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Políticos atuais praticam tática de terra arrasada para o Brasil em 2019.

Políticos atuais praticam tática de terra arrasada para o Brasil em 2019.Os três poderes estão fazendo o pior do melhor jeito que conseguem. O Brasil de 2019 é um campo minado.

Não satisfeitos em esvaziar o caixa e diminuir ainda mais as condições para que esse caixa comece a ser recuperado, deputados e senadores, presidente da república e ministros do STF, estão alterando também as leis penais do país. Seja por meio de criação ou alteração de lei, por indulto presidencial, ou, quando nada der certo, por entendimento do Supremo Tribunal Federal, porque aí ninguém fala mais nada.

De prático, o que esses poderosos de plantão estão fazendo é exatamente o exercício do poder que ainda detém. Estão ignorando a lógica, a demonstração da insatisfação com a política através do resultado eleitoral, a rejeição a tantos nomes conhecidos e envolvidos com corrupção. Michel Temer ignora isso. Eunício de Oliveira e Rodrigo Maia ignoram isso. Os 11 ministros do STF ignoram isso. E o que vale, como ordem, é a palavra deles.

Para quem não conhece a definição exata de “terra arrasada”, é uma tática, muito usada na Segunda Guerra Mundial, na qual se retira todas as pessoas de um determinado local e destrói tudo para que o inimigo encontre um ambiente completamente arrasado do qual não aproveite nada. O aumento do judiciário faz isso com as contas públicas. As recentes pautas bombas aprovadas pelo Senado e sancionadas por Michel Temer fazem isso.

Pelos próximos três meses dirão que será impossível organizar uma manifestação de rua. Tem natal, ano novo, férias escolares, recesso do judiciário, recesso parlamentar, posse de novo presidente, posse do novo parlamento, posse de governadores, deputados estaduais, IPVA, material escolar, IPTU, carnaval… não existe a menor possibilidade de interromper um desses eventos ou custos para fazer manifestação contra essa corja.

Então, em março, quando der para organizar algo, mais no fim do mês, claro, o Brasil descobrirá que Lula e mais dezenas de corruptos envolvidos com a Lava Jato foram liberados da cadeia com a ajuda do indulto de Temer, dos votos do STF e com os votos de gratidão de mais de 50% do Congresso Nacional.

Não vai adiantar organizar mais nada. E nem vai adiantar.

É inconcebível que durante o intervalo entre a eleição e a posse o Congresso Nacional e a Presidência da República não tenham seus poderes limitados por lei. Primeiro, o prazo entre uma coisa e outra é muito grande. Presidente e governadores levam cerca de 60 dias para tomar posse. Parlamentares levam cerca de 90 dias. Enquanto isso os não reeleitos continuam a legislar com toda a desenvoltura de sempre, e agindo contra seus adversários.

Parece cada vez mais óbvio que o Brasil precisa de uma nova constituição. Nossa atual Constituição Federal já nasceu corrupta, feita por corruptos para, antes de mais nada, protegê-los. Na Constituição Federal de 1988 os direitos sociais são confundidos com direitos sindicais e o assistencialismo é a moeda de troca para que o estado se mantenha na tutela da cidadania e a mantenha dependente e ignorante.

É a Oitava Constituição do Brasil, e ainda não conseguimos tirar o país das mãos desses vermes que impedem que nosso desenvolvimento social e financeiro. Continuamos a ser o país do futuro, um futuro que esses bandidos comuns, com mandato ou com toga, continuam querendo impedir que aconteça, porque eles terão que pagar por todo o atraso que causaram ao povo enquanto enriqueciam e viviam nababescamente.

A cada dia que a posse de Jair Bolsonaro se aproxima, seu governo vai ficando cada vez mais amarrado, mais minado, com a margem de manobra cada vez mais reduzida, portanto, passível de oferecer poucas melhoras visíveis no primeiro ano. E o objetivo dos inimigos do Brasil é exatamente esse, que Bolsonaro tenha um 2019 conturbado o suficiente para que as críticas – que já estão aí, que virão – ganhem eco na população.

O Brasil deveria parar. Agora. Demonstrar com veemência que não aceita mais acordos escandalosos como esse que envolveu o aumento do judiciário e o indulto de Michel Temer, e que envolve também a liberdade de Lula e a revisão da prisão após condenação em segunda instância, com o que Rosa Weber já adiantou essa semana que apoiará, portanto, já indicando que um novo 6 a 5, agora favorável aos bandidos, deve prevalecer.

Mas o Brasil não vai parar, porque não somos povo para isso. Vamos enfrentar a adversidade ao invés de simplesmente evitá-la. Vamos vivenciar um grave problema quando poderíamos apenas impedir que ele acontecesse. Seremos vítimas da terra arrasada, porque optamos por apenas assistir enquanto a arrasam. Também somos bons na arte de fazer o pior contra nós mesmos.

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Indulto da corrupção só está virando realidade porque nós deixamos.

Em vários de meus artigos citei a ideia do brasileiro de que a solução para o Brasil está em terceirizar o problema para um juiz de primeira instância, para a Polícia Federal ou para um candidato à presidente. Acontece que o mecanismo continua a funcionar, e o indulto de Temer, lembremos, editado e vetado em 2017 – acreditem – é a resposta do sistema no seu derradeiro momento de se auto proteger. Ou fazem isso até 31 de dezembro no caso dos executivos, ou no mais tardar 31 de janeiro, no caso dos legislativos.

Porém, enquanto o derradeiro fim não vem, canetas estão histéricas nos gabinetes de Brasília, doidas para assinar medidas provisórias, projetos de leis, leis complementares, habeas corpus… esses então nem se fale.

Não há nenhum indulto, falemos sério. Isso é a maior pilantragem da face da terra. Um bando de bandidos sem vergonhas dando canetadas em benefício próprio, rasgando constituição, lei, norma, regimento, e qualquer outra designação que possa se referir a manutenção da lei e da ordem como diz a Constituição Federal. O que Temer e o STF estão fazendo com esse indulto é uma imensa “cagada na cabeça” do povo brasileiro. E aí é que vem o detalhe: o povo merece. Merece porque não faz nada para não merecer. A imensa maioria vota mal e porcamente e só vota porque a lei obriga.

Acontece que quem tem capacidade de entender os acontecimentos, ver o quão nojento é o funcionamento desse mecanismo, também não faz nada. A classe média, apossada por um profundo sentimento anti-petista que foi capaz de eleger Bolsonaro, voltou para casa certa de que já tinha feito sua parte, tal qual fez após o impeachment de Dilma. O comodismo e a omissão do povo brasileiro são responsáveis por esse indulto de Temer.

Os ministros do STF estão pagando a conta do aumento salarial concedido (extorquido?) pelo Congresso Nacional e pelo Executivo. É apenas isso que está acontecendo. E que se dane a lei, que se dane o Brasil, e que se dane ainda mais o povo brasileiro.

Se aprovado o indulto pelo STF, como tudo indica, o dia 29 de novembro de 2018 entrará para a história do Brasil com o mesmo desprezo pela Constituição Federal que esse mesmo STF, na pessoa do seu então presidente, ministro Ricardo Lewandowski, teve ao fatiar o impeachment de Dilma Rousseff garantindo a ela seus direitos políticos.

O provável placar de 7 a 4 a favor do indulto de Temer deixará claro para o povo brasileiro quem está ao lado de um novo Brasil e quem defende o Brasil da impunidade e da corrupção, dos lavadores de dinheiro, dos assaltantes do dinheiro do contribuinte.

O indulto de Michel Temer será uma significativa pá de cal na Lava Jato e na própria ideia de justiça no Brasil. Fica difícil não ter ideias mais extremistas ao ver que o mais importante órgão da justiça brasileira apenas abençoa corruptos, bandidos e ladrões.

O mais triste disso tudo é saber que só acontece porque nós deixamos, porque nós não temos a capacidade de nos mobilizar espontaneamente para parar esse país. E quem tem nesse momento não tem coragem de fazer.

Um Jair Bolsonaro sozinho não faz verão.

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Temer. Primeiro presidente denunciado, investigado e indiciado no cargo.

E a menos que Gilmar Mendes dê a Michel Temer um habeas corpus preventivo no dia 31 de dezembro de 2018, o atual presidente pode descer a rampa do Planalto e embarcar num veículo da Polícia Federal em direção à sede da mesma no Distrito Federal, sendo acomodado em uma cela digna de chefes de estado, repetindo Lula.

Petistas fazem questão de acusar Temer de golpista, mas não fazem a menor questão de que ele foi aliado, parceiro, companheiro, articulista, beneficiário e cúmplice dos golpes dados pelo PT nos governos Lula e Dilma, em especial nos governos Dilma, dos quais foi o vice-presidente.

Quem não conhece Michel Temer que o compre. O problema é que todo mundo conhece, e não o quer nem por empréstimo, o que dirá comprar. Bom exemplo disso foi dado por Henrique Meirelles que durante sua fracassada campanha eleitoral preferiu falar o nome de Lula do que o de Temer, de quem foi ministro da fazenda até outro dia. Mais do que isso, Meirelles era o candidato do MDB, partido de Temer, à presidência da república.

O futuro desastroso desse governo legitimamente ilegítimo começou no dia que ele assumiu, ainda interinamente, o cargo de presidente da república, quando Dilma foi afastada por 180 dias na aceitação do impeachment pela Câmara dos Deputados.

O governo Temer, do ponto de vista constitucional, foi absolutamente legítimo, sendo respeitado artigo que diz que no caso de afastamento do presidente, quem assume é o vice-presidente. Já a ilegitimidade, no meu ponto de vista, se deu pelo fato de que a própria Dilma já era uma presidente ilegítima, que praticou estelionato eleitoral e usou dinheiro de propina para se reeleger, prática da qual Michel Temer se beneficiou igualmente.

Portanto, o que houve não foi golpe contra a Constituição Federal, mas uma mera briga pelo poder dentro de uma organização criminosa formada por diversas quadrilhas.

A primeira grande “paulada” em Michel Temer veio de Rodrigo Janot enquanto era Procurador Geral da República ao fazer o acordo de delação premiada com Joesley Batista da JBS que gravou clandestinamente uma conversa pouquíssimo institucional com Temer nos subterrâneos do Palácio do Jaburu.

Janot virou vilão, Joesley foi alardeado por Temer como um “notório bandido”, e o governo, usando sua máquina, atacou a legitimidade da denúncia da PGR e a clandestinidade da gravação do dono da JBS. Mas nunca esclareceu de maneira satisfatória o significado de receber um “notório bandido” (que entrou no Jaburu sem sequer ser revistado), fora de agenda, quase 11 da noite e para tratar de assuntos que ele classificou de “institucionais”.

Na sequência disso, veio a revelação da gravação da entrega mala com 500 mil reais por Ricardo Saud, da JBS, Rodrigo Rocha Loures, assessor especial de Temer, em episódio conhecido como “a corridinha da mala”, coisa que apenas o próprio Ricardo Saud explicou de maneira satisfatória em sua delação definindo o dinheiro como pagamento de propina.

O que vimos a partir de então foi o governo derreter junto com o discurso inconvincente de Temer que só não foi indiciado naquele momento porque a maioria garantida na Câmara dos Deputados congelou a denúncia da PGR, e viria a fazer o mesmo novamente em uma segunda denúncia.

Porém, quando pensava estra livre de problemas, veio o famigerado inquérito dos Portos que trata da edição de Medida Provisória pelo governo em claro benefício às empresas que trabalham dentro do Porto de Santos, berço da ascensão política de Michel Temer desde os tempos em que era ligado ao já falecido ex-governador e cacique do MDB Orestes Quércia.

O Inquérito dos Portos só foi adiante porque foi parar nas mãos do ministro Luis Roberto Barroso do STF que desde o início se mostrou disposto a enfrentar o costume da casa de jogar esse tipo de sujeira para debaixo do tapete. Barroso confrontou Temer e as estruturas do governo e do próprio STF para que o inquérito seguisse adiante. Sob desconfiança do público e da imprensa, concedeu à Polícia Federal todas as prorrogações solicitadas, tendo para isso o aval de Raquel Dodge, a atual Procuradora Geral da República. E deu no que deu.

Ontem, a Polícia Federal apresentou a Luis Roberto Barroso os resultados finais do Inquérito dos Portos, recheado de provas materiais, documentais e testemunhais, incluindo aí quebras de sigilos bancários, telefônicos e de e-mail de todos os envolvidos, e indiciou Michel Temer como chefe de uma organização criminosa que recebeu propina para editar Medida Provisória em benefício de “amigos”.

Resta agora saber se Raquel Dodge, de posse de todo o material comprobatório que explicita o processo de corrupção encabeçado por Michel Temer, terá coragem de apresentar a óbvia denúncia que todos esperam, o que terá 15 dias para fazer, e que, se aceita pelo STF, poderá levar Temer e seus aliados – ainda com foro privilegiado – para a prisão.

Não podemos retirar, no entanto, o mérito de ter colocado a economia do Brasil nos trilhos novamente, mérito esse que, na minha avaliação, se deu mais pelo fato da saída do PT do poder do que propriamente pela presença ou capacidade administrativa de Temer, pois mesmo as alardeadas reformas tão necessárias ao desenvolvimento do Brasil foram absolutamente “meia boca”, e as reformas que são realmente estruturantes como a da previdência e a tributária.

O fato concreto é que Michel Temer entrará para a história do Brasil muito diferente do que ele queria. Ao invés de ser lembrado como o presidente que consertou o Brasil deixará para a posteridade como legado ter sido o primeiro presidente denunciado, investigado e indiciado no cargo, correndo o risco também de ser o primeiro a deixar o gabinete presidencial direto para a cadeia. Se Gilmar Mendes deixar.

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Centrão de Eduardo Cunha agora é de Geraldo Alckmin. Ou será o contrário?

Em 19 de outubro de 2016 o título de um artigo no Estadão dizia ”Cassação de Eduardo Cunha desidrata Centrão“. O pequeno texto concluía> “Apesar dos esforços para se colocar na disputa pela presidência da Câmara, o poder do Centrão foi esvaziado com a derrocada de Eduardo Cunha. Seus líderes hoje são os deputados Jovair Arantes (PTB-GO) e Rogério Rosso (PSD-DF).”

Pouco mais de um mês depois, no mesmo Estadão, dizia a manchete que “Sem líder desde Cunha, Maia aumenta a influência sobre Centrão”. Diziam os dois primeiros parágrafos do artigo:

Principal interlocutor do Legislativo com o Palácio do Planalto, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), aproveitou as negociações em torno da reforma ministerial para assumir a liderança do Centrão.

O grupo, que reúne cerca de 200 deputados de partidos como PP, PR, PSD e PRB, se tornou aliado prioritário de Maia em detrimento do PSDB, que se enfraqueceu diante do racha sobre a permanência da sigla no governo e das denúncias contra o senador Aécio Neves (MG).”

Sob a liderança de Rodrigo Maia, acrescente o DEM ao Centrão. O mesmo DEM que estava na dúvida entre Geraldo Alckmin e Ciro Gomes. Aliás, como se pode estar em dúvida entre Geraldo Alckmin e Ciro Gomes? Não dá para dizer que um doce e outro salgado porque Alckmin continua sendo um chuchu. Mas é uma dúvida estranha em algo com gosto ruim e algo sem gosto.

Numa tentativa de resumir a cena, diria o seguinte. O Centrão que derrubou Dilma Rousseff e era comandado com mão de ferro pelo presidiário Eduardo Cunha, que era aliado de Michel Temer, bandeou-se para as mãos de Rodrigo Botafogo Odebrecht Maia, que tem a caneta que manda da Câmara, que tem como coadjuvantes Rogério Rosso e Jovair Arantes, que está enrolado com corrupção no ministério do trabalho.

Com a prisão de Cunha esse mesmo Centrão deu uma banana pra Michel Temer, mas emplacou Carlos Marun, general de 4 estrelas de Eduardo Cunha na Casa Civil e o ex-advogado de Eduardo Cunha na assessoria jurídica dessa mesma casa civil. E nessa movimentação toda se afastou do PSDB por causa das acusações contra Aécio Neves.

Michel Temer teve que pagar muito caro pelo congelamento das duas apresentadas contra ele pela Procuradoria Geral da República, assim como pagou caro por cada uma das reformas meia-boca que fez. Sem poder, Temer virou refém do Centrão (ou de Eduardo Cunha?) e passou a pagar todos os resgates exigidos em troca de alguma migalha que lhe garanta holofotes e manchetes de jornais.

De lá para cá, a Câmara dos Deputados vive em banho Maria. Só tramita pela casa o que o Centrão quer, e quando quer, como todo tipo de iniciativa que vise constranger a justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal, ou que possibilite que eles encham seus bolsos com dinheiro público, como o caso do fundo partidário. Iniciativas que vieram aprovadas do Senado, como a lei do fim do foro privilegiado simplesmente não andam dando a chance de o Supremo Tribunal Federal legislar por falta de ação do congresso.

Nos últimos meses, o poderoso Centrão, do qual os ex-mensaleiros Valdemar da Costa Neto e Roberto Jefferson também são líderes ocultos, esteve negociando apoio a Ciro Gomes, o que foi dado inclusive como certo num dado momento. Não deu.

Rodrigo Maia ensaiou campanha à presidência apenas para valorizar o passe, o seu e o do Centrão. Além de não ter nenhuma real pretensão de ser candidato, por mais alucinado que seja ele sabe que não teria a menor chance.

O Centrão não apoiaria Jair Bolsonaro ou Marina Silva, nem gastaria suas fichas em Henrique Meirelles, muito menos a alguém ligado ao PT, mesmo que fosse o próprio Lula. Mas tinha que se decidir por alguém.

Após os seguidos, ruidosos e destruidores escândalos envolvendo seu nome, Aécio Neves disse que iria sumir de cena, e realmente sumiu. E sumiu tanto que o Centrão esqueceu que se afastou do PSDB por causa dele e fechou com Geraldo Alckmin, o Santo da Odebrecht. De maneira que “tudo está como d’antes do quartel te Abrantes”.

O Centrão de Eduardo Cunha apoia Geraldo Alckmin à presidência da república. A imprensa noticia fartamente que até os cargos já foram distribuídos entre os partidos, além do compromisso firmado pelo retorno do imposto sindical.

A política nada mais é do que uma versão romântica do antigo Telecatch, a luta livre que acontecia na extinta TV Excelsior, “que combinava encenação teatral, combate e circo“, como diz trecho do artigo da Wikipedia em destaque.

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O Brasil virou algo pior que uma republiqueta. Será que tem?

O substantivo feminino ‘republiqueta” é sempre utilizado quando se pretende diminuir a importância de uma república, como o Brasil nesse momento. Um dos mais conceituados dicionários, o Michaelis, define assim a palavra republiqueta:

1 – Pequena república; república insignificante.

2 – República em que as instituições jurídicas legais são constantemente ameaçadas, seja pela corrupção de seus representantes seja pela violação dos direitos dos cidadãos.

O Brasil se encaixa com perfeição nas duas definições. Se nunca antes na história desse país fomos protagonistas mundiais de algo além de futebol, vôlei e Fórmula 1, nunca antes também fomos tão insignificantes na geopolítica mundial. Durante os 13 anos petistas só andamos de mãos dadas com marginais da política mundial.

Quando o chanceler israelense se referiu ao Brasil como um “anão diplomático”, ele estava certíssimo. E só chamou de anão porque não teve coragem de chamar de republiqueta.

Nossas instituições nunca estiveram tão ameaçadas, e me refiro ao que elas representam dentro do que foi projetado na Constituição Federal e não às pessoas que hoje ocupam cargos nelas. O patrimônio moral do executivo, do legislativo e do judiciário foi completamente perdido. As pessoas não protestam mais, elas agridem, elas esbravejam, elas se indignam. Só não aprenderam ainda que tudo isso fora da internet faz muito mais efeito.

Ninguém mais duvida que haja corrupção nas altas cortes do nosso judiciário. E ainda que não haja (duvido) corrupção que envolva dinheiro, há uma muito pior, que é quando a moral e a ética foram corrompidas. O Supremo Tribunal Federal se utiliza da mesma técnica da esquerda brasileira, finge que fala em nome do pobre e da igualdade para proteger o rico e a desigualdade.

A corrupção se espalhou por todas as esferas da administração pública. Quem pesquisar verá que durante os governos do PT todos os ministérios e estatais tiveram casos de falcatruas ou corrupção revelados. Não escapou nenhum. E nem todos os ministérios e estatais eram geridos pelo PT, ou seja, diversos partidos participaram, pela frente ou por trás dos panos.

O combate à Lava Jato entrou numa reta decisiva. A Segunda Turma do STF resolver “cagar” na cabeça do resto dos ministros e tomar decisões que contrariam o entendimento que foi adotado no plenário da corte e que passou a ser adotado por todo o sistema judiciário.

Gilmar Mendes, Ricardo Lewandowski e Dias Tóffoli estão fazendo o serviço sujo sem constrangimento. Na Segunda Turma essa maioria faz o que quer e ninguém desfaz. No plenário, com a providencial colaboração de Marco Aurélio Mello, tumultuam as sessões introduzindo assuntos que não dizem respeito à causa em questão, ironizam colegas, atacam juízes de primeira e segunda instância, agridem e acusam fatos graves envolvendo o Ministério Público Federal.

O que pretendem esses ministros? Aonde querem levar o Brasil essas pessoas? Buscariam provocar uma revolta popular? Não, eles não acreditam que sejamos cidadãos o suficiente para promover uma revolução civil, sabem e apostam que somos os bundões que realmente somos. Brasileiros não fazem revoluções.

Buscariam, então, esses ministros do STF provocar uma intervenção militar no Brasil? Claro que não, eles sabem que a categoria de bundão se alastrou por toda a sociedade, tanto que estão desfazendo um primoroso trabalho da justiça de primeiro grau, da polícia federal e do ministério público federal sem a preocupação de serem contestados.

Em nome de seus protegidos, e também em seus nomes, eles estão apavorados. O país da Lava Jato não é o Brasil que interessa aos que se assentam nas mais importantes cadeiras do país. Nesse Brasil não tem lugar para eles.

Continua cabendo a nós, “os bundões”, mudar o rumo dessa situação. Ninguém vai fazer nada. A esperança verde prefere ficar amarela de vergonha, tem medo de parecer vermelha ao manifestar a nossa raiva.

Em uma relação de 43 países, feita pela Austing Rating, que monitora os resultados dos países com as maiores economias do mundo (aqui), o Brasil ficou na posição 40. Os principais rankings que estamos nas primeiras posições são de pobreza, desigualdade, violência, acidentes de trânsito, dengue, Zica, e até o sarampo anda voltando.

Mas, o que importa é que o Brasil ganhou da Sérvia, ficou em primeiro no seu grupo e vai enfrentar o México na segunda-feira. Afinal, dane-se a pobreza, a desigualdade, a violência, os acidentes de trânsito, a Dengue, a Zica e até o sarampo. Somos o único pentacampeão mundial e mesmo que sejamos eliminados, ninguém nos alcança, porque a Alemanha, que poderia, foi embora mais cedo.

Os ministros do STF que fiquem atentos. Se o Brasil ganhar do México deve dar para soltar até o Lula. A republiqueta dos bundões estará preocupada com coisa mais importante. O Brasil virou uma ditadura das altas cortes do judiciário. E quem diria que isso tudo começou com um metalúrgico de esquerda.

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Nelson Jobim, homem de FHC, homem de Lula, homem de Temer

Nelson Jobim, se candidato mesmo, falará em nome da moral dos bons costumes, falará em nome da justiça e defenderá com unhas e dentes o Estado Democrático de Direito, mas estará falando apenas de o direito dos políticos corruptos continuarem impunes e soltos. Mas você não ouvirá ele dizendo da amizade pessoal que tem com os três. Nem dirá que é amigo pessoal e padrinho de casamento de José Serra.

Enquanto deputado federal constituinte, Nelson Jobim foi relator da Comissão de Constituição e Justiça e de redação da Câmara dos Deputados. Foi reeleito e entre as atividades relevantes que fez estão a relatoria da denúncia de impeachment contra Fernando Collor, na qual constatou o crime de responsabilidade e recomendou a cassação, relator da revisão da Constituição Federam em 1993/1994 e relator do Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil.

Nelson Jobim foi ministro do Supremo Tribunal Federal de 1997 a 2006. Mais uma pérola de Fernando Henrique Cardoso. Presidiu o STF nos seus últimos 2 anos na casa. Aposentou-se aos 60 anos, 10 anos antes da aposentadoria compulsória que se dava aos 70, como mandava a Constituição Federal antes da PEC da bengala, que estendeu a pouca vergonha até os 75 anos. Antes tinha sido por dois anos ministro da Justiça de FHC. Foi também presidente do TSE na eleição de 2002, quando Lula finalmente foi eleito.

Mas foi no governo Lula que ele escalou o estrelato. Foi nomeado ministro da Defesa em 2007 após o acidente da TAM em Congonhas, durante segundo mandato do metalúrgico, e ali permaneceu até meados do primeiro ano do primeiro mandato de Dilma, quando foi demitido porque teria falado mal, veja você, de Ideli Salvati e Gleisi Hoffmann numa entrevista para a revista Piauí.

De lá para cá, vez por outra ouviu-se o nome de Nelson Jobim, bastante na época do Mensalão, quando andou fazendo o que hoje faz o também ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, ou seja, influenciar pessoas para tentar salvar políticos. E conseguiu. O fato do nome de Lula não ter aparecido no Mensalão é, em parte, obra dele.

Foi no escritório de Nelson Jobim que aconteceu o famoso encontro de Gilmar Mendes com Lula durante o Mensalão, no qual Lula teria dito a Gilmar que “É inconveniente julgar esse processo agora”! Gilmar Mendes relatou assim suas impressões sobre o encontro: “Fiquei perplexo com o comportamento e insinuações despropositadas do presidente Lula”. O escritório, lembrando, era de Nelson Jobim.

Em agosto de 2016 Nelson Jobim foi nomeado como novo sócio e membro do conselho de administração e responsável por relações institucionais e compliance do BTG Pactual, de André Esteves, que foi preso na mesma operação que Delcídio do Amaral por terem tentado a mando de Lula, segundo delação de Delcídio do Amaral, a armar um plano de fuga para Nestor Cerveró, que também estava preso.

É esse o homem que os políticos apavorados pretendem apresentar como candidato de centro capaz de unir o país? Nelson Jobim? Uma figura frequente nos momentos mais suspeitos da política brasileira?

Eles continuam fazendo pouco do povo, porque o povo continua fazendo pouco de si mesmo.

Nelson Jobim perdeu o prazo para filiação ao MDB. É o que diz a manchete do Estadão do dia 9 de junho de 2018. A matéria esclarece que “erro na remessa da ficha” ao cartório de Santa Maria (RS), que impediu a formalização do ato. Na semana passada, Jobim recorreu ao TRE para garantir a filiação. E consegui. O TRE entendeu facilmente que foi uma falha, como se uma falha não fosse impedimento. Se falhou é porque não foi feito corretamente. Mas isso faz pouca diferença.

A expectativa dos políticos é de que Nelson Jobim seja o homem que, se eleito, vai acabar com a Lava Jato. Ele é amigo de políticos, é amigo de juristas, é amigo de militares, e muito amigo de FHC, Lula e Temer e entende de urnas eletrônicas. Nelson Jobim é homem deles todos. Só não será homem de dizer a verdadeira intenção de sua candidatura.

Mais uma vez o sistema, ou o mecanismo, age para proteger a si e aos seus. Agora vão de Nelson Jobim que, ao contrário do apreço aos holofotes de Gilmar Mendes, gosta mais de trabalhar nas sombras e nos subterrâneos, de maneira sorrateira, ao melhor estilo da política brasileira.

Está ficando cada dia mais fácil Jair Bolsonaro ganhar a eleição para presidente. Se as urnas deixarem. Se o Supremo Tribunal Federal deixar. Suspeita-se que a repentina celeridade do julgamento de Gleisi Hoffmann seja para justificar uma possível celeridade num julgamento de Jair Bolsonaro. Teria dedo de Nelson Jobim aí?

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Gilmar Mendes, a verdadeira herança neolibertina de Fernando Henrique

Lula gastou seus 8 anos de governo falando sobre a herança maldita de Fernando Henrique Cardoso. Dilma Rousseff não fez diferente nos seus 5 anos de destruição do país. Ambos falavam isso citando o neoliberalismo econômico implementado de 1995 a 2002. Mas nenhum deles citou o nome de Gilmar Mendes, único ministro remanescente dos 3 que Fernando Henrique indicou para o STF e do qual Temer se mostrou o legítimo herdeiro.

A novíssima revista digital “Crusoé” fez uma ótima e extensa matéria capa cujo título é “A Mulher-Bomba”, referindo-se a Dalide Corrêa, ex-executiva do IDP, instituto de Gilmar Mendes, que, coincidentemente, deixou o cargo na esteira da delação premiada de Joesley Batista. A matéria é tão contundente que os proprietários da Crusoé deveriam ter a hombridade de liberar seu conteúdo gratuitamente ao público, mas isso é outra história.

Ao contrário de seu ex-patrão, que só gosta de soltar, Dalide Corrêa era quem mandava prender e soltar dentro do IDP, e dentro da abrangência de seu poder, era ela, também, a responsável por solicitar, angariar e administrar os patrocínios que o IDP recebia para a realização de seus eventos no Brasil e em Portugal, entre eles os gordos patrocínios da JBS.

A reportagem revela também que Joesley Batista, o notório bandido que Temer recebeu escondidinho na garagem do Jaburu, usava a sede do IDP como uma espécie de quartel general de suas atividades no relacionamento com o poder em Brasília, incluindo aí uma tentativa de aliciamento dos juízes federais Ricardo Leite e Vallisney Oliveira, através de uma proposta de patrocínios para o IMAFE, um instituto que tinha como sócios exatamente os referidos juízes. Não deu certo, mas as investigações que vieram no rastro desse assunto, também não deram em nada.

Essa situação toda envolveria uma solicitação de Dalide Corrêa de 200 milhões de reais caso os juízes Ricardo Oliveira e Vallisney Oliveira viessem a ser cooptados e reduzissem o valor do acordo de leniência da JBS de 11 bilhões de reais para 3 bilhões de reais, o que não aconteceu. E basta ter um pouquinho de boa memória para lembrar que na gravação clandestina da conversa com Michel Temer, Joesley cita que teria cooptado dois juízes (aqui), no que Temer respondeu “bom, muito bom”.

Qualquer um que tenha acompanhando o desenrolar das gravações de Joesley Batista e sua posterior delação premiada lembrarão dos contundentes ataques de Gilmar Mendes à Joesley Batista no plenário do STF, sem, claro, citar que o mesmo era presença constante na sede do IDP e nas planilhas de patrocínio da entidade. Em matéria do Estadão de 11 de setembro de 2017, Gilmar declarou, inclusive, que poderia ter sido gravado clandestinamente por Joesley.

Além de Dalide Corrêa, personagens conhecidos do público também permeiam essa história, como, por exemplo, Fernando Segovia, amigo pessoal de Dalide, que, coincidentemente, veio a ser nomeado por Michel Temer para comandar a Polícia Federal. Segovia, pelo tamanho da sua boca e pelas costas quentes que achou que tinha, falou demais. Foi exonerado, e, estranhamente, enviado para a Itália como adido na embaixada brasileira.

Mais uma vez reforço que todos deveriam tomar conhecimento da matéria da Crusoé tal a quantidade de nomes e informações citadas que permitem mais clareza no entendimento do comportamento de Gilmar Mendes, do nervosismo expresso na sua verborragia até a voracidade como assina habeas corpus para liberar notórios bandidos da cadeia.

Um fato não citado pela dita reportagem, porque não tem uma conexão direta com o assunto tratado, é a fixação na soltura de presos que foram parar atrás das grades a mando do juiz Marcelo Bretas, foram exatamente 20 em 20 dias, o que levou o Ministério Público Federal do Rio de Janeiro a enviar ofício à Raquel Dodge pedindo o impedimento de Gilmar Mendes nos casos relacionados à Fecomércio, do qual o IDP, através da intermediação de Dalide Corrêa, recebia patrocínios.

Outra casualidade desse caso da Fecomércio é o aparecimento da FGV, Fundação Getúlio Vargas, no recebimento de dinheiro da Fecomércio que foi repassado a título de patrocínio, em nome da FGV, para o IDP. E por mais uma dessas coincidências da vida, Gilmar Mendes comprou um apartamento em Lisboa no qual é vizinho de Sidnei Gonzalez, diretor de mercado da FGV e responsável por organizar diversos eventos em parceria com o IDP.

É um absurdo que Gilmar Mendes continue sendo ministro do Supremo Tribunal Federal.

É um absurdo que, se existem, ministros decentes do Supremo não tenham tomado uma providência visando o afastamento de Gilmar Mendes.

É um absurdo que a Procuradoria Geral da República não tenha pedido o impedimento de Gilmar Mendes, no mínimo dos casos nos quais existem relacionamentos pessoais, do IDP ou do escritório Sérgio Bermudes, no qual trabalha Guiomar Mendes, sua esposa.

É um absurdo que o senado federal (em minúsculas mesmo) não tenha dado andamento às 9 ações que pedem o impeachment de Gilmar Mendes. Aliás, para ser justo deu andamento a 3 deles, mandou para o arquivo.

É um absurdo que nós, como povo, como contribuintes, como cidadãos, fiquemos de mãos amarradas diante de tantos descalabros praticados por esse ministro que transformou o Supremo Tribunal Federal no quartel general da impunidade para políticos e empresários corruptos e um bunker para si mesmo e para outros da mesma laia.

A herança maldita de Fernando Henrique passa longe do neoliberalismo econômico. A verdadeira herança, representada na figura de Gilmar Mendes foi, e é, a neolibertinagem judiciária. Dessa, nem Lula, nem Dilma reclamaram.

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Pedro Parente vai vender mortadela onde porco não dá palpite

A saída de Pedro Parente da presidência de Petrobras a empresa perdeu 40 bilhões de reais no seu valor de mercado em um único dia. O total foi de 137 bilhões desde que começou a greve dos caminhoneiros. Ao contrário, muito provavelmente, a BRF, empresa da qual Parente já é presidente do conselho administrativo, deve ter tido valorização em suas ações ao anunciar que é para lá que ele está indo assumir como principal executivo.

O motivo da saída de Pedro Parente é muito simples. Durante exatos 2 anos, ele assumiu e se demitiu em um 1° de junho, ele teve 100% do comando da estatal em suas mãos, sem sofrer interferência política. A movimentação do governo, desastrada como em tudo que os últimos governos têm feito quando lidam com crises, deixou claro que a autonomia tinha acabado.

O governo negociou com caminhoneiros a despeito da Petrobras. Pedro Parente, usando de sua autonomia na direção da empresa e no intuito de colaborar, também tomou atitude solitária quando anunciou uma redução no preço do diesel. Ninguém se entendeu. Mas ficou claro para Parente que o governo começava ali um processo de interferência administrativa e, principalmente, eleitoral.

Se Pedro Parente estava preocupado com a administração da Petrobras, o governo só se preocupa mesmo com a administração eleitoral. O presidente da Petrobras tem que se preocupar em dar lucro aos acionistas, inclusive o majoritário que é o governo. E o governo está preocupado em não ter prejuízos eleitorais. Aí vale tudo.

Esse processo já havia acontecido no BNDES com a executiva Maria Silvia. Colocada por Temer para supostamente sanear o banco e colocar ordem na casa, não demorou muito para que Temer lembrasse que a tal “casa” pertence ao governo e que teriam ali assuntos que não deveriam ser mexidos e outros que deveriam ser mexidos de acordo com seus interesses. Maria Silvia pulou fora.

Hoje, Moreira Franco, o angorá da planilha da Odebrecht, disse o seguinte no Twitter: “Pq governo tem que governar. E é isso o que vamos fazer: proteger as pessoas e atividades econômicas das flutuações internacionais dos preços dos combustíveis.”

Pedro Parente fez um excelente trabalho na Petrobras. Foi acusado e ainda não explicou a relação com empresas que andaram negociando títulos com a Petrobras recebendo adiantado, e com bom desconto, dívidas que só venceriam em 2022. Fosse a negociação em si já daria pano para manga, mas, para piorar, Pedro Parente é sócio de dois sócios dessas empresas. A transação pode até ser boa e absolutamente legal, mas, certamente, pouca ética e nada moral.

A 4 meses das eleições, o que parece certo é que a caneta presidencial funcionará como funcionam as canetas de todos os presidentes nessa mesma situação. Temer não hesitará em flexibilizar regras, tirará dinheiro da saúde, da educação, da infraestrutura, do combate a corrupção e de qualquer outra área que possa garantir sua permanência na presidência da república até 31 de dezembro de 2018.

O agravante dessa já grave situação é que Michel Temer não é candidato, sabe que as chances de seus preferidos Henrique Meirelles e Geraldo Alckmin são ínfimas e o máximo que pode almejar para si nessa altura do campeonato é um absurdo indulto, uma improvável embaixada ou um cargo qualquer que o mantenha longe das mãos da primeira instância.

Nesse cenário, a única coisa com a qual ele não está preocupado é com o Brasil a partir de 1° de janeiro de 2018. Pedro Parente, por outro lado, tem muito com o que se preocupar. A BRF é uma empresa privada e seus gestores, apoiados por um conselho administrativo de verdade e que é corresponsável pelo que acontece na empresa, tem total autonomia para agir.

Na próxima vez que caminhoneiros resolverem parar o país, Pedro Parente só estará preocupado com prejuízo, lucro e atendimento aos consumidores. Eleitores continuarão sendo problema de Temer e dos políticos encabidados estatais a fora.

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Governo Temer é a conta que estamos pagando por 33 anos de letargia

Não, Michel Temer não apareceu no governo ontem, por acaso. Nem foi eleito vice-presidente de Dilma Rousseff duas vezes por descuido. Muito menos essa foi eleita presidente duas vezes sem querer, assim como Lula também por duas vezes, ou Fernando Henrique Cardoso, também duas vezes antes dele.

Por acaso foi para no governo Itamar Franco, aquele sim um vice-presidente oficialmente escalado para ser decorativo. Collor, eleito então presidente, representava o primeiro não do povo brasileiro a Lula. E contribui ainda para ser eleito o verdadeiramente por acaso presidente José Sarney, que pediu aos céus a chance de ser um bom corrupto e foi contemplado com um governo inteiro para chamar de seu.

Não é difícil entender em dois parágrafos o tamanho do buraco no qual nos enfiamos nos últimos 33 anos, e não dá para dizer que tudo foi por acaso. Não dá para dizer que os votos em Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma, duas vezes para cada um dos últimos 3, foram acasos. Houve revolta, esperança, conservadorismo, aposta, mas letargia acima de tudo.

Não nos importamos com tudo o que havia sido dito sobre o escandaloso governo Sarney, não nos assustamos com tamanha corrupção em 2 anos de governo Collor, ignoramos os alertas sobre o governo Fernando Henrique, demos de ombro para o mensalão do governo Lula. Só reagimos de verdade contra o segundo governo para Dilma Rousseff, no primeiro fizemos vista grossa.

Michel Temer é a conta que estamos pagando por tudo isso, e os juros não poderiam ser baixos. Sua ilegitimidade nasce do estreito vínculo de sua legítima ligação com todos os que o antecederam. A prática explícita do fisiologismo político, se aliando a qualquer um que estivesse no poder fizeram de Temer a síntese da desgraça política desse país. Se não é ilegítimo constitucionalmente é totalmente ilegítimo na representatividade do povo. A única união que ele conseguiu promover foi de repúdio a si mesmo.

Não há como Michel Temer continuar presidente, mas continuará assim mesmo. Somos reféns da Constituição Federal de 1988, de cuja confecção participou a maioria desses políticos que estão aí. Hoje, entendo que o termo usado por Ulysses Guimarães, dando o nome Constituição Cidadã, é porque foi uma constituição feita apenas para os cidadãos e não para os políticos. Para eles, foram introduzidos inúmeros parágrafos e incisos de autoproteção, relegando os rigores da lei a quem não tem dinheiro para pagar advogados.

O mais agravante nisso tudo é que estamos velozes 4 meses da eleição e ainda não temos certeza de que exista alguém que consiga encampar em seu discurso algo que não seja demagogia, utopia ou discurso para boi dormir. Outubro vai acontecer numa piscadela e só nos vemos diante de políticos que falam o que o povo gostaria de ouvir, sem que apresentem uma proposta que nos permita pensar num Brasil para, pelo menos, os próximos 20 anos. Todos falam em 2019, e quando falam em futuro as citações são utópicas e imprecisas.

Até quando vamos continuar fazendo contas desse tipo para pagar? Até quando fazer apostas em candidatos que não conseguem se apresentar como algo mais que uma duplicata de vencimento futuro? Vamos deixar continuar nos endividando? Endividando nossos descendentes?

Se alguém quiser se dar ao trabalho de ler um pouquinho da história, sugiro o capítulo Primeiro-ministro no artigo da Wikipédia que pode ser lido clicando aqui. É possível perceber algumas semelhanças nos movimentos que antecederam a deposição de João Goulart com o que vivemos atualmente. E certamente não por acaso. Após a renúncia de Jânio Quadros o país também estava perdido, sem norte, e foi assim que os oportunistas tentaram transformar o Brasil num país comunista.

Naquela época, porém, lutava-se contra comunistas, hoje luta-se contra ladrões, bandidos, golpistas, gente que sequer tem uma ideologia ou um sistema de governo para defender. São só ladrões. E a grande maioria dos que pretendem ser presidentes faz parte dessa turma.

O governo Michel Temer é ingovernável, ou, como diz o colunista Josias de Souza, Michel Temer é governado pelos fatos.

Se Michel Temer tem realmente compromisso com o povo e com o futuro do Brasil deveria renunciar ao cargo que, indignamente, ocupa e abrir espaço para um governo temporário que garantisse eleições sem urnas eletrônicas e a normalidade do país até a posse de um novo presidente em 1° de janeiro de 2019. Mas aí a utopia já é minha. Temer não vai renunciar. Só sai de lá no fim do mandato ou, na utopia de muitos, acompanhado de meia dúzia de oficias militares em direção à cadeia.

O resumo disso tudo é que não dá para dizer que essa conta não é nossa. Mas dá para dizer que não queremos mais pagá-la e, acima de tudo, dá para definitivamente sairmos da letargia e parar de endossar duplicatas que vencerão mais cedo ou mais tarde na forma de corrupção, enriquecimento ilícito, fraude em licitações, fraude em eleições, políticos e empresários ricos e impunes.

Somos uma república que sofre fortes abalos diante de uma greve de caminhoneiros. E disposta a assinar quantos cheques pré-datados forem precisos para não cair. Cabe a nós, somente a nós, nos recusarmos pagar mais essa conta. E o momento para que ela não vire débito automático é esse. Se virar, já era.

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Michel Temer, chegou a hora de começar a negociar a rendição

Em primeiro lugar, Michel Temer tem que render-se as evidências. O presidente mais impopular da história do Brasil, o primeiro presidente a ser denunciado no exercício do cargo, o primeiro presidente investigado no exercício do cargo, correligionários presos, amigos presos, histórias e desculpas que não se sustentam.

Michel Temer tem que se render também ao fracasso de sua gestão. O desemprego aumentou, passando de 11,5 milhões para 14 milhões de desempregados. A violência aumentos, sendo necessário intervir na segurança pública do Rio de Janeiro e só não interveio em outros estados porque não quis, pois eles solicitaram.

Não se pode negar que tirar o país da recessão foi um trabalho e tanto. Mas não se pode negar também que isso foi feito às custas de aumento na carga tributária, ou seja, tirando mais dinheiro do povo. Se Dilma tivesse feito isso ao invés de aprofundar o buraco, talvez, ainda fosse presidente da república. Mas ela padecia do mesmo mal que padece Michel Temer, a soberba.

Chegou a hora de Michel Temer render-se a sua incapacidade de fazer algo melhor do que já fez daqui até o final do ano, quando, finalmente, nós veremos livre dele. Temer não tem mais diálogo com a Câmara dos Deputados, e isso ficou provado na aprovação do projeto que extingue PIS e COFINS do preço do diesel, sem que houvesse o menor diálogo com o governo. Fica claro, inclusive, o motivo pelo qual a reforma da previdência não vai sair do papel.

Não seria de mal gosto se Michel Temer se rendesse também a sua ilegitimidade como governante. Nada a ver com golpe, porque não foi golpe. Até aceito a tese de que tenha sido um golpe político, mas um golpe dado usando as regras do jogo. E nesse caso, o golpe que alterou a regra do jogo foi o fatiamento da Constituição Federal quando preservaram seus direitos políticos no processo de impeachment.

Só que o golpe não deu certo por completo. Michel Temer assumiu o governo, mas jamais assumiu a presidência da república, e é exatamente aí que mora sua ilegitimidade. Temer era vice de Dilma, cúmplice nada decorativo de um governo que afundou o país. E se nesses dois últimos anos conseguiu tirar o país da recessão, não fez mais do que ajudar a reparar o estrago criminoso que ele mesmo e seu PMDB ajudaram o PT a fazer. Os 11,5 milhões de desempregados que ele herdou de Dilma, de uma certa forma herdou de si mesmo.

Como confiar num presidente da república que tem como um de seus principais assessores, o ministro da Casa Civil, Carlos Marun, seu articulador político, exatamente o ex-general da tropa de choque de Eduardo Cunha, um dos maiores corruptos que já passaram por esse país? Como acreditar que Gustavo Rocha, assessor jurídico da mesma Casa Civil e ex-advogado pessoal de Eduardo Cunha está ali apenas por mérito?

Como levar a sério que Temer não tem absolutamente nada a ver com os 51 milhões de reais encontrados em malas num apartamento alugado pelo agora presidiário Geddel Vieira Lima, ex-ministro de Lula, Dilma e do próprio Temer? Como imaginar que o Coronel Lima reformou a casa da filha de Temer só por amizade?

O governo Michel Temer acabou, e é hora dele negociar sua rendição. E não só ele. A classe política dominante precisa se render e assim negociar bons termos de penalizações.

Michel Temer já foi vice decorativo, e hoje só não é um presidente 100% decorativo porque usa a influência do cargo para abafar a Lava Jato e o combate à corrupção, e é disso que vive seu governo desde a gravação revelada por Joesley Batista. E nós não temos que manter isso, viu? A quebra institucional já existe. Não confiamos no governo, não confiamos no congresso, não confiamos no judiciário.

O Brasil precisa encarar que temos nós, também, que nos render ao fato de que a república acabou, e que as eleições não nos oferecem todas as ferramentas para promover a mudança que o país precisa ter. Muitos, mas muitos mesmo, dos que se elegerão em outubro são os mesmos que estão aí, ou outros sob seu comando, mas a mesma turma. O próprio sistema, de deputado estadual a presidente, não nos oferece opções que permitam imaginar o impulso para a mudança necessária.

Os 7 meses que nos separam do fim do governo de Michel Temer podem ser muito piores do que o momento que estamos vivendo. Tenho convicção de que o passo dado pelos caminhoneiros será replicado por outras categorias profissionais, em especial às tradicionalmente ligadas a esquerda. O próprio sindicato dos petroleiros, ligado à CUT, já disse que vai paralisar as atividades. E muitas outras farão o mesmo.

Só resta a Michel Temer render-se ao fato de que seu governo acabou, e que, se não entender isso, pode ser apeado do cargo e acabar sendo também o primeiro presidente civilmente deposto desse país, se não for pior.

Bandeira branca, Michel Temer. É assim que começa uma rendição. Estamos esperando.

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