto de índices prometidos e alcançados, com avaliação semestral. Não atingiu, rua. E se quiser procurar justiça será a trabalhista.

O Brasil precisa urgentemente de alguém que entenda segurança pública com a mesma importância que um CEO entende o investimento em sistemas de segurança para uma empresa. Precisa pensar na saúde como pensa quem tem o poder de decisão para contratar um plano de saúde para os funcionários. Tem que enxergar a educação com a mesma relevância que um líder empresaria dá à formação de seus funcionários.

Precisamos de alguém que fale em planejamento estratégico e não apenas pontes para o futuro. O político ainda pensa em pontes, o gestor pensa em como chegar no futuro.

Não podemos mais conviver com a ideia nacionalista de ser donos disso ou daquilo. Nós somos donos seja lá quem for que esteja comandando empresas e tomando decisões.

O Petróleo continuará sendo brasileiro e o país provavelmente terá mais lucros com alguém bancando os riscos sem ser com o dinheiro do contribuinte.

A energia elétrica continuará chegando nas casas das pessoas independente de quem pendurou os fios na rede elétrica. A água chegará independente de quem fez a rede.

A prova da capacidade de que o Brasil e os brasileiros são capazes de produzir riqueza é o fato de mesmo com mais de 1 Trilhão de reais roubados e desviados dos cofres público nos últimos 15 anos nós não quebramos. Driblamos a violência, a deficiência da saúde, da educação, da infraestrutura, mas seguimos adiante. A sexta ou sétima economia mundial, o quinto maior em área territorial privilegiadíssima, onde, adubando, tudo dá.

Enquanto no Brasil nos entendermos apenas como povo, população ou nação, vamos ficar nessa situação. Isso só vai mudar quando começarmos a nos entender como contribuintes antes de tudo. A relação com o governo não é consanguínea, não é fraterna, é de negócios. Nós pagamos para receber serviços. E quando em qualquer lugar alguém não recebe pelo que paga, deve ter o direito de não querer mais aquele fornecedor.

Meu amigo, minha amiga, entenda que contribuinte é a mesma coisa que cliente. E se você é cliente tem que exigir o melhor dos mundos.

O Brasil tem que privatizar tudo aquilo que não é função primária do estado. Chega de sustentar vagabundo.

PEITAR OU NÃO PEITAR GILMAR MENDES, EIS A QUESTÃO

 

PEDIDO DE SUSPEIÇÃO DE GILMAR MENDES FEITO POR RODRIGO JANOT JÁ ESTÁ NAS MÃOS DE CARMEM LÚCIA

É claro que a ministra Carmem Lúcia sabia do tamanho da tarefa que a esperava. Ninguém chega sequer a ministro do STF se não estiver reconhecidamente preparado para o cargo. Mas isso tudo no campo técnico. No campo político é outra história.

Desde que assumiu o papel de presidente paralelo do STF, o ministro Gilmar Mendes manda e desmanda, faz e desfaz, com constituição ou sem constituição. E ninguém faz nada contra ele. Que se saiba ninguém fez uma representação no CNJ. Ele faz do Código de Ética da Magistratura apenas uma fonte de frases bem construídas às quais se permite as licenças poéticas que bem entender.

Rodrigo Janot não é o que se pode chamar de home isento também, ainda mais para questionar a isenção de alguém. Mas o fez. Pediu a suspeição de Gilmar Mendes. E colocou esse abacaxi no colo de Carmem Lúcia.

O que está em jogo nesse negócio não é lei, ou apenas lei, é política pura. E Carminha não parece ser muito fluente nesse idioma.

Carmem Lúcia pode simplesmente arquivar o pedido, e sua biografia junto. Vai assumir que na presidência do STF ela não passa de mera “Rainha da Inglaterra”.

Pode ouvir Gilmar Mendes dizer que padrinho de casamento não é parente. Pode ouvir também testemunhas que dirão até que nem sabiam que Gilmar Mendes era ministro do STF.

Mas ela não vai fazer isso. Vai levar para o plenário decidir. E com isso vai acabar peitando Gilmar Mendes do mesmo jeito. Só que não vai fazer sozinha.

Está aí uma chance de vermos Gilmar Mendes numa posição muito desconfortável. É boa a chance de que o pedido de suspeição seja aceito pelos outros ministros, mesmo que isso sirva apenas para diminuir a quantidade de holofotes que vivem em cima do STF, e assim vender uma falsa imagem de confiança aos contribuintes, como se fosse de verdade. Veja que uma sessão do STF para isso, inclusive, é secreta.

Carmem Lúcia preside o STF, mas não manda. Ou o Gilmar Mendes desmanda. Ou que quem manda é ele?

Antônio Dias Tóffoli será o próximo presidente do STF, o que prova que Tiririca não entende nada de slogan ou previsão. Pior que está pode ficar sim.

HOJE, A CULPA É DO PRESIDENCIALISMO. AMANHÃ, SERÁ DO PARLAMENTARISMO.

E OS CORRUPTOS, MUITOS QUE ASSALTAM O PAÍS DESDE OS TEMPOS DOS MILITARES, NUNCA TERÃO NADA A VER COM ISSO.

A desculpa se aproxima daquelas dadas por jogador de futebol depois do seu time tomar uma goleada. A culpa foi do juiz, do gramado, da dureza do adversário, da torcida que fica muito próxima do gramado, das dimensões do gramado, do cara que segurou a camisa dentro da área e o juiz não viu. Mas nada a ver com seu próprio desempenho ou de seus colegas de time, muito menos com o treinador.

O presidencialismo pode não ser o melhor sistema de governo, mas a culpa não é meramente ‘do sistema’. Isso é uma maneira de desviar a atenção do eleitorado com a promessa de mais um conto de fadas que tem tudo para não funcionar também.

A crise brasileira não é de sistema de governo, mas da sistematização da corrupção. A crise é moral, ética. E com pessoas amorais e aéticas, tanto faz o sistema.

O governo e o congresso estão tentando criar fatos novos, que justifiquem as pilantragens pregressas, e que sirvam como demonstração da preocupação, totalmente falsa, em mudar a realidade.

Não se sabe ao certo o tamanho da corrupção no governo FHC e nem se havia um funcionamento sistêmico disso, a maioria das investigações e depoimentos de corruptos já interrogados e/ou presos, nunca confirmou. Mas são fartas as declarações que o sistema de cooptação de parlamentares através de corrupção sistêmica foi largamente utilizado desde que Lula assumiu em 2003.

De todos, porém, nenhum deles está mais infiltrado nas entranhas do poder do que o PMDB, que como toda boa “Maria vai com as outras”, nunca se importou de alugar sua legenda para o governo de plantão. Com isso, figuras como José Sarney, que esteve ao lado do regime da primeira à última hora, dominam e se beneficiam de áreas estratégicas como o setor elétrico. Sarney só virou PMDB por conveniência.

O que precisa mudar no Brasil não é necessariamente o sistema e sim a mentalidade. E também não necessariamente apenas a mentalidade do político, mas principalmente a do eleitor. Não renovar os mandatos de 90% dos políticos é o primeiro passo, e terá que ser um serviço completo, dos deputados estaduais ao presidente da república.

A população precisa ter mais atenção à política local, conhecer seus vereadores e deputados estaduais. Pela ordem natural das coisas, os vereadores de hoje são os deputados estaduais de amanhã que virão a ser deputados federais, senadores e governadores mais para frente. E não se revelam corruptos quando estão no topo, lá só fica mais escandaloso.

Portanto, obedecido o critério da honestidade, da probidade, o sistema de governo é uma questão de lógica e/ou preferência. Mas é inconcebível que qualquer mudança seja feita sem a devida consulta popular, seja através de plebiscito ou referendo. Qualquer coisa fora disso é usurpação de poder.

Quando Michel Temer fala em semi-presidencialismo, ele só está mesmo dando legitimidade ao semi-presidente que é. Não conseguiu e não conseguirá ser um presidente por inteiro, por mais reformas que aprove e por melhor que a economia possa evoluir.

E quanto ao que disse Rodrigo Maia sobre fundo de participação, sistema de governo, reforma política, esquece. Ele só fala o que mandam, quando mandam e como mandam. Ele é mais um nada bem-mandado que não carrega mais malas. Só as suas.

O que precisa mudar no Brasil é o pacto federativo. Enquanto não mudar isso, não importa quão bem intencionado é um projeto, uma lei ou uma reforma. O governo federal com todo o dinheiro e investindo mal, os estados e municípios continuarão muito mais pobres do que deveriam e de prato na mão se dispondo a fazer qualquer tramoia para receber uma migalha a mais. Fora isso, o resto e convera.

A VIOLÊNCIA URBANA MATOU 155 PESSOAS POR DIA NO PRIMEIRO SEMESTRE DE 2017

 

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8,2 MIL PESSOAS PERDERAM A VIDA. E OS POLÍTICOS BRASILEIROS PERDERAM A VERGONHA DE VEZ. 

Em outubro do ano passado, matéria do G1 registrava que a violência urbana no Brasil matava mais do que regiões de guerra. Enquanto em 4 anos haviam morrido 256 mil pessoas na Síria, no mesmo período no Brasil morreram 279 mil.

O Estadão de hoje registra que no primeiro semestre desse ano já ocorreram 28,2 mil homicídios no Brasil, uma média de 155 por dia.

Continua a matéria do Estadão informando que “são 155 assassinatos por dia, cerca de seis por hora nos Estados brasileiros, onde as características das mortes se repetem: ligada ao tráfico de drogas e tendo como vítimas jovens negros pobres da periferia executados com armas de fogo. O número é 6,79% maior do que no mesmo período do ano passado e indica que o País pode retornar à casa dos 60 mil casos anuais.”

Todo mundo está cansado de saber que o estados é um grande patrocinador dessa violência. É quando ele se torna ausente que ela prolifera nesse proporção.

Essa conta só diz respeito a homicídios dolosos, lesões corporais seguidas de morte e latrocínios (roubos seguidos de morte) e nos dá a sensação de que a violência gerada pela ausência do estado se refletisse apenas isso. Não é verdade.

Quando o estado não cumpre seu papel a violência começa na ausência de um sistema educacional capaz de conter os jovens nas escolas e oferecer a eles educação de verdade que lhes dê oportunidade de conquistar uma vida profissional de qualidade. O governo brasileiro não faz isso.

Também é violência tirar do cidadão a capacidade de prover seu próprio sustento, e de sua família. São 14 milhões de desempregados no Brasil, possivelmente 14 milhões de famílias, algo próximo de 40 milhões de pessoas sem uma remuneração formal ou digna.

A violência se estabelece quando as pessoas morrem por falta de assistência médica capaz de retribuir a elas o que lhes toma na forma de impostos. Faltam médicos, faltam remédios, faltam leitos, falta vergonha na cara.

Centenas de pessoas morrem em estradas como a BR 262 que liga Minas Gerais ao sul da Bahia, cuja duplicação é promessa de campanha de presidentes e governadores dos últimos 20 anos, sem que um metro de acostamento tenha sido feito para isso. Além disso, essa estrada é importante ligação de escoamento de cargas entre sudeste e nordeste, de comida a bens de consumo. Segundo o Portal Brasil, do governo em 2016 foram 6405 mortes em acidentes nas estradas federais.

Não é possível achar isso normal. Nada disso.

A corrupção desviou 80 bilhões de reais por ano de 2003 a 2016. Um trilhão de reais foi tirado da segurança, da educação, da saúde, da infraestrutura, do meu bolso, do seu bolso.

Nesse ritmo de 155 pessoas por dia, passaremos novamente dos 60 mil homicídios em 2017. E o ano que vem será pior.

Ou alguém começa a estabelecer o povo como prioridade ou em breve estaremos estabelecendo também o recorde de maior país produtor de caixões funerários.

 

MATÉRIA DO G1

MATÉRIA DO ESTADÃO

INFOGRÁFICO DO O GLOBO COM MAPA DOS ACIDENTES EM ESTRADAS

NÃO SE ILUDA. A REFORMA POLÍTICA EM CURSO É NA VERDADE ELEITORAL. E ELEITOREIRA.

INVENTARAM AGORA O “DISTRITÃO MISTO”, PARA O ELEITOR ENTENDER AINDA MENOS O QUE ESTARÁ FAZENDO NA URNA.

Você lê sobre reforma política aqui, ali, acolá, mas o que está sendo reformado mesmo?

Senadores continuarão tendo 8 anos de mandato e os demais cargos eletivos continuarão a ter 4 anos. A reeleição está mantida. Não se falou um segundo sobre reduzir número de senadores ou deputados federais ou estaduais ou vereadores. E se deixar eles aumentam em vez de reduzir.

Partidos grandes já tentam, inclusive, recriar o financiamento privado de campanhas, fazendo parecer que a ameaça de criação do fundo partidário de 3,6 bilhões era apenas uma ameaça para que a sociedade aceitasse o retorno da doação de dinheiro das empresas como uma alternativa melhor.

Todas as questões e movimentos convergem para a reforma do sistema eleitoral, que é “onde a porca torce do rabo”.

Grande parte dos deputados e senadores sabem que se não for criado um modelo que iluda ou confunda os eleitores, a chance de não se reeleger é gigante. E sabem que mesmo com toda pirotecnia que inventem, esse risco ainda existe.

Com as desculpas mais esfarrapadas do mundo, partidos políticos correm ao TSE para trocar de nome. E não fazem por ideologia ou simpatia, mas pelo desgaste dos nomes das legendas, quase todas envolvidas com corrupção. Como se isso mudasse também o caráter dos políticos que as compõem. E não se assuste se daqui a pouco políticos começarem a mudar de nome também, pelo menos o nome

Tudo trata apenas de tentar criar artifícios que levem o eleitor a cometer erros nas próximas eleições, seja por votar num partido com novo nome, como se novo o partido fosse, ou votar de maneira que garanta aos rejeitados uma fórmula mágica de coeficiente eleitoral que os permita continuar roubando e, principalmente, que lhes garanta imunidade e impunidade, longe das mãos da justiça.

Resumindo, eles não querer reformar a política, só querem deformar mais ainda.

 

HOJE OS DEPUTADOS VOTARÃO A REFORMA POLÍTICA KINDER OVO.

E PREPAREM-SE PARA AS SURPRESINHAS, NA MAIORIA DAS VEZES SÃO DECEPCIONANTES.

Todo mundo sabe que dificilmente uma votação desse gênero, envolvendo tantos interesses diferentes – menos o do povo – chegue ao seu final exatamente como foi proposta, mesmo que a proposição em si já tenha sido recheada de absurdos.

O que veremos hoje é a ganância versus democracia. O que veremos hoje é a exposição da face mais suja dos políticos brasileiros que tentam legalizar aquilo que antes era roubado, desviado ou simplesmente apropriado por todos na forma de propinas e venda de emendas e consciências.

Aliás, se é algo que falta à maioria dos deputados é a tal da consciência. A única coisa da qual são absolutamente conscientes é que precisam continuar no poder, uns para continuar roubando, outros para não ir para a cadeia.

A reforma política não é uma reforma, e sim a tentativa de uma nova forma de passar a perna nos cidadãos, e isso inclui tudo o que está na proposta, da apropriação espúria de dinheiro público que resolveria o problema da saúde pública às mudanças no sistema eleitoral que visa garantir que quem está continua, e roubando.

O povo brasileiro não saiu às ruas, não protestou com a veemência necessária para fazer os parlamentares sentirem pelo menos arrepios. Apenas usou as redes sociais como se fossem ruas e avenidas, e como se isso fosse suficiente para pôr medo nesses bandidos que nos últimos tempos só legislam em causa própria, seja qual for a matéria. Apenas se perguntam “o que eu vou ganhar nisso?”.

Para os atuais políticos, especialmente os encrencados, muito encrencados e encrencados para caramba, o povo é aquele detalhezinho chato da democracia, aquela pedrinha no sapato que incomoda, mas não impede de seguir a caminhada. E se tudo der certo, superado o trecho complicado do caminho, basta sacudir o sapato que a pedrinha cai no chão e se junta as outras milhares de pedrinhas que nunca incomodaram ninguém.

E já que ninguém se manifestou com a força e com o poder que tem, que fiquem atentos às surpresinhas que essa reforma kinder ovo promete, como, por exemplo, reaparecer a tal emenda Lula e outras tantas que em nada interessam à população, mas que garantem sossego para muitos políticos com medo de ver o sol nascer quadrado.

FUNDO PARTIDÁRIO DE 3,6 BILHÕES SERÁ VOTADO AMANHÃ NA CÂMARA DOS DEPUTADOS

E DIFICLIMENTE DEIXARÁ DE SER APROVADO. CUIDADO COM A EMENDA LULA. ELES ADORAM SURPRESINHAS.

A despeito do que pensa a sociedade – que na verdade só pensa e não age – o deputado Rodrigo Maia pautou a votação da PEC da Reforma Política para esta quarta-feira 16/08.

Além do fundo democrático que democratiza o dinheiro do povo na mão dos políticos, será votada também a emenda que introduz o Distritão, um modelo que mistura o que funciona mais ou menos com o que não funciona de jeito nenhum e que ainda inclui a tal lista fechada no meio. E isso se não surgirem surpresas de última hora, como ressuscitar a tal Emenda Lula. Nunca se sabe.

Caro leitor, cara leitora, os políticos não estão nem aí para o que eu ou você pensamos.

Para os políticos brasileiros, cargo sem mordomia não é cargo. Tem que ter gabinete com dezenas de assessores, carro oficial, residência oficial, gordas verbas de gabinete, altos salários e jetons, e muita impunidade para gastar aquele dinheiro que é retirado à força dos nossos salários e dos impostos que pagamos no preço de tudo que consumimos.

Vivemos ainda num mundo cheio de palácios oficiais que custam uma fortuna para serem mantidos, práticas que se repetem em todos os estados e em muitos municípios do Brasil, uma herança maldita da época do império que parece registrada no DNA dos políticos brasileiros.

Vamos pagar mais essa conta e deveríamos fazer calados, uma vez que não nos damos a ousadia de usar nossas vozes para evitar com a mesma contundência que usamos para reclamar depois que a coisa não tem mais retorno.

Insisto que as redes sociais são um palco maravilhoso para exposição de ideias e um magnífico palanque para discursos reclamatórios, mas não será elas não têm o poder de mudar o país sozinhas. O problema do Brasil é real e não virtual. Fosse virtual a gente poderia apenas deletar, excluir, bloquear ou dar mute nos políticos e problemas, mas não funciona assim.

A recusa do brasileiro em assumir para si a responsabilidade de se manifestar determinantemente contra as manobras dos políticos brasileiros só aumenta a conta que mais cedo o mais tarde – e parece que será cada vez mais cedo – chegará para ser paga.

Muitos de nós, pela idade, não chegarão a ver um Brasil rico e próspero, pelo tempo que se levará para atingir o país e a sociedade atingirem esse nível. Por outro lado, enquanto estivermos por aqui, pagaremos cada centavo das mordomias e do desperdício de dinheiro público que nos mantém amarrados no subdesenvolvimento.

Mesmo tendo lido e concordado com o que escrevi, todos levantarão amanhã e sairão normalmente para trabalhar, darão ao governo no mínimo 25% de todo real que gastarem, acompanharão as notícias do dia e se manifestarão como frases do tipo “esse governo é ladrão”, “políticos são todos ladrões”, “eles só sabem roubar”, falarão disso tudo nas redes socais, e irão dormir novamente para trabalhar no dia seguinte.

Amanhã é a reforma política, daqui a pouco a reforma da previdência, e é bom você se esquecer daquela reforma que queria fazer na sua casa, ela nunca estará na pauta do congresso, a menos que você more numa dessas suntuosas residências oficias.

Mas acho que isso tudo é cisma minha, bobagem. Afinal, brasileiro sempre dá um jeitinho, né?

PARLAMENTARISMO À BRASILEIRA

NUM PAÍS ONDE ATÉ O IMPOSSÍVEL É POSSÍVEL, NÃO É IMPOSSÍVEL.

Político brasileiro é um saco sem fundo de ideias que só servem para servir a si mesmos.

O ex-motorista do Marighela, aquele que fez plástica para ficar com a cara do Dedé Santana e atende pelo nome de Aloysio Nunes, não foge à regra.

Segundo resumo do Estadão, a proposta de parlamentarismo do atual Ministro das Relações Exteriores (se está licenciado do senado para ser ministro não devia estar cuidando disso ao invés de estar propondo leis?) promete ser um misto do que tem de ruim no presidencialismo com o que tem de poderoso no parlamentarismo.

Segundo a proposta, o povo elege o presidente que vai ser chefe das Forças Armadas e fazer política externa. Esse presidente eleito escolhe o primeiro-ministro, que seria quem comandaria o país. Mas, ao contrário da esmagadora maioria dos países que adotam o sistema, o primeiro-ministro não representado pelo partido que tem a maioria das cadeiras no parlamento.

E para coroar a meleca, o presidente teria poder para dissolver o congresso quando lhe desse na telha, e ao mesmo tempo o congresso teria poder de dar uma moção de censura, tipo um voto de desconfiança, o que obrigaria o presidente a nomear um novo primeiro-ministro.

Resumindo a titica, o presidente poderia nomear um primeiro-ministro contrário ao congresso, que poderia derrubar esse primeiro-ministro, mas se ameaçar fazer isso o presidente pode dissolver esse mesmo congresso.

E perceba que eu sequer toquei na questão da economia, que ficará a mercê disso tudo.

O pior de tudo é saber que tão fantástica quanto as mentes dos políticos é a capacidade do povo brasileiro de permitir que essas coisas possam virar realidade.

VENEZUELA ÀS VOLTAS COM NICOLÁS MADURO. NÓS COM LULA PODRE.

AMBOS FRUTOS DO MESMO SOCIALISMO DECADENTE E DESTRUIDOR DE SOCIEDADES.

As bravatas de Lula são tão previsíveis que qualquer militante de esquerda seria capaz de pegar um microfone e “ser” Lula. Ele não fala novidades, não faz piadas novas e quando prevê o futuro só o faz ameaçando os adversários e opositores, como quem imagina que ainda pode meter medo em alguém.

A tal caravana por 25 cidades do interior é uma tentativa desesperada de criar factoides que possam sugerir que ele ainda é querido pelo povo, e que a justiça não quer é deixá-lo ser candidato porque ganharia de qualquer opositor. Mas, para que a tal caravana se realize com os filminhos pré-agendados com a militância, ele precisa da escolta dos movimentos sociais.

MST, MTST e outras gangues do gênero não apenas acompanharão Lula. Tal qual logística de guerra, os alcoviteiros lulistas chegarão antes em cada cidade para preparar terreno para a chegada do messias das trevas. A intenção é pura e simplesmente amedrontar qualquer opositor ou movimento nesse sentido, além de identificar almas penadas dispostas e interessadas em sair na foto. E nos filminhos.

Lula queria ter sido o que Maduro é hoje, declaradamente, um ditador. Mas aqui é o Brasil e, felizmente, mesmo com todo o apoio que recebeu durante seus governos, Lula jamais esteve perto disso, e apodreceu antes, sem conseguir deixar sementes capazes de germinar, porque sementes estragadas não brotam, e se ameaçam, não sobrevivem.

Para desconsolo de quem quer um Brasil melhor, talvez Lula não venha a ser preso, porque sua podridão contaminou todos os cantos e recantos institucionais da república. Entretanto, jamais conseguirá usufruir de tudo que roubou, e nem mesmo conseguirá andar pelas ruas novamente sem prescindir dos seguranças e das escoltas feitas pela corja que sobrevive dos fungos que tudo que é podre produz.

Lula não tem mais coragem de apoiar Maduro publicamente, e reza todos os dias para que Maduro pare de falar seu nome em público. E reza mais ainda para que a imprensa divulgue cada vez menos o que Maduro falar. Atrevo-me a dizer que nessa altura do campeonato Lula até torce para que Maduro caia logo. Nem que seja de maduro.

O ponto é que, seja como for, o fim de ambos está sacramentado, e mais dia ou menos dia, os dois serão apenas páginas manchadas nas histórias dos dois países.

E o fato é que todo fruto novo começa verde. Quem sabe oliva?