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José Sarney, o honorável bandido de 87 anos, continua mandando no Brasil

José Sarney, o honorável bandido de 87 anos, continua mandando no Brasil

É inacreditável que José Sarney, do fundo de seu sarcófago com ar condicionado e TV a cabo, ainda tenha o poder que tem sobre o PMDB e, principalmente, sobre o Brasil.

Aos 87 anos de idade, José Sarney ainda tem sob seu comando uma série de deputados e senadores de diversos partidos, especialmente PMDB, do qual é filiado, mas também de dezenas de políticos do PSDB e do próprio PT, que sabem que até não precisa ser amigo dele, mas que não o tenha como inimigo.

O governo Sarney foi um desastre para o Brasil. Vivemos tempos de hiperinflação, descontrole do câmbio, desemprego, estagnação industrial, ampliação das desigualdades sociais. O pior legado, no entanto, acabou sendo a criação de condições para que o país se dividisse entre um falso caçador de marajás e um falso líder sindical. Deu o caçador e deu no que deu.

Hoje, tanto o caçador de marajás quanto o falso líder sindical, “comem nas mãos” de Sarney.

O sucessor de Collor, Itamar Franco, também “comeu na mão” de Sarney, assim como seu sucessor Fernando Henrique Cardoso, e também, depois, Lula e depois Dilma. E, claro, Michel Temer.

O livro Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória (Editora Geração Editorial) é leitura obrigatória para quem quer saber do que José Sarney é capaz. Dizem que existe um ditado no Maranhão que diz que as duas melhores coisas no estado são “ser um Sarney” ou “ser amigo de um Sarney”. Resumindo, não seja inimigo de um Sarney.

José Sarney é o cérebro maligno por trás das movimentações de Michel Temer, Gilmar Mendes e Torquato Jardim.

Não há indicações para o STF, STJ, TSE, TCU, MPF, ministros de estado, comando da Câmara e do Senado, comando de estatais, autarquias, fundações, e qualquer outro cargo de comando que não tenham passado pelo crivo ou obtido a colaboração de José Sarney para acontecer.

A troca do comando da Polícia Federal foi o último aval do decrépito, mas atuante, ex-presidente da república, que, com isso, passa a ter ascensão também sobre a Polícia Federal.

O Brasil é uma capitania hereditária de José Sarney. Pelo menos é o que ele acha, e é assim que deixam que ele conduza as coisas, afinal são todos os honoráveis bandidos.

Um homem de 87 anos, há quase uma década sem um cargo eletivo, junto com um presidente de 76 anos de idade, estão no comando de um Brasil que precisa urgente e prioritariamente pensar e planejar seus próximos 50 anos.

Segundo o IBGE, a longevidade média do homem brasileiro é de 71,9 anos, o que sugere, teoricamente, que Sarney já tem 15 anos de horas extras. Que preocupação pode ele ter com o futuro?

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(Fofo – Capa do livro Honoráveis Bandidos, de Palmério Dória – Editora Geração Editorial)

MICHEL TEMER E RODRIGO JANOT – ENTRE DENÚNCIAS E MINÚCIAS

NA INFINITA CAPACIDADE DO BRASILEIRO DE SE REINVENTAR, ESTAMOS REINVENTADO O RIDÍCULO.

Tratar do mérito da nova denúncia de Michel Temer é chover no molhado. Basta ver que dê dos denunciados apenas Michel Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco são os únicos que não estão presos, muito provavelmente apenas pelo foro privilegiado. Eduardo Cunha, Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima, linha de frente dessa facção da ORCRIM, estão presos. Cunha disposto a falar. Geddel do jeito que chora e tem medo dos outros presos da Papuda, não deve demorar para querer falar também.

A parte mais interessante dessa história é que a denúncia não importa, muito menos quem está dentro dela, menos ainda o fato de que outros já estão presos preventivamente, um deles, inclusive, com condenação em primeira instância. Prisões feitas com base em delações e investigações que comprovam os fatos. Prisões que não se sustentariam sem base legal e farto arsenal probatório.

Mas nada disso importa. O que importam são as minúcias.

Ninguém se interessa em discutir que os fatos narrados nessas denúncias são de conhecimento público, muito menos se surpreende com os fatos e personagens. E nem mesmo com a demora com que as denúncias foram feitas ou com a gravidade do que elas revelam.

As pessoas estão preocupadas apenas em defender seus pontos de vista e seus bandidos favoritos. Parece impossível para o brasileiro que possa desprezar a todos em pé de igualdade. A coisa rola sempre no “Janot é bandido, Raquel Dodge vai mudar tudo”, ou “Temer é bandido, mas a economia melhorou”, ou “Aécio é inocente e Joesley é bandido”. Que coisa ridícula.

A realidade é que nada disso se resolverá nas denúncias. São as minúcias que contam, e servem a quem acusa, a quem se defende, e, por incrível que pareça, são usadas por ministros do STF para tratar as acusações de acordo com quem está sendo acusado. Cria-se um clima tenso de desafetuosidade intensa, personalizam-se as imputações de crimes, e vai ficando tudo por isso mesmo.

Hoje temos um congresso que dita a pauta do executivo, um judiciário que se obriga a fazer o trabalho do legislativo e um executivo e um executivo que só atual na área judicial. E dizem que nossas instituições estão se mostrando sólidas, totalmente capazes de passar pelas crises que assolam nossa democracia. Balela.

A história do nosso ridículo começa com o processo de redemocratização, no qual os brasileiros entregaram a chave do cofre para um bandido de nome José Sarney. Aliás, quem não leu ainda Honoráveis Bandidos (Doria, Palmerio – Editora Record) recomendo. A reeleição de Lula logo após o mensalão foi o aprofundamento desse ridículo. E quando pensávamos que o Petrolão seria o ápice, na verdade era só o começo.

O Brasil elegeu e reelegeu Dilma, sob todos os fortes indicativos negativos políticos, econômicos e sociais. Veio a queda de Dilma, e o povo que foi às ruas deu-se por satisfeito de ver seu desejo atendido, mesmo tendo Michel Temer herdado a cadeira dela. E todos sabiam quem era Michel Temer. Se não soubesse bastaria usar o ditado “diga-me com quem anda…” que chegaria a uma conclusão óbvia.

Dilma Rousseff não caiu por pressão do povo, mas pela conveniência da ORCRIM do PMDB. Quem não gostou disso foi Renan Calheiros, que era importante para Dilma, mas não é importante para Michel Temer. Renan é líder de uma outra facção dentro do PMDB oposta à de Temer. A grande mágoa que Renan tem de Temer é por causa do segundo mandato de Dilma, quando ele queria ter sido o candidato a vice.

Isso só ajuda a comprovar que nas minúcias é que encontramos as explicações para tudo, não importa o que as denúncias digam.

Independente da falta de tato, de noção de tempo, de atropelamentos e atrapalhamentos da JBS, da imagem que se possa ter de Rodrigo Janot, ou os brasileiros se atém ao que é importante, ou viverão e morrerão sustentando a mesma casta política dominante, cuja renovação vem se dando através dos mesmos tipos de políticos e sistemas.

Está mais do que claro que para os políticos, juízes de tribunais superiores e advogados, o povo é apenas minúcia, um mero detalhe que só seria capaz de fazer diferença nas urnas. Mas o povo é mal informado, desinformado, deseducado, e as urnas são eletrônicas. É com isso que eles contam.

Mas a realidade não precisa ser essa. Podemos nos manter gado ou enfrentar essa situação entendendo que as instituições que aí estão faliram, tratando as denúncias com a gravidade que elas têm e ignorando as minuciosas versões que são veiculadas para nos desviar o foco do que é principal.

Se você acredita que temos um PGR bandido, ou um ministro de tribunal superior bandido, ou um presidente bandido, ou ministros bandidos, fique certo de que na atual conjuntura não há que se pôr a mão no fogo por nenhum deles. Não há mais como defender pessoas e intenções.

Nessa história, nem todos são bandidos, mas, certamente, todos são ridiculamente culpados. Inclusive nós.

HOJE, A CULPA É DO PRESIDENCIALISMO. AMANHÃ, SERÁ DO PARLAMENTARISMO.

E OS CORRUPTOS, MUITOS QUE ASSALTAM O PAÍS DESDE OS TEMPOS DOS MILITARES, NUNCA TERÃO NADA A VER COM ISSO.

A desculpa se aproxima daquelas dadas por jogador de futebol depois do seu time tomar uma goleada. A culpa foi do juiz, do gramado, da dureza do adversário, da torcida que fica muito próxima do gramado, das dimensões do gramado, do cara que segurou a camisa dentro da área e o juiz não viu. Mas nada a ver com seu próprio desempenho ou de seus colegas de time, muito menos com o treinador.

O presidencialismo pode não ser o melhor sistema de governo, mas a culpa não é meramente ‘do sistema’. Isso é uma maneira de desviar a atenção do eleitorado com a promessa de mais um conto de fadas que tem tudo para não funcionar também.

A crise brasileira não é de sistema de governo, mas da sistematização da corrupção. A crise é moral, ética. E com pessoas amorais e aéticas, tanto faz o sistema.

O governo e o congresso estão tentando criar fatos novos, que justifiquem as pilantragens pregressas, e que sirvam como demonstração da preocupação, totalmente falsa, em mudar a realidade.

Não se sabe ao certo o tamanho da corrupção no governo FHC e nem se havia um funcionamento sistêmico disso, a maioria das investigações e depoimentos de corruptos já interrogados e/ou presos, nunca confirmou. Mas são fartas as declarações que o sistema de cooptação de parlamentares através de corrupção sistêmica foi largamente utilizado desde que Lula assumiu em 2003.

De todos, porém, nenhum deles está mais infiltrado nas entranhas do poder do que o PMDB, que como toda boa “Maria vai com as outras”, nunca se importou de alugar sua legenda para o governo de plantão. Com isso, figuras como José Sarney, que esteve ao lado do regime da primeira à última hora, dominam e se beneficiam de áreas estratégicas como o setor elétrico. Sarney só virou PMDB por conveniência.

O que precisa mudar no Brasil não é necessariamente o sistema e sim a mentalidade. E também não necessariamente apenas a mentalidade do político, mas principalmente a do eleitor. Não renovar os mandatos de 90% dos políticos é o primeiro passo, e terá que ser um serviço completo, dos deputados estaduais ao presidente da república.

A população precisa ter mais atenção à política local, conhecer seus vereadores e deputados estaduais. Pela ordem natural das coisas, os vereadores de hoje são os deputados estaduais de amanhã que virão a ser deputados federais, senadores e governadores mais para frente. E não se revelam corruptos quando estão no topo, lá só fica mais escandaloso.

Portanto, obedecido o critério da honestidade, da probidade, o sistema de governo é uma questão de lógica e/ou preferência. Mas é inconcebível que qualquer mudança seja feita sem a devida consulta popular, seja através de plebiscito ou referendo. Qualquer coisa fora disso é usurpação de poder.

Quando Michel Temer fala em semi-presidencialismo, ele só está mesmo dando legitimidade ao semi-presidente que é. Não conseguiu e não conseguirá ser um presidente por inteiro, por mais reformas que aprove e por melhor que a economia possa evoluir.

E quanto ao que disse Rodrigo Maia sobre fundo de participação, sistema de governo, reforma política, esquece. Ele só fala o que mandam, quando mandam e como mandam. Ele é mais um nada bem-mandado que não carrega mais malas. Só as suas.

O que precisa mudar no Brasil é o pacto federativo. Enquanto não mudar isso, não importa quão bem intencionado é um projeto, uma lei ou uma reforma. O governo federal com todo o dinheiro e investindo mal, os estados e municípios continuarão muito mais pobres do que deveriam e de prato na mão se dispondo a fazer qualquer tramoia para receber uma migalha a mais. Fora isso, o resto e convera.